Lovefoxxx - Uma Vida Fabulosa

Por Bruna Veloso Publicado em 15/08/2011, às 13h26

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Leia abaixo um trecho da matéria publicada na edição 59 da Rolling Stone Brasil, nas bancas a partir de 9 de agosto

No palco apertado da abarrotada casa de shows paulistana, somente a vocalista está ausente. Enquanto Adriano Cintra se concentra em linhas de baixo pulsantes, Ana Rezende, Luiza Sá, Carolina Parra (guitarras) e o baterista JR Kurtz mantêm a batida dançante do CSS intensa e em alto volume. Dedicada a uma missão solitária, Luísa Lovefoxxx se perde nos braços de um público ensandecido como ela. Após intermináveis minutos, ela retorna ao pedestal do microfone, suada e com o rosto avermelhado, já despida de sua camiseta branca (com a estampa "Ay que Horror"), que acabara de ser rasgada pela plateia. Ao final da apresentação - a mais longa da história da banda, com 22 músicas no set list e 1h45 de duração -, ela ostenta no corpo, além do curto short jeans, apenas um sutiã.

"Quando estávamos indo pro palco, rolou um momento de emoção. A gente se olhou, meio que trocou pensamentos", relembra Lovefoxxx, agora diante de uma mesa de um café em Higienópolis, quase três meses após o referido show - a primeira apresentação individual do grupo na cidade em mais de cinco anos. São Paulo, aliás, tem um significado especial: foi onde os integrantes se conheceram e formaram o CSS (a banda prefere atualmente a sigla ao nome original, Cansei de Ser Sexy). Foi onde também que, em 2010, o atual quinteto largou a rotina pesada de shows para se concentrar na composição e gravação do terceiro álbum, La Liberación, com lançamento previsto para este mês. É quase como uma volta às raízes: após Donkey (2008), um disco menos festivo e carregado nas guitarras, retornam as músicas mais expansivas, com mais elementos eletrônicos e experimentações. Há piano, guitarra espanhola, saxofone e trompete, instrumentos inéditos na história do CSS. "Neste a gente quis pirar, ser superexuberantes, fazer o que a gente quisesse", comemora Lovefoxxx.

La Liberación reflete o atual momento do CSS e, principalmente, de Lovefoxxx. Aos 27 anos, ela conserva o ar juvenil de quando começou, por acaso, a cantar (tinha 19). Hoje, parece mais madura e garante - sem se dar ao trabalho de explicar o porquê - que 2010 "foi um dos melhores anos" de sua vida. Diferentemente do estilo intenso e elétrico que exibe ao vivo, fora do palco ela se revela, a princípio, tímida, quase séria demais. Bebendo água com gás, ela desvia o olhar enquanto formula suas respostas, bagunça os cabelos negros e grossos e evita entrar em assuntos que não sejam referentes à música ou à carreira artística - embora diga, em contradição, que sua "vida pessoal é meio que a banda". "Se a gente não guarda essas coisas mais pessoais", ela afirma, "parece que não tem nada que é só seu."