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Mítico, Alan Moore dizia odiar os super-heróis, mas Watchmen já indicava isso [ANÁLISE]

Para ele, não faz sentido criar histórias para adultos usando personagens feitos para crianças

Redação Publicado em 18/07/2019, às 15h31

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Watchamen (Foto: Reprodução / DC)

Alan Moore, mítico roteirista de histórias em quadrinhos, afirmou em entrevista ao britânico The Guardian que não lê nenhuma HQ sobre super-heróis desde que terminou uma de suas mais famosas obras, Watchmen, lançado originalmente em 1987. “Odeio super-heróis”, cravou Moore.

“[Heróis] são abominações. Já não significam aquilo que costumavam significar. Foram criados por roteiristas que gostariam de expandir a imaginação de um público de 9 a 13 anos. Era para isso que serviam e eles estavam funcionando muito bem. Hoje, uma revista de super-herói tem um público, geralmente masculino, que vai de 30, 40, 50 a 60 anos. Então alguém inventou o termo graphic novel. Estes leitores se apoiaram nisso com o simples interesse em validar o fato de eles continuarem amando o Lanterna Verde ou o Homem-Aranha, sem parecer que são emocionalmente anormais", disse em 2013 ao divulgar 

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“Não acho que o super-herói não traz nada de bom”, argumentou, explicando seu ponto. “Acho que é um sinal alarmante vermos um público adulto assistindo ao filme Os Vingadorese se deliciando com conceitos e personagens criados para entreter garotos de 12 anos na década de 50.”

Nada do que foi dito, contudo, parece ter mais peso do que a própria HQ Watchmen, criada em parceria com o ilustrador Dave Gibbons. Ainda que o álbum tenha revolucionado a indústria dos quadrinhos em várias formas, na linguagem e estética, ele era uma verdadeira declaração de desgosto com relação aos heróis mascarados, com roupas coladas e capas esvoaçantes.

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O desajustado e ultrarrealista grupo Watchmen representava todo o oposto do conceito dos heróis criados muitas décadas antes. A história é contada pelo psicopata de (razoavelmente) bom coração Rorschach, um detetive mascarado com apreço à violência quando o assunto é pegar caras maus. Cada personagem possui uma profundidade incomum e defeitos aflorados. Todos, sem exceção, são tão humanizados e frágeis que não mereceriam levar a alcunha de “super” ou de “herói”.

Alan Moore subverteu o conceito todo de personagens heroicos, talvez não por ódio, mas o mais inacreditável é que, mesmo dizendo detestar os encapuzados, ele revolucionou a indústria dos heróis como poucos conseguiram fazer.

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O quadrinista, responsável também por V de Vingança e A Piada Mortal (Batman), anunciou o fim de sua carreira. A medida foi pré-meditada: o escritor de 65 anos queria que a A Liga Extraordinária Vol. 4, lançada nesta quinta, 18, fosse sua última publicação.

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