"Meus dias de cantor passaram", diz Chuck Berry

Homenageado do Hall da Fama do Rock lamenta seus problemas de saúde e elogia Barack Obama

PATRICK DOYLE Publicado em 29/10/2012, às 11h35 - Atualizado às 13h24

Nº 5 - Chuck Berry: texto escrito por Joe Perry, do Aerosmith
AP

Chuck Berry fez algo raro: concedeu uma entrevista. Visitando Cleveland para aceitar o prêmio American Music Masters do Hall da Fama do Rock, o músico de 86 anos se encontrou com os jornalistas no escritório do museu antes de conhecer a exibição que celebra a sua vida.

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Sentado ao centro de uma mesa de conferência entre seu amigo Joe Edwards e seu filho Charles Berry Jr., vestindo um chapéu de capitão e uma jaqueta do Hall da Fama do Rock, Berry se mostrou humilde, revelador e divertido. “Deixe-me fazer uma declaração”, ele disse, no início. “O fato de eu ter ficado 48 anos na frente da bateria tem tido um efeito nos últimos quatro meses, que é um soluço toda a vez que eu falo a verdade”. E a sala explodiu em risos.

Em dado momento, a Rolling Stone EUA perguntou a Berry o quanto o país evoluiu desde que ele começou a tocar em lugares segregados no sul do país. Berry refletiu por um momento. “Eu nunca pensei que um homem com aquelas qualidades, características e tudo o que ele tem, [poderia] ser nosso presidente”, disse ele. “Meu pai dizia: ‘Talvez você não viva para ver esse dia’, e eu acreditei. Graças a deus eu vivi”. Berry parou por alguns segundos enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. “Desculpem-me”, ele disse.

O momento mais emocionante foi quando ele discutiu seu próprio futuro. Explicando que não ouve bem, o ícone do rock se virou para o amigo Edwards. “Se você não se incomodar, Joe, pode explicar [as perguntas] para mim porque estou ouvindo muito pouco. Estou pensando no que vai ser o meu futuro”, ele disse, levantando o dedo. “Isso é uma novidade!”

Os jornalistas pediram que Berry explicasse mais. “Bom, eu vou dar a vocês um pouco de poesia”, ele disse. “Dar uma canção? Eu não posso fazer isso. Meus dias de cantor passaram. Minha voz se foi. Minha garganta está gasta. E meus pulmões se vão rápido demais. Acho que explica tudo.”

O jornalista do St. Louis Post Kevin C. Johnson argumentou que as pessoas ainda pagam para ver Berry mensalmente no St. Louis’ Blueberry Hill. “Deixe-me lhe dizer o que é isso”, disse Berry. “Eles têm um ótimo momento de lembranças. E eu espero que eu continue melhorando a memória deles, porque ela parece muito fraca, como eu disse, entendeu?”