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As melhores covers da última década

Redação Publicado em 13/09/2013, às 16h28 - Atualizado às 16h30

Galeria – Melhores Covers – Capa – Gotye
Reprodução / Vídeo

2004: The Postal Service, “Against All Odds” (Phil Collins)

O Postal Service – dupla formada por Ben Gibbard, do Death Cab For Cutie, e Jimmy Tamborello, de Dntel – pegou essa balada de Phil Collins de 1983 e transformou-a em algo muito mais intimista. Normalmente, quando bandas indie fazem versões de hits que foram sucesso durante a infância dos integrantes, há certo grau de ironia embutido. Mas quando Gibbard canta com uma reverência real - mesmo de forma mais contida e falada, sem os efeitos que Collins costumava usar -, as gélidas batidas eletrônicas, adicionadas ao timbre tocante dele, parecem tornar a música novinha em folha.


2005: The White Stripes, "Walking With A Ghost" (Tegan & Sara)

Toda a carreira de Jack White tem sido um estudo pela história das raízes do rock e seria possível facilmente selecionar dez covers excelentes que ele fez ao longo dos anos – da versão de “John the Revelator”, com o White Stripes, até “I’m Shakin’”, da carreira solo, chegando a “Love Is Blindness”, do U2, criada para a trilha sonora do remake de O Grande Gatsby. Mas há algo especialmente cativante nesta versão de White para esta pérola pop pegajosa da dupla canadense de indie-pop Tegan & Tara. White raramente faz covers de músicas contemporâneas, e a versão do White Stripes é respeitosa e mutante, com guitarras sujas, as batidas constantes de Meg na bateria e o timbre despojado e inconfundível de Jack.


2006: Twilight Singers, "Crazy" (Gnarles Barkley)

“Crazy”, de Gnalrs Barkley, tornou-se um hit gigantesco quase instantaneamente. Inspirou covers de todos os lados – a lista passa por Nelly Furtado, Raconteurs, Paris Hilton e Cat Power. É uma música ideal para se mergulhar de cabeça: elegante, bem estruturada e divertida de cantar, com a eficiente união de hip hop, R&B e pop clássico. Greg Dulli, do Twilight Singers, é um cara do rock alternativo que fez algumas covers de R&B clássicos e contemporâneos com o Afghan Wings nos anos 90. Então, a versão dele ao piano não foi exatamente uma desconstrução inadequada de um hit pop. Dulli aperfeiçoou a desolação que apenas permeia a versão cantada brilhantemente por Cee-Lo Green, transformando esta ode aos esquisitos em um grito de amor direto do abismo.


2007: Franz Ferdinand, "All My Friends" (LCD Soundsystem)

Este épico dançante e tragicamente nostálgico do LCD Soundsystem é sem dúvidas um dos clássicos indie dos anos 2000. Os lados B das diferentes versões do single eram compostos de covers, o que já mostrava como a faixa havia se tornado um clássico desde o momento em que foi lançada. Os roqueiros escoceses do Franz Ferdinand, que já haviam conseguido um bom espaço nas pistas de dança e nas paradas, parecem ter nascido para fazer essa versão de “All My Friends”. Musicalmente, eles realizam o esperto truque de criar uma versão que reverencia bandas post-punk como New Order e Gang of Four – grupos que notoriamente influenciaram tanto o Franz Ferdinand quanto o LCD Soundsystem.


First Aid Kit, "Tiger Mountain Peasant Song" (Fleet Foxes)

A dupla de indie-folk da Suécia ganhou o mundo quando lançou uma versão cover de “Tiger Mountain Peasant Song”, do Fleet Foxes, publicada diretamente no YouTube. A versão original era um devaneio hippie soturno com ecos folk e o falseto do vocalista Robin Pecknold envolvido por doces violões. É até possível imaginar a banda compondo a canção em um vale medieval encoberto de névoa. Se você não imaginou a situação, o Fist Aid Kit o fez. E, quando reapareceram no YouTube tocando uma versão bela e crua de "Tiger Mountain" em uma floresta bucólica, o fator fofura foi quase arrasador.


2009: The Flaming Lips, "Borderline" (Madonna)

O Flaming Lips muitas vezes se destacou por fazer música psicodélica com toques de ternura pop. E eles também se sobressaíram pelo experimentalismo louco que costumam praticar. Esta cover do primeiro hit de Madonna na MTV tem um pouquinho de cada caso. O groove original da música é colocado de lado em um lento processo de reconstrução, no qual a melodia é transformada em algo distante enquanto Wayne Coyne canta as letras de maneira suave, como uma reza. Na metade do caminho, a versão explode em ruídos, uma bateria poderosa e guitarras viajantes e heróicas. Com o dobro de duração da música original, é uma terna homenagem que ficou a cara do Lips.


Lissie, "The Pursuit of Happiness" (Kid Cudi)

Elisabeth Maurus (também conhecida como Lissie) é uma promissora cantora e compositora de indie-folk, mas ela não é exatamente o tipo de pessoa que você esperaria que flertasse com o hip-hop. E é isso que torna essa versão dela da música de Kid Cudi tão impressionante. Lissie canta com agressividade embriagada e arrogância tão convincentes quanto adoravelmente improváveis. A banda dela acrescenta peso dramático, enquanto ela manuseia o rap com habilidade e solta frases como: “People tell me slow my roll/I'm screaming out fuck that!”.


2011: Karen O with Trent Reznor, "Immigrant Song" (Led Zeppelin)

Bandas que tentaram fazer covers muito fiéis do todo-poderoso Led Zeppelin normalmente falham feio. A versão de Trent Reznor e Karen O da clássica ode aos guerreiros vikings – que foi lançada na trilha sonora do filme Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres - é um rock industrial poderoso que rivaliza com o original e ainda acrescenta um toque extra de terror. Reznor cria uma base tempestuosa enquanto a cantora do Yeah Yeah Yeahs faz surgir um sol da meia-noite com uma voz que parece emular uma sacerdotisa guerreira. Ela mal soa humana na abertura, o que é adequado, já que a instrumentação eletrônica de Reznor também não soa como música.


2012: Gotye, "Somebodies: A Youtube Orchestra" (Gotye)

Em que mundo veríamos um artista fazendo um cover da própria música? O cantor australiano Gotye criou uma versão para o próprio hit dele, “Somebody That I Used To Know”, reunindo pacientemente diversas covers da música encontradas no YouTube. Músicos escondidos nos confins da internet revisitaram a canção por vários ângulos sonoros – com violões, xilofones, banjos e saxofones – derrubando a hierarquia tradicional entre a um músico famoso e os fãs. Na atual era digital, todo mundo é estrela.


2013: Darius Rucker, "Wagon Wheel" (Bob Dylan)

Por trás do atual hit country de Darius Rucker há uma rica história. “Wagon Wheel” começou como uma canção inacabada das sessões de criação de Bob Dylan para a trilha sonora do filme Pat Garrett & Billy the Kid (1973). Em 2004, o grupo de raiz Old Crow Medicine Show, de Nashville, gravou a canção e escreveu versos para substituir aqueles balbuciados por Dylan na versão original. Neste ano, Rucker, ex-vocalista do Hootie & the Blowfish, entrou para a lista de artistas que fizeram um cover desta canção, conseguindo chegar ao topo da parada Country norte-americana. A versão cheia de chiados de 40 anos atrás foi substituída por um balanço descontraído que é, ao mesmo tempo, atual e antigo, nostálgico e moderno. E prova que, nos dias de hoje, qualquer música pode ir parar em qualquer lugar.