Metronomy volta ao Brasil entre crises da meia idade, mixtapes e leveza de não buscar o disco perfeito

"Qualquer chance que temos de voltar ao Brasil, nós sentimos que precisamos aceitar", diz Joseph Mount, vocalista e líder do grupo, que inicia nova turnê no País

Pedro Antunes Publicado em 07/12/2019, às 11h00

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Joseth Mount, líder do Metronomy

Joseph Mount, o líder, compositor e vocalista do Metronomy, leva alguns segundos para pensar em uma resposta à seguinte: "São seis discos lançados. No começo, existia um sentimento de atingir a perfeição, mas, esse tempo todo depois, isso ainda existe? Chegou ao disco perfeito?". Sim, eu sei, era uma pergunta cabeluda.

Aos 37 anos, Mount surgiu com o Metronomy em meados dos anos 2000. Com o hit "The Look", já de 2011, eles foram colocados juntos de uma turma da new rave inglesa, formada por bandas indies extremamente dançantes com apreço por beats, sintetizadores e vocais distantes. O Metronomy não era como Cansei de Ser Sexy (ou CSS, sucesso enorme no Reino Unido) e Klaxons.

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Além de uma estética menos eufórica, o Metronomy tinha no discurso de Mount um lugar de reflexão e introspecção, isso por si só já diferia a banda do resto da galera new rave. Ainda assim, as músicas funcionavam bem nas pistinhas - e isso é sempre bem-vindo.

Com Pip Paine (Pay the £5000 You Owe) (2006), Nights Out (2008), The English Riviera (2011)
Love Letters (2014), Summer 08 (2016) e o recente Metronomy Forever (2019), o Metronomy seguiu por uma trajetória de amadurecimento e, principalmente, consciência de quem são a partir das transformações vividas por Mount, produtor e criador de todas as músicas do grupo.


"Acho que", diz Mount, para responder à questão apresentada no início do texto, "a palavra em 'record' [disco, em inglês] ajuda a entender que se trata de uma obra documental. E, por isso, ele não precisa ser perfeito, desde que capture um momento. Sabe, o que temos é uma coleção de discos que documentam a sua vida. Não acho que nenhum dos álbuns [do Metronomy] é perfeito. Alguns parecem mais perfeitos com o passar do tempo."

É com Metronomy Forever (2019), o mais recente álbum da trupe, que o Metronomy volta ao Brasil. O grupo se prepara para a 5ª turnê no País, que se inicia neste sábado, 7, em São Paulo, na Audio. Depois, eles seguem para Curitiba (Ópera de Arame, dia 9), Rio de Janeiro (Sacadura 154, dia 11) e Porto Alegre (Opinião, dia 13). Todos os shows fazem parte da plataforma Popload Gig, um braço do Popload, que também organiza o Popload Festival.

"Acho que alguns países as pessoas reagem bem à música, não sei direito como isso acontece", diz Mount. "Os fãs brasileiros gostam da gente. Somos uma banda inglesa e viajamos para esses lugares incríveis. E ter pessoas que gostam da nossa música, isso é especial. Qualquer chance que temos de ir, sempre queremos aceitar."

O grupo voltou à ativa depois de um ano de 2018 quase sabático, com pouquíssimos shows. Há dois anos, Mount deixou Paris, onde morava, e se mudou para Kent, nas proximidades de Londres, na Inglaterra. "É interessante me sentir conectado. Acho que estou gostando mais da vida", ele diz, sobre a vida longe de alguma metrópole. "Você deveria experimentar também."

Neste período sem Metronomy, Mount se desenvolveu como produtor. Ele trabalhou com a cantora Robyn e fez remixes com U2, Gorillaz e Lady Gaga. Voltar a compor para o grupo foi uma experiência e tanto.

Por conta disso, Metronomy Forever, o disco, tem 17 faixas. Mount não quis cortar nada para se enquadrar no que o mercado fonográfico dita atualmente (discos com no máximo 11 músicas e 30 minutos de duração). "No começo, eram só 10 canções, mas não parecia genuíno", ele explica.

"É um momento interessante de se fazer discos. Existem duas gerações de fãs de música, aqueles que gostam de discos e aqueles que vivem a era do streaming. E isso mudou tudo. Eu gostaria de fazer um disco que funcionasse para esses dois tipos, para os tradicionais e para falar com os novos fãs de música."


Metronomy Forever
é um um disco que trata desse homem na beira dos 40 anos, questionando-se do que há ali, ainda sentindo as solas dos pés doloridas e machucadas pela caminhada até agora.

Não é por acaso que duas músicas do disco falam de insegurança, "Insecurity" e "Insecure", porque esses são fantasmas que não abandonaram Mount ainda, mesmo na ida para o interior da Inglaterra.

Também existe a divertida "Sex Emoji", que retrata a tentativa desse homem em entender o comportamento dos amores modernos e transas líquidas. Metronomy Forever chega ao fim com a melancólica "Our Mixtape", a história de quem fez uma mixtape para alguém por quem nutria sentimentos afetivos, e foi ignorado.

No mesmo disco, mixtape e emojis safadinhos mostram um não-lugar temporal de quem se aproxima dos 40 anos. "Acho que, pela primeira vez, me sinto um músico adulto", brinca Mount.

POPLOAD GIG com METRONOMY
Data: Sábado, dia7 de dezembro de 2019, às 21h30
Local: Audio – Av. Francisco Matarazzo,
Ingressos: R$ 110 a R$ 380.