MEN e Girls: indies de peso

JD Samson, do MEN, e a dupla Christopher Owens e JR White, do Girls, falaram à Rolling Stone Brasil sobre as expectativas de tocar no festival Popload Gig

Por Fernanda Catania Publicado em 09/06/2010, às 13h57

Ginger Brooks Takahashi, JD Samson e Michael O'Neill integram o MEN; nos detalhes, Johanna Fateman e Emily Roysdon, colaboradoras da banda

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Na terceira edição do Popload Gig, festival indie organizado pelo jornalista Lúcio Ribeiro, o público vai conferir ao vivo o MEN, que conta com JD Samson (também integrante do Le Tigre), e o Girls, dupla californiana que mistura pop e indie e é famosa por fazer vídeos extremamente inspirados (como a versão censurada do vídeo de "Lust for Life"). Antes de chegar ao Brasil para os shows na maratona indie, em São Paulo (10/6, Comitê), Porto Alegre (11/6, Beco) e Rio de Janeiro (12/6, Circo Voador), JD, Christopher Owens e JR White (os dois últimos do Girls) falaram ao site da Rolling Stone Brasil.

"Eu amei o Brasil!", foi a primeira frase da simpática JD Samson, que esteve no país em 2008, como DJ. "Achei muito bonito, me pareceu ser tudo tão livre. As pessoas eram felizes, o tempo estava incrível", completou. JD disse que se identificou muito com os brasileiros: "Vocês também seguem a ideia de que se divertir é muito importante, sabe? Sorrir, aproveitar a vida... Agora estou muito animada para fazer um show ao vivo, quero ver como é o público, conquistá-lo com meu novo projeto para, quem sabe, voltar no futuro."

No momento da entrevista, JD estava no estúdio com o MEN (completado por Michael O'Neill e Ginger Takahashi), em Nova York, mixando o novo álbum, que vai contar com 12 faixas e deve ser lançado no fim do ano nos EUA. A artista garantiu que eles vão tocar algumas músicas inéditas durante o Popload Gig. "Estamos muito ansiosos, porque escrevemos esse álbum há muito tempo. Queremos apresentar as músicas novas", disse. A líder do grupo também revelou que o MEN deve tocar alguns covers, como o da música "My Family", de Joan Armatrading. "A faixa original é muito lenta e simples. Nós a transformamos em uma música dançante de balada", completou. "Ah, e vamos usar umas roupas incríveis", disse, aos risos.

Quem espera ver Johanna Fateman - guitarrista do Le Tigre que criou o MEN em parceria com JD, e hoje atua como colaboradora do grupo - no palco do Popload Gig deve se decepcionar. Ela não poderá vir ao Brasil, pois está cuidando do filho recém-nascido.

CLIQUE AQUI para conferir a entrevista com JD Samson na íntegra, e saber mais sobre a relação dela com o feminismo e a parceria do Le Tigre com Christina Aguilera.

Dupla mau humor

Se mesmo durante a correria das gravações do novo disco do MEN JD Samson mostrou-se disposta e animada para esta entrevista, o mesmo não pode se dizer sobre os meninos do Girls, que conversaram com a Rolling Stone Brasil, por telefone, de um quarto de hotel na Cidade do México.

Christopher Owens e JR White, que nunca estiveram no país, não sabem o que esperar dos shows no Popload Gig. "Não sei", foi a resposta curta de White. Já Owens, o vocalista, disse que "o mistério de não saber como será a apresentação é o mais legal".

A dupla parecia cansada: enquanto um deles bocejava ao telefone, o outro respondia o mínimo possível. Durante o bate-papo, eles não entregaram muito de como vai ser o show. "Estamos preparando rock'n'roll. Guitarra, baixo, teclado... Eu vou cantar", disse, de maneira irônica, Owens. Depois, sério, ele respondeu que a dupla costuma decidir o setlist "cinco minutos antes" de subir ao palco, porque "não fazemos show, não somos animadores." Segundo o vocalista, boa parte do disco Album (2009), primeiro e único lançamento do Girls, é tocado ao vivo. "É um bom show, se você é fã da banda. Se você não é, tanto faz", completou, rindo.

Sobre seu gosto musical e as influências do Girls, Owens não gosta de ser categórico. "Agora estou vestindo uma camiseta do [cantor country] Dwight Yoakam, porque acho ele um cara incrível. Mas amanhã nós podemos estar ouvindo Mariah Carey e ela pode ser nossa artista preferida naquela semana", completou o frontman, confirmando depois que realmente gosta do som da cantora. Porém, quando questionado sobre com quais outros artistas pop eles gostariam de trabalhar, Owens respondeu "Justin Bieber" - desta vez, de brincadeira.

Estranho imaginar que, até os 16 anos, Chris Owens tenha sido membro da polêmica organização religiosa Children of God, junto a seus pais e irmãs (integrantes do grupo tiveram, desde o final dos anos 70, ligação com o rapto de crianças nos Estados Unidos). Discreto sobre o assunto, o cantor define a experiência como "estranha". "Tipo, você tinha um grupo e fazia coisas que pareciam normais para você, então, depois, você se dá conta de como tudo era muito estranho", completou. Mas essa fase não influenciou sua música: "É como se eu fosse outra pessoa. Minha música é influenciada por artistas que eu costumo ouvir. Já minhas composições são inspiradas no que eu vivo no momento", explicou.

Após esta turnê, o Girls vai finalizar o segundo disco, que deve ser lançado entre o fim deste ano e o começo de 2011. Eles não falaram sobre como será o material - e é difícil fazer previsões, já que é só ouvir o disco da dupla para perceber que não há uma sequência lógica e as músicas são bem diferentes umas das outras. Os próprios integrantes não conseguiram definir o estilo do som que produzem. "Não sei o que dizer. Se eu definir um estilo, vai estar errado para a música seguinte. Às vezes, parecemos ser uma banda completamente diferente", finalizou White, em uma das poucas vezes que falou durante a entrevista.