Exclusivo: Mayer Hawthorne diz que “para alguém que mal fala português, conheço bem a música brasileira”

Fã de Quarteto em Cy e Marcos Valle, músico também fala sobre inspirações e a paixão por vinis e açaí

Igor Brunaldi Publicado em 18/01/2018, às 15h28 - Atualizado às 15h31

Mayer Hawthorne
Reprodução/Facebook

Andrew Mayer Cohen, mais conhecido por seu nome artístico Mayer Hawthorne, é um cantor, produtor, compositor, multi-instrumentista e por vezes até DJ, norte-americano. A última vez que se apresentou no Brasil, em 2013, já havia lançado três álbuns solo, apesar da ainda relativamente curta carreira: A Strange Arrangement (2009), How Do You Do (2011) e Where Does This Door Go (2013).

Em 2018, Hawthorne volta ao país para uma série de shows e para “beber suco de açaí”. Com o álbum Man About Town (2016) disponível e músicas novas no repertório, o músico de 38 anos e já indicado ao Grammy se apresenta em São Paulo, Xangri-lá, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Leia abaixo a conversa que tivemos com o cantor.

Recentemente você publicou a sua lista das melhores músicas de 2017. A primeira coisa que notei foi a diversidade de gêneros ao longo dela. Com tantos lançamentos bons nesse último ano, que critério você usou para escolher as faixas?

Eu apenas escolhi as músicas que mais escutei. Eu amo tantos estilos diferentes, rock, rap, jazz, r&b, house, bossa nova… Eu tento me manter por dentro de tudo que é novo, mas hoje em dia tem muita música boa sendo lançada! Inclusive já até quero editar a minha lista.

Você se considera um colecionador ávido de discos de vinil. Quantos você tem atualmente na sua coleção? Você tem um favorito?

Nossa, eu tenho muitos! Nem cabe mais lá em casa. Cada disco que eu tenho carrega consigo várias memórias. Como meu exemplar do Love Deluxe, da Sade, que é um dos meus álbuns favoritos, mas não foi prensado nos Estados Unidos, então fiquei um bom tempo procurando por uma rara prensagem coreana. Ou meu disco Quem É Quem, do João Donato, que comprei na minha primeira viagem ao Brasil.

Você é originalmente de Michigan, um estado conhecido por uma história musical riquíssima, especialmente dentro das raízes do punk rock, soul e techno. Como crescer em um lugar desse influenciou seu estilo?

Sim, muita gente automaticamente associa Motown a Michigan, mas o estado também é responsável por Madonna, Iggy Pop, J Dilla, Juan Atkins, etc. Eu tive sorte em receber uma formação musical muito diversa. Isso contribui para que minhas próprias músicas sejam ricas e únicas.

A música soul é a alma musical de Detroit?

Definitivamente. Dá pra sentir até quando você anda pelas ruas.

Assim como a própria Motown, você começou em Michigan e depois se mudou para a Califórnia. Foi uma coincidência ou foi proposital? De que forma morar na Califórnia afeta/contribui para o seu processo de criação? O quão diferente é de compor em Detroit?

Acho que eventualmente todo mundo se cansa do frio e da neve [de Michigan]. Minha mudança foi mais focada em oportunidade. O mundo do entretenimento dos Estados Unidos está em Los Angeles, e por isso que fui para lá. Dei muita sorte, mas também acho que me coloquei no ambiente certo para o sucesso.

O seu pai te ensinou a tocar baixo. Ele ainda toca? A banda da qual ele faz parte ainda faz shows em Michigan?

Sim! Meu pai toca baixo (e guitarra) melhor que eu, e também canta! Eu tento ir a shows da banda dele sempre que estou em Michigan.

Você tem algum artista novo favorito? Alguém que você considera que ainda não atingiu o ápice, mas que com certeza é promissor?

Gabriel Garzón-Montano. Ele é brilhante.

Qual foi a última música que você ouviu?

"Suzie Thundertussy", da Junie Morrison - Toquei essa faixa na edição mais recente do meu programa Hawthorne Radio, que vai ao ar semana sim semana não, no iTunes ou no SoundCloud.

A última vez que você se apresentou no Brasil foi em 2013. Essa foi mesmo a última vez que você veio, ou você chegou a visitar o país em alguma outra ocasião?

Uau, o tempo voa quando a gente se diverte. Faz tempo demais. Mal posso esperar para voltar novamente ao país e beber suco de açaí.

Você conhece bastante música brasileira? Tem um artista favorito?

Para alguém que mal fala português, acho que conheço bem música brasileira! Gosto muito de Os Cariocas e Quarteto em Cy. Adoro harmonias, e as desses grupos são as melhores! Não posso esquecer de mencionar Marcos Valle!

O seu último álbum solo, Man About Town, completa dois anos em abril. Podemos esperar um lançamento em 2018?

Muitas músicas novas em breve!

Veja abaixo as datas das apresentações do cantor no Brasil.

19/01 - Cine Jóia, São Paulo, SP

20/01 - Pepsi Twist Land, Xangri-lá, RS

24/01 - Blue Note Rio, Rio de Janeiro, RJ

27/01 - Festival Planeta Brasil, Belo Horizonte, MG