Primeiro dia do Lollapalooza Chile tem Nação Zumbi estreando no país e performance do Red Hot Chili Peppers, ausente do line-up brasileiro

O festival desembarca no Brasil no próximo sábado, 5

Juliana Faddul, de Santiago Publicado em 30/03/2014, às 13h49 - Atualizado em 01/04/2014, às 16h40

Red Hot Chili Peppers no Lollapalooza Chile
Divulgação

Se há quem achasse que o line-up do Lollapalooza 2014 fosse praticamente uma viagem de volta à década de 1990, o primeiro dia de festival no Chile foi a confirmação. Bandas como Red Hot Chili Peppers, Nine Inch Nails, Nação Zumbi e Phoenix resolveram dar um pause na atualidade para relembrar hits da década em questão.

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O "mais esperado” do festival, o Red Hot Chili Peppers, foi realmente o mais esperado: afinal, os californianos foram os únicos a se atrasar, subindo ao palco 15 minutos depois do previsto. Todavia, uma vez que o RHCP pisou no palco, mostrou a que veio. Iniciando com "Can’t Stop", o baixista Flea, como de costume, roubou a cena fazendo piruetas durante as músicas seguintes: "Dani California", "Otherside" e "Snow ((Hey Oh))". Ele até arriscou um “mucho gusto y mucho amor”, enquanto Anthony Kiedis se retirava do palco por um instante.

Bruno Mars faz show dentro do esperado no Super Bowl, mesmo com participação do Red Hot Chili Peppers.

Enquanto os músicos faziam um breve intervalo, o público entoava “Olê, olê, olê, olê Red Hot, Red Hot” (durante as partidas de futebol, os chilenos tem o costume de gritar “Olê, olê, olê, olê Chile, Chile”). Chad Smith e Josh Klinghoffer, sem hesitar, acompanharam o coro respectivamente com a bateria e a guitarra ganhando a simpatia imediata do público. Flea ainda puxou o saco dizendo “Santiago é a cidade mais bonita. Obrigada, Perry Farrell, pelo convite. Para vocês, que pediram, aqui vai”, falou ele antes de seguir com "Californication", "By the Way" e "Give it Away", que encerrou a apresentação dos californianos. “Obrigada por virem a este show”, agradeceu Kiedis, emendando um tímido “Buenas tardes”. Às 23h15.

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No quesito simpatia, se destacaram também os franceses do Phoenix. Pontuais, eles iniciaram o show com "Entertainment" e interagiram com o público em espanhol, gritando um “que tal” e “que onda” entre as músicas. Pouco antes de "1901", a segunda música do show, Thomas Mars se jogou no público e se cobriu com a bandeira chilena. Pegou alguns mimos que fãs mais empenhados trouxeram e fez graça, como morder o microfone e fingir se rastejar.

Entrevista: “Ficamos surpresos ao saber que ainda há espaço para a nossa estranheza”, diz Thomas Mars, do Phoenix.

Em contrapartida, houve quem preferisse se apresentar de maneira mais contida, sem interação com o público, como o Nine Inch Nails. Responsável pela apresentação mais visceral do festival, os norte-americanos de Ohio até tocaram músicas de seu novo disco, Hesitation Marks, mas foi relembrando sucessos como "Terrible Lie", "March of the Pigs", "Gave Up", "The Hand That Feeds" e "Head Like a Hole" que fez com que o público se animasse. O final foi com "Hand Covers Bruise", que rendeu o Oscar de Melhor Trilha Sonora a Trent Reznor, que trabalhou ao lado de Atticus Ross como produtor musical no filme A Rede Social.

Entrevista: Trent Reznor: “Eu estou tentando ser tão puro quanto era quando comecei”.

Nação Zumbi, estreante no Chile e único representante brasileiro no line-up, optou também por uma passagem sem alardes. A escolha do setlist não surpreendeu, já que evocou sucessos do disco Afrociberdelia, como "Maracatu Atômico", "Manguetown" e "Etnia". Consciente que seu público era majoritariamente brasileiro, Jorge du Peixe fez um ode ao ex-vocalista do grupo, Chico Science, ao escritor Nelson Rodrigues e ao músico Jorge Ben Jor antes de cantar "Foi de Amor". O vocalista também optou por restringir seu vocabulário em espanhol somente a “muchas gracias”. Isto sem esquecer do “obrigado” primeiro.

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Enquanto uns tentavam não se arriscar no idioma, outros quiseram mostrar que estão com o espanhol em dia. Os norte-americanos do Imagine Dragons copiaram o The Hives, que no ano passado mais praticou o espanhol do que cantou, e animaram o público com excessivos “woohoo” e “hola Santiago”.

Entrevista: “A gente se sente muito honrado de ser ao menos conhecido no Brasil”, diz a banda Imagine Dragons.

O momento "climão" do dia ficou por conta da inglesa Ellie Goulding. Embora não dance, nem toque nenhum instrumento de maneira contínua durante sua apresentação, a inglesa não sincronizou o som com sua performance no palco (o que nos fez lembrar da apresentação de Britney Spears em 2001, no Rock in Rio 3). O vexame, aliado à escolha ruim para ordem de repertório (ela optou por “cantar" faixas mais conhecidas como "Burn", "Lights" e "Anything Could Happen" no final), entediou os presentes que preferiram reservar um lugar no palco do Phoenix, nessa hora.

Ainda fizeram parte do festival Zedd, The Bloody Beetroots, Cafe Tacvba, The Wailers, Francisca Valenzuela, Wolfgang Gartner, Jake Bugg, Cage the Elephant, Afi, Flume, Capital Cities, Baauer, 31 Minutos, Movimiento Original, Lucybell, Nano Stern, Onda Vaga, Joe Vasconcellos, Upa!, Lance Herbstrong, Santobando, Prefiero Fernández, Hordatoj, Dr. vena, Fat Pablo, Orixangó y Fanta Konate, Cantando Aprendo a Hablar e Mangoré. O Lollapalooza Chile continua neste domingo, 30, novamente no Parque O’Higgins, no centro de Santiago.