Em "estreia brasileira" de Kiko Loureiro, Megadeth brilha em show em São Paulo

Quarteto liderado por Dave Mustaine finalmente estreou no país com o guitarrista

Paulo Cavalcanti Publicado em 08/08/2016, às 14h39 - Atualizado às 18h32

Dystopia, o álbum que o Megadeth está promovendo agora, tem sido considerado um dos mais poderosos lançados pela banda nos últimos anos

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O Megadeth simplesmente brilhou no show que fez em São Paulo no último domingo, 8. A banda norte-americana de thrash metal, liderada por Dave Mustaine, já esteve no Brasil inúmeras vezes com formações diferentes e com propósitos diversos, algumas vez divulgando novos trabalhos e, em outras, apresentando na íntegra álbuns clássicos de décadas passadas. Mas poucas vezes houve tanta expectativa como nessa 14ª visita ao país, já que desta vez o guitarrista solo é o brasileiro Kiko Loureiro, ex-Angra. O grupo se apresentou no Espaço da Américas, que estava abarrotado. E a presença de Loureiro não era a única novidade que atraía os fãs: o quarteto também veio para apresentar as faixas do bem-recebido Dystopia, lançado no começo deste ano.

A apresentação na capital paulista estava marcada para 20h, mas Dave Mustaine (guitarra e vocal), David Ellefson (baixo), Kiko Loureiro (guitarra solo) e o belga Dirk Verbeuren (bateria, ex-Soilwork) entraram com 40 minutos de atraso ao som da impactante “Hangar 18”, do clássico Rust in Peace (1990). Por quase duas horas, a banda navegou por um repertório impressionante, que juntava momentos-chave dos mais de 30 anos de carreira do Megadeth.

Foi bastante interessante ver a interação entre Mustaine e Kiko Loureiro. Eles trocaram riffs com muita naturalidade e entrosamento e o brasileiro teve chance de apresentar plenamente todo seu conhecido virtuosismo. Loureiro estava bem à vontade tocando novamente em um palco do país onde nasceu, mas agora sob o ponto de vista de um músico “estrangeiro”. Enquanto Loureiro mostrava alguns de seus impressionantes solos, o público gritava "Kiko"! "Kiko!", como era de se esperar. Além de fãs do Megadeth, também havia no local muitos admiradores do Angra. Mas mesmo com tanta festa em torno dele, Loureiro se mostrou discreto, afinal, não queria roubar o show do "chefe" Mustaine. Este, por outro lado, estava cheio de simpatia e elogiou muitas vezes os fãs brasileiros. Percebia-se que ele estava sendo sincero. Além disso, a voz dele estava firme e Mustaine, como sempre, desfilou sua coleção de guitarras personalizadas baseadas no formato da clássica Flying V, seu modelo favorito.

Dystopia, o álbum que o Megadeth está promovendo agora, tem sido considerado pelos jornalistas especializados como um dos mais poderosos dentre os lançados pela banda nos últimos anos. O brasileiro gravou todo o álbum e mostrou sua expertise nos riffs que criou para o trabalho em faixas como “The Threat is Real”, “Poisonous Shadows”, “Post American World”, “Fatal Illusion” e "Conquer or Die!", além da canção que dá nome ao álbum.

Por melhor que tenham sido recebidas as faixas novas (e, realmente, elas foram), os fãs aguardavam mesmo os clássicos já consagrados. O Megadeth tem um catálogo consistente e, assim, Mustaine e seus músicos puderam pinçar um pouco do que há de mais relevante em cada década de história. Rust in Peace (1990), um dos maiores álbuns não só do Megadeth, mas também da história do de thrash metal, teve um peso grande no show. Do disco, foram apresentadas “Poison Was the Cure”, “Dawn Patrol” e "Tornado of Souls". Nesta última, Mustaine fez uma dedicatória ao recém-falecido Nick Menza, ex-baterista do Megadeth que tocou com a banda de 1989 a 1998, além de em 2004. A apresentação também teve algumas coisas mais antigas como “Rattlehead” (de Killing Is My Business... and Business Is Good, de 1985) e “In My Darkest Hour” (de So Far, So Good… So What!, de 1988), ambas executadas com um zelo punk. Também não faltaram a emblemática "A Tout Le Monde” (de Youthanasia, 1994) e as devastadoras "Sweating Bullets", “Symphony of Destruction” (ambas de Countdown to Extinction, 1992) e “Wake up Dead” (de Peace Sells... but Who's Buying?, de 1990).

Quando os acordes de “Peace Sells (de Peace Sells... but Who's Buying?, de 1986) foram iniciados, o fim estava anunciado e todos já esperavam a banda sair do palco, para voltar em seguida e tocar uma derradeira canção no bis. Isso de fato aconteceu, mas antes veio a surpresa: eles executaram uma furiosa versão de "Mechanix" (Killing Is My Business... and Business Is Good!), que não estava no roteiro da turnê. Foi um momento de alegria para o público, que preparou o espírito de todos para a catártica “Holy Wars... The Punishment Due” (Rust in Peace), esta sim, a última música do show. Antes de ir, Mustaine finalmente fez o esperado discurso elogiando a presença de Kiko na banda e dizendo que ele é agora um irmão e membro da família Megadeth. Os dois guitarristas se abraçaram calorosamente e o emocionado público também entrou no clima de "fofice" dos deuses do thrash metal.

Esse show em São Paulo foi o primeiro da turnê brasileira. A Dystopia Tour também terá datas neste mês de agosto em Belo Horizonte/MG (Expominas, 9), Brasília/DF (Net Live, 12), Fortaleza/CE (Siará Hall, 13), Porto Alegre/RS (Pepsi on Stage, 16) e Curitiba (Spazio Van, 18).