"Michael Jackson não tinha tanto talento", diz Quincy Jones

Produtor de Thriller afirma que cantor "era grande", mas não o suficiente para entrar na categoria de bambas como Ray Charles, Frank Sinatra e Louis Armstrong

Da redação Publicado em 14/09/2009, às 15h00

O produtor musical Quincy Jones desmereceu Michael Jackson, com quem trabalhou no álbum recordista Thriller, ao jornal espanhol El Pais.

A certo momento da entrevista, questionou-se a existência de competição entre os ex-parceiros musicais. "Essa é boa! Claro que não. Trabalhei com Louis Armstrong, Frank Sinatra, Nat King Cole, Billie Holiday, Aretha Franklin e, sobretudo, Ray Charles. Acha que sentiria ciúmes de Michael Jackson?", indagou Jones. "Michael não tinha tanto talento. Era grande, mas não entrava na lista que acabo de citar. Tenho sete filhos e participei de 40 filmes. Não tenho tempo para perder com essas bobagens."

Mas não é o caso de sair acusando Jones de cuspir no prato em que comeu. O produtor lançou resposta categórica ao ser criticado por abandonar o jazz para lapidar o pop de Jackson. "Se [as pessoas] não conseguiam ver em 'Baby of Mine' [faixa do rei do pop] a complexidade de 'Giant Steps', de John Coltrane, elas é que não tinham entendido nada."

Com quase 60 anos de labuta na seara artística (a estreia foi em 1951, como trompetista de jazz), Jones acumula 27 Grammy, um Oscar e título de doutor honoris em diversas universidades. Sua parceria com Jackson rendeu, além de Thriller (1982), os discos Off the Wall (1979) e Bad (1987), na trilogia mais bem-sucedida da carreira do músico morto em 25 de junho, aos 50 anos.

Jones, que dirige pela primeira vez um programa de televisão, recordou a última vez em que esteve com Jackson. "Lembro que estava em Londres quando todas as entradas [para os 50 shows na Arena O2] foram vendidas em duas horas. Ele me chamou; estava emocionado, fora de si. Me disse: 'Vou fazer isso pelas crianças'. Foi a última vez em que nos falamos."

Há quem diga que ao ápice na trajetória de Jackson, com Jones, seguiu-se queda vertiginosa. Questionado a respeito, o produtor foi parcimonioso: o mérito é dos dois. "Juntos, conseguimos. Nada como isso foi feito antes e ninguém conseguiu fazê-lo depois. Quem mais se importa?"

Jones pediu para tirarem seu nome da lista de qualquer tributo ao músico. Inclusive a série de espetáculos organizada por Jermaine Jackson, irmão de Michael - inicialmente marcados para setembro, em Viena, os shows acabaram transferidos para junho, em Londres, após debandada de Chris Brown, Natalie Cole e Mary J. Blige. "Não contem comigo. O passado não é para mim. No fundo do coração, sou um músico de jazz. E músicos de jazz não se repetem."

Clique aqui para conferir a entrevista na íntegra.