Los Hermanos bate o público do Muse e faz o maior show da história da banda em São Paulo

Grupo carioca e atração internacional se apresentaram na noite deste sábado, 24, na capital paulista

Luciana Rabassallo Publicado em 25/10/2015, às 12h11 - Atualizado em 28/10/2015, às 19h01

Los Hermanos faz show em São Paulo
Marcelo Mattina

Aproximadamente sete quilômetros separam a Arena Anhembi, palco dos desfiles das escolas de samba no carnaval de São Paulo, da arena multiuso Allianz Parque, casa do Palmeiras. A pequena distância também separou os 30 mil fãs da banda carioca Los Hermanos do público formado por 27 mil pessoas que foram prestigiar a apresentação do grupo britânico Muse, que em sua quinta passagem pelo Brasil - com entradas entre R$ 650 (inteira) e R$ 110 (meia) - trouxe na bagagem o recém-lançado Drones.

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A banda, formada por Matthew Bellamy, Christopher Wolstenholme e Dominic Howard, esteve em São Paulo em 2014, quando foi uma das atrações de maior destaque do festival Lollapalooza Brasil. O grupo carioca, que tem como integrantes

Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina, por sua vez, subiu aos palcos da capital paulista pela última vez em 2012, quando fez uma turnê nacional em comemoração aos 15 anos da banda.

A diferença de três mil pessoas que saíram de suas casas ou vieram de outros estados para acompanhar o show do grupo carioca em São Paulo é extremamente expressiva. Na mesma proporção em que os Los Hermanos carregam por toda a carreira um séquito de fãs barbudos e apaixonados, também colecionam "haters" ávidos por atacar desde o figurino dos músicos até as letras das canções menos famosas. Mas até que ponto essa guerra entre os fãs e os críticos desvia o foco principal da discussão.

“Eles me abriram uma guarda que não abrem para ninguém”, diz Maria Ribeiro, diretora de doc sobre turnê de 2012 do Los Hermanos.

Enquanto o debate raso gira em torno de "Los Hermanos é um grupo superestimado" muitos se esquecem de uma questão importantíssima: qual banda brasileira fora do circuito comercial tem o poder de atrair um público de 30 mil pessoas, com ingressos custando entre R$ 240 (inteira) e R$ 120 (meia), tendo o mais recente disco da carreira lançado há dez anos? Talvez seja a hora de dar ao Los Hermanos o devido reconhecimento. Mesmo que você não goste da música, mesmo que as letras não te agradem e mesmo que a delicadeza das melodias batam de frente com o seu machismo.

A obra dos músicos esbarra em um ponto de transição comportamental que começou nos anos 2000 e segue atual: a quebra do paradigma do gênero masculino como dominante e insensível. "Como não entende de ser valente? /Ele não sabe ser mais viril /Ele não sabe não, viu?", canta Camelo na letra de "De Onde Vem a Calma" enquanto Rodrigo Amarante narra as lágrimas de uma desilusão amorosa em "Quem Sabe". Homem não só pode como deve chorar por amor, e Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante nunca tiveram problemas em admitir isso.

Do ponto de vista musical, o grupo abriu as portas do underground nacional para o surgimento de nomes como Criolo, Céu, Curumin, Móveis Coloniais de Acaju, Cidadão Instigado, Tulipa Ruiz, Marcelo Jeneci, entre muitos outros, ao refinar os ouvidos dos jovens da década de 2000 para a mistura orgânica de guitarras, instrumentos de percussão, naipe de metais e programações eletrônicas.

Enquanto os críticos de plantão desmereciam nas redes sociais cada passo dado pelo grupo no palco durante a apresentação com transmissão ao vivo do Multishow, Camelo e Amarante conduziram uma multidão ensandecida por uma viagem de 29 canções, retiradas da pequena discografia da banda, que engloba Los Hermanos (1999), Bloco do Eu Sozinho (2001), Ventura (2003) e 4 (2005). Durante as poucas interações com o público, Camelo perguntou quem estava ali pela primeira vez. Automaticamente praticamente da multidão levantou os braços. O que indica que o público do Los Hermanos continua se renovando mesmo com a ausência de canções inéditas.

Entre músicas menos conhecidas estavam "Cadê Teu Suin?", de Bloco do Eu Sozinho, que representa o momento em o grupo brigou com a gravadora da qual fazia parte e retirou o hit absoluto “Anna Julia” dos setlists do show na tentativa de se posicionar contra as regras do mercado fonográfico vigente. "Deixa o Verão", faixa regravada por Mariana Aydar em Kavita 1, também quebrou a sucessão enérgica de hits. No bis vieram “Adeus Você”, “Anna Julia”, “Quem Sabe” e “Pierrot”.

O Los Hermanos chegou ao fim em 2007, após uma série de shows de despedida na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Depois disso, a banda voltou a se reunir na abertura da apresentação do Radiohead, em 2009, em São Paulo, e no festival SWU de 2010, ocasião na qual fez uma miniturnê no nordeste.

Os principais compositores do grupo, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, têm se mantido em carreira solo, sendo que Camelo lançou no ano passado o disco de estreia, autointitulado, da Banda do Mar, formada por ele, Mallu Magalhães e Fred Ferreira (conheça mais aqui). O trabalho mais recente de Amarante é o álbum Cavalo, de 2013 (veja as 11 faixas do disco comentadas).

A turnê de reunião dos Los Hermanos pelo Brasil segue para o Rio de Janeiro com apresentações entre os dias

30 de outubro e 2 de novembro. Ainda há ingressos para o show do feriado de finados, segunda-feira, que terá abertura da banda Pato Fu.

Los Hermanos no Rio de Janeiro

30 de outubro (sexta-feira), às 23h30

Marina da Glória – Avenida Infante Dom Henrique s/n – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

Preços: R$ 200 e R$ 400 - (ingressos esgotados)

Informações

31 de outubro (sábado), às 22h

Marina da Glória – Avenida Infante Dom Henrique s/n – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

Preços: R$ 200 e R$ 400 - (ingressos esgotados)

Informações

1º de novembro (domingo), às 20h

Marina da Glória – Avenida Infante Dom Henrique s/n – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

Preços: R$ 200 e R$ 400 - (ingressos esgotados)

Informações

2º de novembro (segunda)

Pato Fu (18h) e Los Hermanos (19h30)

Marina da Glória – Avenida Infante Dom Henrique s/n – Aterro do Flamengo – Rio de Janeiro

Preços: R$ 200 e R$ 400 - (ainda há ingressos)

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