Morre André Midani, lendário produtor que apostou na bossa nova e ajudou o rock brasileiro dos anos 1980

Midani tinha estava internado devido a um câncer na Casa de Saúde São Vicente no Rio de Janeiro

Redação Publicado em 14/06/2019, às 10h17

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O produtor André Midani (Foto: Reprodução / Facebook)

André Midani morreu na noite desta quinta, 13, aos 86 anos. A informação foi confirmada por seu filho, Phelippe.

O produtor e músico estava internado na Casa de Saúde São Vicente na Zona Sul do Rio. Ele havia sido diagnosticado com câncer quatro meses atrás.

De origem Síria, mas radicado na França, Midani chegou ao Brasil em 1955 e foi figura decisiva para a música popular brasileira. Ao longo de sua carreira esteve à frente de grandes gravadoras, como a Philips, e trabalhou com Elis Regina, Tom Jobim, Gilberto Gil, Belchior, Hermeto Pascoal, Paulinho da Viola, Ney Matogrosso.

O produtor foi peça fundamental para a difusão da bossa-nova no país. Além disso, na década de 1980, apostou no rock brasileiro como Lulu Santos, Titãs e Kid Abelha.

Em 2015, Midani estrelou uma série do canal GNT chamada André Midani – do vinil ao download, na qual mostrava encontros descontraídos com artistas com os quais trabalhou para relembrar histórias sobre a bossa nova e o novo rock brasileiro dos anos 1980. 

“Foram nove jantares ou almoços e não tinha uma pauta fixa. Essa ideia foi maravilhosa, tanto do Andrucha como da Mini [Andrucha Waddington e Mini Kerti, diretores da série] e sou extremamente grato a eles, que souberam criar junto com os artistas e comigo um ambiente muito relaxado, tinha vinho, tinha cachaça, uísque e pudemos revisitar determinados momentos do nosso convívio, como a época da bossa nova”, conta à Rolling Stone Brasil em 2015.

"De alguns anos para cá, por circunstâncias da internet entrando na vida musical, a música foi a primeira arte que sofreu o assalto da internet por um lado e da pirataria física pelo outro", ele avaliava. 

Midani ainda brincava com o título da série, que começava no vinil e terminava no download. “Ficou obsoleto, deveria ser do vinil ao streaming. Mas o nome é por conta dos anos em que trabalhei. Parei em 2002 e, na época, era o download”, disse.