Apesar de problemas de organização, Lollapalooza Chile tem saldo positivo

Primeira edição sul-americana da maratona teve bons shows e clima favorável, mas falta de espaço e desorganização no palco Tech marcaram negativamente o festival

Por Lourenço Rolon e Fabiana Oliveira, de Santiago (Chile) Publicado em 04/04/2011, às 17h09

Francisca Valenzuela - Lollapalooza Chile

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A primeira edição sul-americana do Lollapalooza, que aconteceu nos últimos dias 2 e 3 em Santiago, Chile, foi bem balanceada: sucesso de público (cerca de 80 mil pessoas passaram pelo parque O'Higgins nos dois dias de evento), com bons shows e clima ameno, a maratona teve como pontos negativos problemas técnicos e de organização no palco Tech. Mas a experiência foi positiva, e o público chileno (além dos turistas, claro) deve ter saído satisfeito do festival, que acumula duas décadas de história nos Estados Unidos, desde que foi idealizado por Perry Farrell, também vocalista do Jane's Addiction.

O parque O'Higgins, o maior de Santiago, recebeu muito bem os espectadores; o local é de fácil acesso, sendo localizado próximo a uma estação de metrô. As filas para a compra dos tickets para bebidas e lanches eram aceitáveis. Com 5.000 pesos chilenos (cerca de R$ 17) era possível fazer uma refeição - preço um pouco salgado, como na maioria dos festivais ao redor do globo. Havia até uma homenagem gastronômica ao Brasil: o Lomo a Brasileña, um sanduíche de churrasco com queijo e abacate, que por suas cores ganhou esse nome.

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Além do público jovem, muitas famílias compareceram ao Lollapalooza, que inclusive contou, como na maratona original (realizada, atualmente, em Chicago), com o espaço Kidzapalooza, dedicado às crianças. Outro ponto favorável foi a limpeza do parque, mantida com a ajuda do projeto Green Spirit, por meio do qual latas e copos eram constantemente recolhidos e direcionados à reciclagem (o meio ambiente é uma das preocupações de Perry Farrell).

O clima de tranquilidade, no entanto, foi prejudicado no domingo, 3. A paz no reino Lollapalooza foi fortemente abalada por problemas no palco Tech - tanto de som, quanto de organização. No primeiro dia, o enorme público que compareceu ao local para assistir à apresentação do coletivo Edward Sharpe and the Magnetic Zeros já dava indícios de que o palco não estava de acordo com as necessidades da maratona. Mas nada foi feito para remanejar atrações de grande porte, que não condiziam com o espaço para aproximadamente 1500 pessoas. Cat Power, por exemplo, se apresentou para uma plateia mirrada, apenas porque a entrada no local estava sendo controlada - de forma confusa e nada funcional - pela organização, com ajuda da polícia local. Para completar, os constantes atrasos nos shows do palco e o excessivo calor no espeço quase resultaram no cancelamento de algumas apresentações programadas, como foi o caso do The Drums (felizmente, todos os shows foram realizados). Muita gente também não pôde assistir ao Devendra Banhart, que contou com a ajuda do brasileiro Rodrigo Amarante em sua performance.

O Lollapalooza Chile teve muitos méritos em sua realização, um bom line-up e shows memoráveis, mas, infelizmente, terá sua história marcada pelos problemas no palco Tech.