Lula traiu a esquerda e entrou no mecanismo, diz José Padilha

Durante coletiva de imprensa, o diretor falou sobre a 2ª temporada de O Mecanismo e sobre o impacto da Lava Jato no Brasil

Redação Publicado em 07/05/2019, às 12h16

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José Padilha (Foto:Eric Charbonneau/AP)

O Mecanismo está de volta! A produção brasileira da Netflix dirigida por José Padilha (NarcosTropa de Elite) e baseada nos registros e relatos da Operação Lava Jato retorna para sua segunda temporada na próxima sexta, dia 10, na Netflix.

Em coletiva de imprensa realizada no Rio de Janeiro nesta terça, 7, o elenco e o diretor se reuniram para comentar sobre o que está por vir na investigação da série, e sobre a relevância do esquema de corrupção em uma época na qual ainda circula muito dinheiro sujo, mas o cenário político se mostra bem diferente.

Alvo de críticas por seu posicionamento em cima do muro em relação a questão abordada no programa, Padilha, que vestia um boné vermelho, voltou a afirmar que o ponto da série não é defender lados. "O mecanismo não tem ideologia. São todos eles. Para chegar na presidência do Brasil, é necessário entrar no mecanismo", disse o cineasta.

E completou: "Minha opinião de que o mecanismo é apartidário não mudou". "Eu sou antipetista, antipeemedebista e antipessedebista. Na minha opinião, o Lula traiu a esquerda. Ele claramente entrou no mecanismo", concluiu.

Nos novos episódios, o ex-policial federal Marco Ruffo, interpretado por Selton Mello, retoma, mesmo depois de ser afastado da operação, sua busca incessante, obsessiva e até doentia por expor e quebrar o esquema de corrupção do doleiro Roberto Ibrahim, vivido por Enrique Díaz. 

A atriz Caroline Abras, que interpreta a agente Verena Cardoni, também volta à ação. A personagem retorna para a nova temporada após passar por complicações de saúde que a levaram a ficar um tempo afastada da investigação. Cúmplice, confidente e aprendiz de Ruffo, ela auxilia o amigo e ex-colega de profissão com a convicção compartilhada de quem investiga um dos maiores casos de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil. E eles estavam totalmente certos.

"Ela sai desse lugar de fragilidade e dessa posição de aprendiz para virar uma mentora", analisou a atriz sobre a evolução da sua personagem, que cada vez mais pega para si a posição de protagonista.

Em mais oito capítulos, Padilha continua a contar a saga majoritariamente verídica desses heróis brasileiros de farda, que, por causa de uma sede insaciável por justiça, recorrem inclusive a práticas ilegais para obter informações e conseguirem progredir no caso, o que levanta aquela antiga questão: os fins justificam os meios?

Com uma narrativa calcada em fatos reais, O Mecanismo mastiga para um espectador supostamente leigo todo o desenrolar da Lava Jato, com um esquema de corrupção e personagens que poderiam ser considerados escrachados demais e até cômicos se não existissem de verdade.

E, antes do fim do evento, Padilha ainda fez questão de olhar para o momento atual e refletir sobre como essa investigação afetou e resultou no governo atual. Para ele, quem elegeu Jair Bolsonaro foi, ao mesmo tempo, o antipetismo e o próprio PT, por não saber lidar com uma oposição intensa como a que emergiu.

Assista o trailer da segunda temporada aqui: 


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