Morre Antonio Candido, crítico literário e sociólogo, aos 98 anos

Ele foi autor de Formação da Literatura Brasileira, de 1959, sobre os momentos decisivos do sistema literário nacional

Redação Publicado em 12/05/2017, às 11h42 - Atualizado às 13h34

Antonio Candido
Marcos Santos/USP/Divulgação

Morreu na madrugada desta sexta, 13, o crítico literário e sociólogo Antonio Candido, conforme foi informado pela Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, na qual ele era professor emérito e na qual deu aulas no curso de Letras. Ele tinha 98 anos e estava em São Paulo.

Ainda de acordo com a FFLCH, o velório será nesta sexta, 13, no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, às 17h. Candido deixa as filhas Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza, ambas professoras de História na USP.

Antonio Candido de Mello e Souza foi um dos grandes nomes da crítica literária no Brasil. Ele nasceu no dia 24 de julho de 1918, no Rio de Janeiro. Filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mellon e Souza, ele não estudou em escolas na infância, sendo educado em casa pela mãe. Ainda na juventude, ele se mudou para Poços de Caldas, Minas Gerais, e depois para São João da Boa Vista, em São Paulo. Também chegou a morar na França entre os 10 e 12 anos de idade.

Em 1937, Candido entrou para a Universidade de São Paulo (USP) para cursar Direito e Ciências Sociais. Quatro anos mais tarde, ele obteve o diploma em Ciências Sociais. A carreira como crítico literário teve início nos anos 1940, quando Candido escreveu para jornais como Folha da Manhã, Diário de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.

Ele se tornou livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em ciências em 1954. Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978.

A obra de maior relevância de Antonio Candido é Formação da Literatura Brasileira, de 1959, sobre os momentos decisivos do sistema literário nacional. Nos estudos sociológicos, ele escreveu Os Parceiros do Rio Bonito, de 1964. Em 1980, ao lado de intelectuais como Sérgio Buarque de Holanda, participou da criação do Partido dos Trabalhadores (PT).

Candido recebeu uma série de prêmios por suas contribuições aos estudos literários e sociológicos no Brasil. Em 1998, recebeu o Prêmio Camões, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, em Lisboa. Em 2005, ganhou o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México.

Ele também recebeu quatro vezes o Prêmio Jabuti, considerado o mais importante do Brasil: por Formação da Literatura Brasileira em 1960, Os parceiros do Rio Bonito em 1965, Brigada Ligeira e Outros Escritos em 1993, além da estatueta de Personalidade do Ano em 1966.

Antonio Candido também foi professor-emérito da USP e da UNESP e doutor honoris causa da Unicamp, de Campinas (SP), além de professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.