Mia Khalifa: entenda como a carreira de 3 meses na indústria pornô afetou a atriz e a petição para a retirada dos vídeos do ar

Influenciadora digital deseja “renovar” a imagem na mídia; entenda a trajetória

Larissa Catharine Oliveira Publicado em 24/07/2020, às 07h00

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Mia Khalifa (Foto: Foto:Instagram)

Mia Khalifa tinha 21 anos quando se tornou um dos nomes mais conhecidos e buscados na indústria pornográfica. A carreira no ramo durou apenas alguns meses, mas os vídeos renderam milhões de fãs e até ameaças de morte. Anos depois de abandonar a pornografia, Mia tenta reconstruir a imagem diante do mundo e luta para conseguir direitos sobre a própria imagem. 

O vídeo pornô mais popular - e polêmico - da breve carreira da atriz a mostra com um hijab, o véu usado pelas mulheres muçulmanas para cobrir a cabeça. Mesmo após a mudança de carreira, Mia sofreu ameaças de morte do grupo extremista do Estado Islâmico e uma onda de ódio nas redes sociais. 

Fora da indústria há cinco anos, o nome de Mia segue entre os mais pesquisados em sites pornográficos e gera lucro, mas sem nenhuma participação da protagonista das cenas. 

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Período na indústria

Nascida no Líbano em uma família cristã, Mia tinha acabado de se formar na faculdade de História, na Universidade do Texas em El Paso, quando foi abordada por um cliente na rede de fast food onde trabalhava. O convite inicial era para ser modelo e a baixa autoestima influenciou na decisão de aceitar a proposta, como Mia relatou em entrevista ao programa HardTalk, da BBC, em 2019. 

“Lutei toda a minha infância contra o excesso de peso e nunca me senti atraente ou digna de atenção masculina”, explicou na entrevista. Ao se formar na faculdade, Mia tinha perdido quase 23 quilos e passou por uma cirurgia plástica para “recuperar” os seios. “Quando fiz isso, comecei a chamar muita atenção dos homens e nunca me acostumei com isso. Depois de conquistar essa aprovação e os elogios, não queria mais perder isso”. 

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A jovem permaneceu apenas três meses na indústria pornográfica, e gravou um total de 11 vídeos. Apesar de continuar como uma das mulheres mais pesquisadas no site Pornhub, e gerar lucros aos sites pornográficos e a produtora Bang Bros, com a qual assinou contrato, Mia ganhou apenas 12 mil dólares na época, e não possui nenhum direito a royalties ou participação nos lucros. 

Nova carreira

Apesar de ainda ser conhecida pelo passado no pornô, Mia Khalifa se tornou comentarista de um programa de esportes e cria conteúdo em diversas redes sociais, como Twitch, Youtube e TikTok. No Twitter, a influenciadora listou outras atividades nas quais permaneceu mais tempo que na pornografia, como o desenvolvimento de aplicativos e ativismo contra a indústria. 

Mudança de narrativa

Quando Mia começou a dar entrevistas sobre o período na pornografia, em 2019, retornou aos assuntos mais comentados por revelar um lado nada glamouroso da indústria. Além do cachê insignificante diante do lucro que gerou - e continua a gerar - para a empresa com a qual trabalhou, 

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Um domínio com o nome de Mia ainda é usado pela produtora Bang Bros, e uma petição online foi criada para reclamar o controle da imagem da atual comentarista esportiva. “Quando eu disse a eles que pagaria para comprar meu domínio, a oferta deles foi ‘Que tal você fazer mais pornô e a gente dividir parte do rendimento?'”, contou Mia em entrevista à Hero Magazine.

"Preferia a remoção dos vídeos do que ganhar um centavo dessa fortuna. Me ofereceram milhões para retornar e fazer outro vídeo, me senti violada novamente pela audácia de pensarem que meu corpo tinha um preço certo", desabafou no Twitter. 

“Justiça para Mia Khalifa”

Com milhões de seguidores nas redes sociais, Mia faz diversas postagens sobre os perigos da indústria pornográfica e desencoraja jovens mulheres a entrar no ramo. “Por favor, por favor, por favor, pense nisso se está considerando a indústria do sexo. Tornam impossível retificar arrependimentos caso os tenha no futuro”, escreveu em uma postagem. 

O perfil do TikTok é usado como forma de “renovar” a própria imagem, segundo a descrição do perfil, e possui grande apoio. “Aquele ataque dissociativo de hora em hora por lembrar que a única impressão que centenas de milhares de pessoas têm de você é baseada unicamente nos três meses mais baixos, tóxicos e atípicos da sua vida”, escreveu em um vídeo no qual aparece apática. 

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A hashtag #JusticeForMiaKhalifa se tornou viral no aplicativo e gerou o engajamento necessário para a petição online. Mais de 1,8 milhões de pessoas assinaram o abaixo-assinado em um mês no ar. Até mesmo fãs de k-pop se engajaram na causa após Mia compartilhar a paixão pelo grupo GOT7. 

“Essas grandes empresas do entretenimento adulto não estão dando chance para Mia retirar esse conteúdo do ar porque têm vantagem financeira (...). !ueremos que os vídeos de Mia sejam removidos e que ela possa resolver tudo na Justiça sem ficar em ruína financeira. Ela deixou bem claro que se arrependeu do período em que trabalhou com atriz pornô", diz o texto.

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Posicionamento da Bang Bros

A Bang Bros, produtora de pornografia que detém os direitos dos vídeos de Mia, se pronunciou sobre os relatos da ex-atriz com o lançamento de um site chamado “Fatos ao invés de ficção”. As acusações de Mia, classificadas como “golpe publicitário”, são respondidas individualmente.

De acordo com a produtora, por exemplo, Mia recebeu US$ 178 mil e trabalhou por outras empresas do ramo antes de assinar com a Bang Bros, que possui o direito exclusivo ao nome artístico “Mia Khalifa” e todo o conteúdo produzido. Segundo uma lista publicada nesse site, Mia atuou em quase 30 vídeos pornográficos. 

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Polêmica

A influenciadora possui uma assinatura "only fans" com pacotes de ensaios sensuais - e não pornográficos - e fotos exclusivas, e isso gerou controvérsia entre os apoiadores. Questionada nas redes sociais sobre o conteúdo, Mia rebateu o seguidor. "Você está insinuando que mereço misoginia e ameaças sexuais pela audácia de mostrar meus mamilos cobertos em um ensaio fotográfico de Natal?", escreveu. 


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