Madrinha do WME, Céu promete novo disco para 2019

Artista reflete sobre a sua trajetória na música, a participação no WME e lançamento de seu novo disco no segundo semestre

Nicolle Cabral Publicado em 19/03/2019, às 17h00

None
Cantora e compositora Céu (Foto: Divulgação)

“A gente espera / Mero incidente / Corriqueiro / Ser mulher / A vida inteira. Minha beleza / Não é efêmera / Como o que eu vejo / Em bancas por aí / Minha natureza / É mais que estampa / É um belo samba / Que ainda está por vir…”

Lançada há 14 anos, "Bobagem", que incorpora o primeiro disco Céu, da compositora Maria do Céu, manifesta o seu feminino ao se mostrar íntegra e mergulhada em todas as suas produções. “Eu sempre fui muito apropriada da minha obra, desde o começo. Isso eu tenho orgulho de dizer”, conta a artista que completa 15 anos de carreira.

Do samba, afrobeat, jazz e R&B, durante todo esse tempo, Céu se transformou e trouxe à tona, cada vez mais, as influências latinas e o clima tropical para dar luz à uma grande sequência de discos modernos e orgânicos.

Com a sua discografia quase inteiramente composta por canções autorais, salvo algumas parcerias como a de Beto Villares e Lucas Santtana, Céu está em seu quarto e premiadíssimo disco, Tropix.

A compositora levou para casa dois Grammys Latinos nas categorias de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa (2012) e Melhor Álbum de Engenharia de Gravação (2012) com o Tropix. Além disso, levou quatro vitórias no Prêmio Multishow de Música Brasileira como Melhor Gravação de Disco (2016), Melhor Direção de Clipe (2016) e Melhor Fotografia (2016), com ‘Varanda Suspensa’, faixa romântica e nostálgica do disco, e Melhor Versão do Ano (2016) com ‘Chico Buarque Song’.

No início de 2019, os álbuns da artista foram relançados em disco de vinil pela gravadora Polysom. “Foi super emocionante quando os vinis chegaram na minha casa, eu estava num turbilhão de trabalho. Eu não sabia a dimensão que seria pegá-los na minha mão, e de fato, senti-los. Porque hoje a música virou algo tão imaterial, e ter nas mãos, o encarte, as fotos daqueles tempos, os nomes das pessoas que participaram [da produção dos discos], os agradecimentos, e olhar toda a minha trajetória, de maneira física, foi emocionante. E eu fiquei bastante orgulhosa também, porque quem faz música, quem faz arte, e isso vai além da questão de gênero, no Brasil é muita resistência, paixão, dedicação e muita disciplina.”

Em seus 15 anos de carreira, com quatro discos e canções performáticas, Céu rodou o Brasil e embarcou em várias turnês internacionais, principalmente na Europa. Em 2017, foi a única mulher brasileira a estar presente no line-up do Lollapalooza Brasil. E, nos dias, 22 e 23 de março participa da terceira edição do Women’s Music Event (WME) uma conferência concebida por mais de 100 mulheres, desde a sua organização até o protagonismo do evento, como madrinha da edição.

Nos anos anteriores, o WME trouxe Marina Lima (2017) e Pitty (2018) como protagonistas para prestarem homenagem. Em 2019, a compositora Céu foi convidada por Mônica Agena e Claudia Assef, idealizadoras do evento, para participar. “Me sinto muito orgulhosa, feliz e honrada por ter ser escolhida para este cargo. Me sinto responsável, como um grande presente e pelo momento que estamos vivendo, poder representar tudo isso.”

O evento acontece nos dias 22, 23 e 24 de março no Centro Cultural São Paulo. O projeto conta com 15 painéis e 8 workshops para discutir sobre a cena musical no Brasil, produção cultural e a participação feminina dentro desse mercado.

Para Céu, é grande a importância de eventos como este que separam um espaço para enaltecer as produções femininas e inflar o sentimento de união entre as mulheres nesse ambiente musical majoritariamente dominado por homens. “Eu sou meio que um retrato de tudo isso. Quando eu comecei, quase não tinha compositoras. Tinha a Marisa Monte, que é de uma outra geração, a Vanessa da Mata, que estava começando junto comigo."

Ela segue: "No geral, eram poucas meninas escrevendo. Então, pra mim, isso é muito emblemático. Um evento como esse tem um impacto enorme. Não só pelo fato das composições, mas eu também estive na noite cantando, e se fazer ser ouvida nesse meio entre músicos e ser respeitada pelo viés da música, e não por qualquer outro tipo de atributo, foi uma longa caminhada. É de extrema importância a gente poder celebrar isso e juntar a mulherada para dar cada vez mais força para nós mesmas."

Para Céu, há de se chamar muita atenção para todas essas questões. "São tempos obscuros, extremamente obscuros, eu diria, mas sempre acredito que tudo é um ciclo. Eu estou nessa, eu estou junto, eu sou ariana, aquela que gosta de brigar por uma boa causa”, completa a artista rindo.

Céu se apresenta na sexta, 22, a partir das 17h30 no painel “Q&A Madrinha WME: Um papo sobre a vida e a obra de uma das artistas mais plurais da música brasileira” na Sala Adoniran Barbosa.

Para integrar o time de fortes mulheres - inclusive no zodíaco, Anelis Assumpção, sua amiga de longuíssima data, se apresenta no evento na noite de sábado, 23  a partir das 18h. Céu participou do seu último disco Taurina, lançado em 2018, na canção "Receita Rápida", de Itamar Assumpção. As duas se complementam em contribuições desde o segundo disco de Céu, Vagarosa de 2009, em "Bubuia". “Eu sou uma grande fã dela. A gente tem uma afinidade musical e afetiva muito grande.”

No papo com a Rolling Stone Brasil, a compositora adianta detalhes sobre o lançamento do seu quinto disco para o segundo semestre deste ano. “Ainda está sendo construído, então é um pouco cedo para dizer em que lugar eu estou passeando, mas sim, vou lançar [um novo disco]. Ainda tenho bastante shows para fazer dessa comemoração [de 15 anos de carreira], tem turnê no Brasil e na Europa. Mas é isso, no segundo semestre, disco novo.”