Morre a "Mama África"

Cantora Miriam Makeba faleceu em show anti-máfia na Itália, nesta segunda, aos 76 anos. Nelson Mandela presta homenagem

Da redação Publicado em 10/11/2008, às 12h09

Faleceu na madrugada desta segunda-feira, 10, a cantora Miriam Makeba, conhecida em todo o mundo como "Mama África". Aos 76 anos, a sul-africana fazia um show na Sicília, Itália, em defesa do escritor Roberto Saviano (Gomorra), ameaçado de morte pela máfia napolitana, quando teve uma parada cardíaca.

Depois de cantar por meia hora, Miriam se sentiu mal. Segundo um fotógrafo da agência AP, a africana era a última artista da escalação do evento e, no momento do bis, alguém saiu perguntando se havia um médico na platéia, pois a cantora estava desmaiada. Miriam foi levada a uma clínica perto do local, mas não resistiu.

Havia mais de mil pessoas no concerto anti-máfia, segundo a agência de notícias Reuters. O evento foi organizado após o assassinato não esclarecido de seis imigrantes africanos e um italiano na região, no mês de setembro.

Miriam Makeba nasceu em 4 de março de 1932, em Johannesburgo, e começou a cantar nos anos 50 com o grupo Manhattan Brothers. Em 1956, compôs "Pata, Pata", canção que seria seu maior sucesso. Aos 27 anos, Miriam deixou a África do Sul, quando os nacionalistas africaners tomaram o poder. Pelo compromisso com a luta contra o apartheid, a cantora foi proibida de entrar no país e ficou exilada por 31 anos.

Miriam foi casada com o líder dos Panteras Negras Stokely Carmichael entre 1969 e 1973, união que lhe rendeu a expulsão dos EUA e a migração para Guiné. Após a morte de sua única filha, em 1985, a cantora voltou a viver na Europa, mas, em 1990, Nelson Mandela (recém-libertado e futuro presidente da África do Sul) a convenceu a voltar ao país.

Em comunicado oficial divulgado nesta segunda, o ex-presidente sul-africano homenageou a cantora: "Miriam foi a primeira-dama da canção da África do Sul e ganhou, merecidamente, o título de Mama África. Foi a mãe de nossa luta e de nossa jovem nação".