MIMO tem show "particular" de Arnaldo Baptista

Teatro de Santa Isabel, em Recife, recebeu o ex-mutante com público antenado no terceiro dia da maratona musical

Antônio do Amaral Rocha, de Recife Publicado em 08/09/2012, às 20h18 - Atualizado às 20h46

Arnaldo Baptista foi uma das atrações da MIMO em Recife
Fabio Heizenreder/Divulgação

Em um clima de total veneração a uma figura mítica, o público recifense lotou o teatro de Santa Isabel, neste feriado do dia 7, para ver o show de Arnaldo Baptista, de nome Sarau o Benedito?, que começou pontualmente às 18h30 e durou exatos 60 minutos. O palco coberto de flores tinha só um piano de cauda como instrumento e um telão que projetava desenhos do próprio Arnaldo, que também se aventura como artista plástico. O público, que rodeava o teatro desde as 13h para conseguir o ingresso gratuito era composto de fãs da obra dos Mutantes e dos discos que Arnaldo gravou como artista solo.

Arnaldo começou tocando “Te Amo Podes Crer”, emendou com "Cê Tá Pensando que Eu Sou Loki?” e seguiu com "Balada do Louco", "Rocket Man" e "Down By the Riverside", em um set list de vinte canções, e no bis, depois de dois avisos da produção que o tempo já tinha acabado, fez um pedaço de "Blowin' In The Wind". Todas estas canções foram interpretadas de forma extremamente particular, como se Arnaldo estivesse tocando para si mesmo (nem todas eles ele tocou inteiramente). Ele só parecia se conectar ao público do pomposo Teatro de Santa Isabel quando era aplaudido. Talvez não fosse isso que as 700 pessoas que estavam no local, com a sua lotação máxima, esperavam, mas as opiniões colhidas na saída eram um misto de alegria e satisfação por terem conseguido assistir ao show de um mito da psicodelia brasileira.

Logo depois, em Olinda, na Igreja da Sé, às 20h, o Duo Assad, dos irmãos Sérgio Assad e Odair Assad, mostrou a excelência do violão brasileiro, em um programa que incluiu clássicos de Ernesto Nazareth, João Pernambuco, Radamés Gnatalli, Villa-Lobos, uma suíte do guitarrista e maestro cubano L. Brouwer e outra de Astor Piazzolla. O ponto alto do show foi a execução da já clássica “Palhaço”, de Egberto Gismonti. Este show foi assistido com a maior atenção por outros músicos que já haviam tocado na MIMO, entre eles o volonista Romero Lubambo , o percussionista Cyro Baptista e o baixista Richard Bona.

A atrações da Mimo se encerram neste domingo, dia 9.