Los Hermanos se apresenta para nova geração de fãs em São Paulo

O grupo viu uma plateia renovada na apresentação da última quinta, 10

Paulo Terron Publicado em 11/05/2012, às 11h22 - Atualizado às 11h53

Marcelo Camelo no primeiro show da nova turnê do Los Hermanos em São Paulo

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Se depender da massa de fãs, o Los Hermanos – que se apresentou no Espaço das Américas, em São Paulo, na última quinta, 10 – pode retomar a carreira, paralisada desde abril de 2007, como se nunca tivesse parado. Ou melhor: pode voltar à atividade em tempo integral, pois agora parece ser maior do que era há cinco anos.

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A abertura do show, às 22h15, colocou grande parte da plateia de oito mil pessoas para cantar cada palavra de “O Vencedor” e, como se não fosse o suficiente, ainda entoar o riff do naipe de metais. O clima de karaokê seguiu com “Retrato Pra Iaiá” e “O Vento”, só diminuindo – sem se extinguir – nos momentos mais lentos de “Morena” e “Primeiro Andar”. Com “Além do que se Vê”, entretanto, o volume da cantoria voltou ao máximo – e acompanhada de palmas para marcar o ritmo.

O sistema de som do Espaço das Américas, por outro lado, foi oscilante. A definição e o volume estavam melhores do que em shows anteriores (o de Noel Gallagher, por exemplo), mas falhou em diversos momentos da noite. Por outro lado, os defeitos levaram a pelo menos uma imagem marcante: em “A Flor”, rara ocasião em que uma faixa é cantada por Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, o microfone do segundo não funcionou, obrigando os guitarristas a não só trocar versos, mas a cantar em um só.

“É impossível se acostumar com isso aqui”, disse Amarante, apontando para os fãs depois de mais um momento ao estilo coral. “Obrigado, gente.”

Outro recurso técnico, o gigantesco telão, teve um desempenho admirável: ele envolve o palco em um semicírculo, exibindo luzes, vídeos previamente gravados e, na maior parte do tempo, imagens dos músicos, captadas por câmeras fixas.

A turnê, que comemora os 15 anos do Los Hermanos, também tem o mérito de resgatar músicas do primeiro álbum da banda, pouco executadas em turnês passadas. Assim, ganharam versões enérgicas (e bem recebidas) “Azedume”, “Descoberta”, “Tenha Dó”, “Quem Sabe”, “Pierrot” e “Anna Júlia”. Ainda assim, o repertório com mais destaque – de longe – é o extraído de Ventura (2003), com 11 faixas tocadas.

Entrevista Rolling Stone: Marcelo Camelo: ícone de uma geração posicionada entre o rock e a MPB, o músico renega o papel de porta-voz.

Mesmo com um público de idade variada, ficou claro que a noite no Espaço das Américas foi dominada por uma renovação de fãs, boa parte com idade insuficiente para ter visto o Los Hermanos quando a banda estava em atividade não-esporádica. Resta saber se depois dessa ótima recepção o quarteto vai se dedicar a criar novas músicas para essa geração.

O Los Hermanos segue com a turnê com mais um show em São Paulo nesta sexta (11, entradas já esgotadas) e depois segue para Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.