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Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo é ainda mais extravagante e divertido

É impossível não se divertir e se emocionar com tantos talentos envolvidos

Paulo Cavalcanti Publicado em 01/08/2018, às 15h53 - Atualizado em 02/08/2018, às 11h45

Alexa Davies, Lily James e Jessica Keenan Wynn em Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo

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Há dez anos estreava Mamma Mia!, versão cinematográfica do musical de enorme sucesso cujo enredo era amarrado pelas canções do quarteto Abba. O êxito da adaptação dirigida por Phyllida Lloyd também foi enorme e confirmou que o grande público nunca abandonou o seu caso de amor com as canções dos suecos. Outros artistas do passado podem ter maior respeitabilidade junto à crítica e aos formadores de opinião, mas quando o assunto é arrebatar o pulso popular, ninguém bate o legado forjado nos anos 1970 e começo dos 1980 por Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad.

Em Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo, que chega às telas brasileiras nesta quinta, 2, Sophie (Amanda Seyfried) assume o hotel que foi da mãe, Donna Sheridan (Meryl Streep), na paradisíaca Ilha Kalokairi, na Grécia. Sophie também tem que se acertar com o marido Sky (Dominic Cooper) e, enquanto isso, espera que Stellan Skarsgård (Bill), Pierce Brosnan (Sam) e Colin Firth (Harry), antigos amantes de Donna e seus “padrastos”, apareçam para a reinauguração e se comportem. Paralelamente, as folclóricas Tanya (Christine Baranski) e Rosie (Julie Walters), melhores amigas de Donna, também estão por lá para agitar o local. Só que ninguém contava que uma possibilidade de furacão fosse colocar a reinauguração em xeque. E que isso fosse fazer Sophie questionar toda a sua vida.

Misturando o passado e presente, o filme se alterna entre essa realidade e o ano de 1978, quando mostra as aventuras da jovem Donna (Lily James). Na época, ela era uma hippie que só queria saber de namorar e rodar o mundo, além de dançar e cantar ao lado das amigas Rosie (Alexia Davies) e Tanya (Jessica Keenan Wynn) no trio Donna and the Dynamos. Enquanto viaja pela Europa, Donna se encanta por Bill, Sam e Harry (respectivamente Josh Dylan, Jeremy Irvine e Hugh Skinner) e se envolve com os três. Ela engravida e, então, começa a dúvida: quem será o pai da filhinha dela, Sophie?

Esta sequência é muita mais divertida, insana e frenética do que o longa original. O filme decola devido às escolhas criativas tomadas pelo diretor Oliver “Ol” Parker. O primeiro filme focou nos maiores hits do Abba. Neste novo, Parker resolver usar vários lados B do quarteto, como “When I Kissed the Teacher”, “Kisses of Fire”, “Andante, Andante” e “Angel Eyes”, para dar carga dramática e diversidade ao filme. Alguns hits, como “Dancing Queen” e “Mama Mia”, estiveram no primeiro filme e são reprisadas aqui, mas em outro contexto. A qualidade dos vocais e das coreografias também melhorou – felizmente, desta vez, Pierce Brosnan não canta, apenas entoa algumas poucas linhas de “SOS”.

Este é um filme em que as mulheres estão à frente da ação. Amanda Seyfried, apesar de interpretar e cantar com excesso de preciosismo, deixa uma marca certeira como a personagem Sophie, que se divide entre o pragmatismo e o sonho. A inglesa Lily James já havia causado um grande impacto em Baby Driver: Em Ritmo de Fuga e O Destino de Uma Nação e, de certa forma, ela é a estrela aqui. O filme explode quando a ação é situada na década de 1970 e Lily é um dos grandes motivos para que isso aconteça. Ela dança e canta bem, tem timing cômico e uma presença efervescente. Cher vive Ruby, mãe de Donna e avó de Sophie. Usando uma peruca platinada, ela chega à ilha de helicóptero e a presença da artista, sempre maior que a vida, apaga todos os que estão em volta. O dueto dela com Andy Garcia na latina “Fernando” é simplesmente inacreditável.

O bizarro e dançante final do filme, como todo o elenco interpretando “Super Trouper” e fantasiado com as vestimentas berrantes do Abba da década de 1970, também é um daqueles momentos que ficam na cabeça. Extravagante, camp, delirante e até mesmo pungente, Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo vai muito além de celebrar o catálogo fonográfico do Abba e traçar uma rota nostálgica a tempos que não voltam mais. É impossível não se divertir e se emocionar com tantos talentos envolvidos – e todos em cena também parecem estar se divertindo muito.