Ministro da Casa Civil se vacinou ‘escondido’ para ‘não criar caso’

Em reunião na terça, 27, general Luiz Eduardo Ramos também disse que tenta convencer Jair Bolsonaro a se imunizar

Redação Publicado em 28/04/2021, às 13h57

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Jair Bolsonaro ao lado de Luiz Eduardo Ramos, ministro da Casa Civil (Foto: Reprodução/Twitter)

Luiz Eduardo Ramos, ministro da Casa Civil, afirmou na terça, 27, que se vacinou “escondido” contra a Covid-19 para "não criar caso". Segundo informações do Estadão, Ramos explicou, durante reunião do Conselho de Saúde Suplementar (Consu), que tenta convencer Jair Bolsonaro (sem partido) a se imunizar. 

Sem saber que estava sendo gravado, Ramos falou que a vida de Bolsonaro está em risco: “Estou envolvido pessoalmente, tentando convencer o nosso presidente [a tomar a vacina], independente de todos os posicionamentos. Nós não podemos perder o presidente para um vírus desse. A vida dele, no momento, corre risco. Ele tem 65 anos”, observou o general.

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O ministro errou a idade do presidente, que completou 66 anos em março de 2021 e teria o direito de ser imunizado no Distrito Federal desde o dia 3 de abril. Contudo, Bolsonaro afirma que receberá a vacina apenas “depois que o último brasileiro” for vacinado. Ramos, de 64 anos, ainda relembrou o momento no qual recebeu a primeira dose da AstraZeneca, no dia 18 de abril:

“Tomei escondido, né, porque era a orientação, mas vazou (...). Não tenho vergonha, não. Vou ser sincero: eu, como qualquer ser humano, quero viver. Tenho dois netos maravilhosos, uma mulher linda. Tenho sonhos ainda. Quero viver, porra! Se a ciência, a medicina, está dizendo que é vacina, quem sou eu para me contrapor?”, completou.

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Além do ministro da Casa Civil, estavam na reunião os ministros Paulo Guedes (Economia), Marcelo Queiroga (Saúde) e Anderson Torres (Justiça), além de representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Nenhum sabia que a conversa estava sendo transmitida ao vivo.

Além de demonstrar preocupação pela vida de Jair Bolsonaro, Ramos se referiu à pandemia como “uma praga” que está “ceifando vidas.” Segundo informações do Estadão, o ministro afirmou que a doença não tem partido: “Ataca todos nós.”

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“Vírus chinês”

Na mesma reunião na terça, 27, Paulo Guedes disse: “O chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então os caras falam: ‘Qual é o vírus? É esse? Tá bom, decodifica.’ Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras.” 

O ministro da Economia ainda afirmou não haver capacidade de o SUS prestar atendimento à população a longo prazo - e sugeriu a entrega de vales para serviços na rede particular de saúde: “Você é pobre? Você está doente? Está aqui seu voucher. Vai no Einstein [Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo], se você quiser.”

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Após a reunião, o ministro da economia disse que usou "imagem infeliz" ao associar a criação da Covid-19 aos chineses, e falou: “Nós somos muito gratos à China por ter nos enviado a vacina. Tomei a Coronavac”, disse. 

Em rede social, Yang Wanming, embaixador da China no Brasil, publicou dados sobre compra de vacinas chinesas pelo governo de Bolsonaro: “Até o momento, a China é o principal fornecedor das vacinas e insumos ao Brasil, que respondem por 95% do total recebido pelo Brasil e são suficientes para cobrir 60% dos grupos prioritários na fase emergencial. A Coronavac representa 84% das vacinas aplicadas no Brasil”. 

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