Marilyn Manson na meia-idade: mais academia, menos absinto - e o melhor álbum dele em 15 anos

Conversamos com o vampiro de Hollywood sobre hábitos noturnos estranhos, o disco The Pale Emperor e as mulheres do passado dele

Erik Hedegaard | Tradução: J.M. Trevisan Publicado em 05/03/2015, às 19h51 - Atualizado às 20h02

O Vampiro de Hollywood

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Quando Marilyn Manson vai dormir, geralmente o dia acabou de amanhecer. Quando acorda, a escuridão total e profunda costuma estar próxima. No que diz respeito à hora de se deitar ou levantar, como em quase todos os outros âmbitos de sua vida, ele faz o que bem entende. Se quiser lençóis pretos na cama e uma temperatura constante na casa dos 18ºC, é isso o que vai ter.

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Outro exemplo: digamos que ele queira transar com a namorada – a fotógrafa Lindsay Usich, com cabelos negros como as penas de um corvo – naqueles mesmos lençóis. Primeiro, nada de luzes acesas. “Sou muito tímido, ao contrário do que vocês imaginam”, ele diz. Segundo, a cueca não passa da altura das canelas. “Tenho uma fobia de que a casa pode pegar fogo e não quero correr o risco de estar pelado.” E, finalmente, cinco é o número diário mínimo de vezes em que os dois entram em “ato sexual”, como ele mesmo descreve, sendo dez o número máximo mais recente. E isso aos 45 anos – “a idade dos pequenos recordes”, ele afirma, com a sagacidade típica –, embora quase não pareça possível. Mas o que significa “possível” quando estamos falando de Marilyn Manson? Entre outros feitos, o novo álbum dele, The Pale Emperor, está, em termos de qualidade, no mesmo patamar de Antichrist Superstar (1996), disco que o catapultou para além de Fort Lauderdale (Flórida) e o jogou direto para o topo, para o desgosto da direita cristã, que em 1999 tentou culpá-lo pelos horrores ocorridos no massacre de Columbine. Mas em vez dos ruídos do rock industrial incrustados em ...Superstar, The Pale Emperor tem toques de blues e sintetizadores. Muitas das faixas, incluindo o primeiro single, “Third Day of a Seven Day Binge”, foram gravadas em apenas uma tomada, ignorando qualquer refinamento posterior. “É sujo”, afirma Manson, feliz. “Como a sujeira embaixo das minhas unhas, como alguém que acabou de abrir uma cova.” Até agora, entretanto, a única coisa que ele abriu foi um refrigerante tirado da geladeira de sua úmida casa de estilo gótico em Hollywood Hills. Ele coloca um pouco no copo, põe de lado e não toca mais nele. Então, circula pelo lugar, mostrando seus pertences mais significativos. Há uma pilha de livros infantis. Uma lata fechada de Zyklon B, o gás venenoso usado por Hitler para exterminar judeus. Uma pistola e um rifle em cima de uma mesa de centro. Um quadro de um palhaço pintado pelo estuprador e serial killer John Wayne Gacy. Basicamente, coisas que você esperaria de um cara como ele. Hoje, Marilyn Manson está vestido com uma camisa, colete, capa, calças e botas, todos negros, e meias vermelho-sangue, com óculos de sol cobrindo os olhos em uma sala tão escura que o próprio cantor quase desaparece na negritude profunda. Ele se move com uma graça espectral, os dedos ondulando como as asas de um passarinho quando aponta para uma cadeira que costumava ser usada para realização de abortos que certa vez cobriu com um tapete de pele de castor dado a ele por Brad Pitt e Angelina Jolie. “Eu a chamava de Montanha do Castor”, diz, “e foi onde transei com certas pessoas que podem ou não ter tido a ver com o meu divórcio”. Então, passos ecoam no recinto. “Sinto muito, mas parece que estamos prestes a ser interrompidos”, ele fala.

É Lindsay, com um pomposo vestido aveludado marcado por uma abertura em forma de fechadura bem na altura do decote. A fotógrafa vai sair para algum lugar? “Não”, ela afirma, e volta para o quarto. É um momento desconfortável, isento de qualquer explicação posterior. Manson teve muitas namoradas na vida (as atrizes Rose McGowan, 1997-2001, e Evan Rachel Wood, 2006-2010, bem como as estrelas pornô Stoya e Jenna Jameson) e uma esposa (a rainha do burlesco Dita Von Teese, 2005-2006, vítima da Montanha do Castor). Todos os relacionamentos tiveram muita loucura envolvida, nenhum teve um final feliz. “Só atraio mulheres com problemas”, declara Manson, sem especificar.

Chega a hora de sair rumo ao hotel Chateau Marmont para um pouco de diversão. “Vamos beber”, ele avisa. “Inventar palavras. Cantar rap, se quisermos.” E, é claro, ver se há alguma encrenca que podemos arrumar. “Sou o caos, sempre fui o caos, minha função na Terra é o caos”, Manson resume, se empolgando. Sou o terceiro ato de cada filme a que você assistiu. Sou a parte em que chove e a parte em que morre a pessoa que você não quer que morra. Estou aqui para foder com tudo.” Isso significa que a noite pode ser uma gigantesca esbórnia, cheia de coisas ao mesmo tempo terríveis e maravilhosas. A esperança é a última que morre.

Na virada do século, Marilyn Manson era conhecido como um maníaco enlouquecido e ofensivo, especialista em levar tudo longe demais. Em 1994, tornou-se padre da Igreja de Satã e fez estardalhaço sobre isso. No mesmo ano, se autoproclamou o Deus da Foda, e dois anos depois, o anticristo. Usava lentes de contato de cores diferentes, uma de um marrom-encardido, a outra azul-céu, que o faziam parecer um ser de outro mundo. Assustou tanto a direita religiosa que, em uma tentativa de banir os shows de Manson, representantes declararam taxativamente que qualquer jovem virginal que comparecesse a algum dos espetáculos dele presenciaria uma miríade de atos homossexuais no palco, uso indiscriminado de drogas, estupro, bestialidade, sacrifício de animais e, sim, sacrifício de jovens virgens.

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Os rumores se espalharam. Diziam que ele havia arrancado parte das costelas para que pudesse fazer sexo oral em si próprio. Todo tipo de depravação descrita parecia não só possível mas também provável – incluindo cobrir uma groupie deficiente auditiva com salame e outros frios e urinar em cima dela, o que, de fato, aconteceu. Depois, ele ia a talk shows como o de Bill O’Reilly filosofar sobre os horrores da religião, a estupidez universal dos políticos e a importância do indivíduo, mesmo se o indivíduo, como ele mesmo disse sobre si, fosse “propositadamente um cuzão”.

Ainda assim, em pessoa, ninguém parece ser mais cordial e polido que Manson. Senta-se com leveza. Raramente vocifera obscenidades desnecessárias e com frequência fala com um distinto sotaque sulista. É cuidadoso com os trajes que veste. Trabalha constantemente rumo ao próprio aperfeiçoamento; no momento está na missão de eliminar o uso da palavra “tipo” como vício de linguagem. E, analisando as ações passadas na carreira, ele atesta que na maior parte nada daquilo existe mais. “O aspecto [do antigo e folclórico empresário] P.T. Barnum do Marilyn Manson meio que evaporou”, afirma, algo pode ser percebido em The Pale Emperor. Manson elaborou o disco com Tyler Bates, conhecido como compositor das trilhas de filmes como Guardiões da Galáxia e séries de TV como Californication. Bates trouxe um rigor totalmente novo ao processo de gravação de Manson, esperando ressuscitar uma carreira musical que o próprio artista reconhecia estar “totalmente enterrada” depois de ter sido usado como bode expiatório do massacre em Columbine.

Após ter tido seu nome ligado à tragédia, Manson lançou discos como Eat Me, Drink Me (2007) e The High End of Low (2009), ambos criticados por grande parte dos jornalistas e fãs. Em 2009, acabou dispensado pela Interscope, selo com o qual trabalhava desde o início da carreira. Para se manter ocupado, começou a pintar, a atuar (apareceu recentemente na série Sons of Anarchy) e se perdeu no fundo de garrafas e mais garrafas de absinto. Ganhou muito peso, mas atualmente tem frequentado bastante a academia (“Dez minutos de esteira; braços e pernas em aparelhos”). Ele também tem passado um tempo considerável com Johnny Depp, inclusive se hospedando na casa do ator em Hollywood. Aparentemente, os dois se entendem como poucos. Ambos têm o costume da falar baixo e resmungando, e descobriram que não precisam de palavras na comunicação entre si. “Balbuciamos juntos como se fosse um coral e terminamos as frases com gestos”, conta Manson. Em um nível mais profundo, a dupla compartilha certos fascínios e predileções. Uma vez tentaram comprar a arma que Hitler usou para se suicidar. E nenhum dos dois consegue dormir sem que a TV esteja ligada (Manson prefere “coisas bem violentas e barulhentas”).

Ele também tem passado um tempo considerável com Johnny Depp, inclusive se hospedando na casa do ator em Hollywood. Aparentemente, os dois se entendem como poucos. Ambos têm o costume da falar baixo e resmungando, e descobriram que não precisam de palavras na comunicação entre si. “Balbuciamos juntos como se fosse um coral e terminamos as frases com gestos”, conta Manson. Em um nível mais profundo, a dupla compartilha certos fascínios e predileções. Uma vez tentaram comprar a arma que Hitler usou para se suicidar. E nenhum dos dois consegue dormir sem que a TV esteja ligada (Manson prefere “coisas bem violentas e barulhentas”). Eles também têm tatuagens iguais: nos pulsos, a frase “no reason” (“sem motivo”), e, nas costas, “Charles Baudelaire, as flores do mal e um negócio que é um esqueleto gigante”, contou Manson certa vez. “Johnny é uma das poucas pessoas com quem consigo conversar. O único jeito como consigo explicar isso é que às vezes a gente nem diz nada um para outro, mas também não conseguiríamos dizer para qualquer outra pessoa.” Seja lá o que isso signifique, como é o caso com tantas coisas em relação a Manson. Agora, ele está concentrado em acabar com uma dose dupla de vodca no Chateau Marmont.

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Já é tarde, perto da hora de fechar o local, e, se é para alguma confusão acontecer, a hora é agora. Do lado promissor, há cada vez mais álcool permeando a situação, e há mulheres envolvidas. Uma garota italiana chamada Titti, famosa por ser a maior fã de Manson e por já ter visto centenas de shows dele, aparece, se convida para sentar e começa a olhar apaixonadamente para seu ídolo, dizendo coisas como “eu o amo” e “ele é lindo”. Depois disso, um cara meio nerd surge pedindo conselho sobre como lidar com uma “coroa” com quem acabou de ficar. “O que eu faço?”, ele pergunta a Manson, que responde: “Você deveria perder sua virgindade com ela e depois esfaqueá-la”. O cara concorda com um sinal de cabeça. “Depois te conto como foi a parte do esfaqueamento.”

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Então, chega o músico Shooter Jennings e ele começa a conversar com Manson sobre como deveriam compor uma música juntos. Um pouco depois a atenção de Manson volta para a “coroa” de Lasiks, que é como ele chama o rapaz nerd. “Sabe se ela tem cocaína?”, ele pergunta. Depois, vê Lasiks ir na direção do banheiro, e abre espaço na multidão para se aproximar da mulher. No meio da conversa, o cantor descobre que os dois passaram três horas juntos no bar do Metropolitan Hotel, em Londres, há 12 anos. “Você está ainda mais linda que naquela época”, elogia Manson. O papo anda em círculos sem chegar a nenhum lugar mais interessante, até que o artista volta para Shooter. Quando pergunto à mulher se ela e Manson tiveram algo, ela diz que não. “Eu era casada na época”, afirma. “Mas a conversa que tivemos naquela noite eu jamais vou esquecer. Ele foi um cavalheiro. Ele estava cuidando de mim. É um homem especial.” De volta à mesa dele, Manson, o “homem especial”, está dizendo coisas como “lavo minhas mãos antes de mijar porque eu sei onde meu pau andou, mas não sei onde minhas mão andaram”. Algo que pode ser encarado como uma continuação do que ele havia dito mais cedo naquele mesmo dia: “Tenho uma lanterna de luz negra em casa, que mostra se há esperma nos lugares, e Lindsay usou na minha cueca para ver se andei fazendo besteira. Falei para ela: ‘Te enganei. Posso ter trocado de cueca’. E ela: ‘Você não troca de cueca’.” Titti gargalha. E Manson pede mais duas vodcas duplas.

Logo é hora de ir embora, nada realmente caótico aconteceu, nada de salame nem urina. É uma decepção total. Se o motivo da existência de Manson é “foder com tudo”, então a noite foi um fracasso. Ou talvez não. Talvez haja um novo motivo para ser Manson. E talvez esse motivo ainda esteja para ser descoberto, por ele ou por outra pessoa.

Quinze horas mais tarde, a noite está começando a surgir no quarto de Manson, onde ele, presumidamente já tendo executado os cinco ou mais “atos sexuais” com a namorada, está acordando. O quarto está escuro e vai continuar assim. A temperatura está nos 18 oC de sempre. Ele se levanta e escova os dentes, enquanto senta no vaso para urinar (“Minha mira é horrível”). Depois de tudo o que fez no dia anterior, seria de imaginar que o próximo passo fosse tomar uma ducha, mas não, não é o que ele faz. “Não sou fã de chuveiro”, revela. “Quando posso, tomo mais aquele tipo de ‘banho de gato’, lavando o meio das pernas e debaixo dos braços, mas ainda não fiz isso hoje, então se você estiver planejando fazer sexo oral comigo, melhor esperar até mais tarde.” Em seguida ele pega as roupas, todas pretas, a maior parte tirada da pilha do dia anterior. Desce até o térreo, onde também está escuro, forçando o assistente dele, Ryan, a andar com uma lanterna. Manson senta-se no sofá e trança as mãos. No pôr do sol, é fascinante olhar para ele – a ausência de queixo, a brancura da pele, a falta total de qualquer sinal de idade no rosto, sem rugas, sem flacidez, nenhum indício de tudo o que fez na vida. “Bem, ainda acho que sou meio adolescente”, afirma. “Quero dizer, tive uma namorada que fazia filmes pornô antes de a gente começar a sair, e ela terminou comigo dizendo que eu queria transar demais. Ela disse: ‘Você parece um garoto de 14 anos. Não aguento’.”

Manson conta que não sabe por que é assim, mas que provavelmente deve ter a ver com a infância passada em Canton, Ohio, onde cresceu sob o nome Brian Warner, filho de um pai vendedor de móveis que raramente parava em casa e uma mãe enfermeira que também costumava se ausentar. Pode parecer uma vida normal, mas na verdade nunca foi. Uma experiência em particular resume tudo: aos 13 anos, Brian costumava ir escondido até o porão do avô, vê-lo se curvar sobre uma ferrovia de brinquedo enquanto se masturbava vendo filmes de pornô bestial, fazendo sons guturais pelo buraco que tinha na garganta, fruto de uma traqueostomia. O garoto ficava menos chocado e mais fascinado, hipnotizado de certa forma. Mas, se tudo isso ficou no passado, o presente de Manson parece ainda estar em processo de chegada, o que talvez explique por que nada de mais tenha acontecido na noite no Chateau. Por outro lado, uma vez vampiro, sempre vampiro, e há um limite na quantidade de modos como um homem como ele é capaz de evoluir.

Manson começa a falar de novo sobre a amizade com Depp. “Gostamos de nos considerar veteranos da escola, os caras com quem as garotas querem trepar. Tempo e idade são irrelevantes para mim. Johnny também é assim. Às vezes, acho que estou preso na idade em que comecei tudo isso. Estou eternamente acorrentado aos 23 anos.” Isso pode explicar uma porção de coisas, incluindo o ocasional impulso cleptomaníaco, cujo mais recente alvo foi um par de óculos de sol de uma loja John Varvatos, mesmo que depois ele tenha acabado confessando aos funcionários – “então, tecnicamente, não é furto” –, e um pacote de chicletes de um mercado, que ele diz “nem ter comido”. O músico parece estar tentando chegar a algum lugar com essas pequenas revelações, e não para. “Sou louco em uma porção de aspectos, o que acredito ser uma das minhas qualidades mais cativantes”, prossegue. “Não é algo diagnosticável, porque envolve comorbidade, que é quando você tem múltiplos distúrbios, então não há como determinar exatamente o que é.” Ele faz uma pausa, e aí começa de novo, talvez de uma outra parte de sua mente. “Não gosto de ficar íntimo das pessoas. Acho que só tomei banho com uma garota duas vezes na minha vida, foi no escuro. Sou muito tímido. Também tenho pavor de banheiras, talvez porque minha mãe costumava me dar banho quando eu era criança e eu tenho recordações fragmentadas de não gostar.” O nome da mãe dele era Barbara. Ela morreu em maio de 2014, aos 68 anos, depois de uma longa batalha contra a demência, durante a qual frequentemente não era capaz sequer de reconhecer o próprio filho. “Quando era criança, eu acabava indo parar no hospital com frequência”, ele continua. “Fui anêmico e tive pneumonia umas seis vezes.” Disseram que ele tinha alergias estranhas a coisas como ovos e amaciantes de roupas. Também tinha os lóbulos da orelha estranhamente longos. Ele mesmo não ligava, mas a mãe sim, e uma das primeiras coisas que Manson fez com o dinheiro que ganhou se tornando um astro do rock foi operá-los: “Ninguém acredita quando digo que fiz isso. Eu queria mantê-los. Mas isso é só um exemplo de como minha mãe era. Foi sugestão dela”.

E então, quase que de passagem, ele explica exatamente como ela era. A mãe de Manson sofria de síndrome de Munchausen por Procuração, uma forma de abuso infantil em que um adulto (quase sempre a mãe) induz sintomas reais ou aparentes de doenças em uma criança. Ele falou sobre isso em público apenas uma vez, há cerca de 15 anos, e sequer tocou no assunto em sua autobiografia, The Long Hard Road Out of Hell (1998), e ainda comenta o assunto com cautela. Basta dizer que ele não é alérgico a ovos ou amaciantes, com a conclusão lógica de que boa parte das doenças que ele teve quando criança foi provavelmente causada pela mãe, e que a cirurgia nos lóbulos foi resultado direto de uma ordem materna que não poderia ser desobedecida, assim como as ordens que ele impõe na própria casa: a ausência de luz, a temperatura constante e os lençóis sempre pretos.

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“Só soube sobre a doença muito depois, e não sei por quanto tempo ela teve”, ele encerra. “O que quero dizer é que doenças mentais sempre estiveram na minha família.” Isso é, claramente, um meio de explicar as condutas de Manson: que ele tem algum tipo de distúrbio e por isso é tão estranho. E até pode ser verdade. Mas é um jeito bem deprimente de ver o panorama, não só pelo futuro sombrio que essa perspectiva traz mas também porque, de certa forma, é simplesmente errado encará-lo desse modo. E é errado que Manson pense assim, como parece estar fazendo, bem como é errado que muitos críticos o tratem assim, como muitos fazem. “Manson é Manson, ok?”, conclui Tyler Bates. O astro é singular demais para qualquer outra classificação, um exemplo brilhante do que significa ser um indivíduo. Mas já chega. É hora de partir e deixá-lo sossegado. Divirta-se esta noite, Manson. “Não me diga o que devo fazer”, ele solta, parado ereto na soleira da porta. “Mas eu vou me divertir.”