Marchinhas e rock 'n roll

Orquestra Imperial tocou fogo no público paulistano em baile pré-Carnaval nesta quinta, 24; veja o vídeo

Por Artur Tavares Publicado em 25/01/2008, às 13h04 - Atualizado em 28/01/2008, às 14h34

Nina Becker curtiu o carnaval à frente da big band
Artur Tavares/(Still)

Marcado para as 22h, o show da Orquestra Imperial nesta quinta, 24, foi começar pelo menos 40 minutos mais tarde. Se, de primeira, o público da casa não era animador, foi de repente que o salão se encheu de fantasiados: pierrôs, havaianas, caipiras e até uma Cleópatra se amontoaram no salão para a entrada da big band, que também estava a caráter.

Enfeitado pelas vocalistas Thalma de Freitas e Nina Becker, o grupo de 19 promoveu um pré-Carnaval com direito a marchinhas clássicas, como "Cachaça" (Se você pensa que cachaça é água / cachaça não é água não) e "Marcha do Remador" (Se a canoa não virar / olê olê olá / eu chego lá) e até versões de "Iron Man", do Black Sabbath, "Stairway to Heaven", do Led Zeppelin (!), e "Sultans of Swing", do Dire Straits.

Thalma de Freitas chacoalhou seu vestido branco de camadas, enquanto Nina Becker exibiu um penacho azul combinado com seu macacão de lantejoulas. Rodrigo Amarante, ex-Los Hermanos apareceu de camisola curta e um avental que escondia um pinto de borracha. A cozinha - Kassin no baixo e Nelson Jacobina na guitarra - veio com o rosto pintado, como integrantes do Kiss. Entre os outros músicos, algumas faces maquiadas; o veterano Wilson das Neves vestia terno.

As vocalistas levaram as três primeiras músicas com suas vozes potentes e distintas, além da presença festiva no palco - o público acompanhou. Enquanto Becker deu um tom glamuroso a sua voz, Thalma de Freitas apostou na potência enquanto corria pelo palco e sambava com desenvoltura. Os metais bem sincronizados e potentes deram um gostinho a mais ao samba levado pelos outros instrumentistas.

A big band, formada ainda por Bartolo, Berna, Bidu, Bodão, Domenico, Felipe Pinaud, Leo Monteiro, Mauro Zacharias, Max Sette, Moreno Veloso, Pedro Sá, Rubinho Jacobina e Stephane San Juan (leia sobre todo mundo mais abaixo), variou entre músicas de seu primeiro disco, Carnaval Só no Ano que Vem, e outros sambas. Quando Wilson das Neves saiu da bateria para assumir o microfone, cantou um samba enredo de sua escola de coração, a carioca Império Serrano (da qual já foi compositor). O grupo, como esperado, tocou "Ereção", oferecendo-a em gesto uníssono ao guitarrista Pedro Sá, que mais tarde cantou um samba defendendo que a virilidade masculina não está ligada ao tamanho do pênis, mas a seu desempenho.

O sexo é muito presente nas letras da Orquestra, sempre tratado com bom humor. A referência extrapola as letras, aparecendo na performance da banda e na decoração de palco. Além do consolo de borracha exibido por Amarante, uma grande e fálica clava verde-limão foi empunhada por Thalma de Freitas, e uma boneca inflável foi minuciosamente analisada por Nina Becker durante uma canção.

Mautner e Marlboro

Após tocar a abertura do programa do Chacrinha, que saudosamente avisava à Teresinha que "Abelardo Barbosa é o rei da discoteca", a Orquestra mandou o tema do Programa Silvio Santos, mas ao invés de chamar o Patrão ao palco, convidou o violinista e cantor Jorge Mautner a se juntar ao carnaval. Animadíssimo, o público não parava de jogar serpentinas e confetes no palco. Mautner começou sua participação com "Maracatu Atômico", dos tempos de Chico Science na Nação Zumbi, e pilotou outras duas canções.

Na pausa de cerca de meia hora da big band, o popular DJ Marlboro assumiu o palco acompanhado de dançarinas bronzeadas, vestidas com pouca roupa. A platéia entrou na brincadeira enquanto o DJ passeou por tendências do funk carioca. Durante a Dança Créu, sucesso no YouTube, a platéia mostrou que conhecia o hit. O sucesso foi tanto que Marlboro chamou duas garotas e dois garotos ao palco - Batman e Branca de Neve disputaram o posto de melhor dançarino; a moça tinha mais fãs, mas o herói levou a melhor.

Na volta da Orquestra Imperial, a pista já estava mais vazia. Foi o momento das marchinhas antigas e do revezamento nos vocais. O fim foi marcado, ainda, por um bolo com velas acesas levado a Amarante por Nina Becker. Enquanto a banda tocava "Parabéns a Você", o vocalista e trompetista apagou cada uma das velinhas com suas companheiras de vocal.