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Morre aos 82 anos Pelé, o maior ídolo do futebol brasileiro

Pelé estava internado há um mês para tratamentos paliativos de um câncer no cólon e faleceu nesta quinta-feira, aos 82 anos

Redação Publicado em 29/12/2022, às 16h10 - Atualizado às 16h45

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Pelé em Nova York, em abril de 2014 (Foto: AP Photo/Mark Lennihan)
Pelé em Nova York, em abril de 2014 (Foto: AP Photo/Mark Lennihan)

Morreu nesta quinta-feira, 29 de dezembro, o ex-jogador de futebol e ídolo do esporte mundial Pelé. A notícia foi confirmada pelo portal g1.

A família ainda não divulgou detalhes sobre o velório, mas uma estrutura foi montada na Vila Belmiro, em Santos, nos últimos dias para receber a vigília e o sepultamento. O Atleta do Século estava internado desde 29 de novembro no hospital Albert Einstein, em São Paulo. 

O Hospital Israelita Albert Einstein confirma com pesar o falecimento de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, no dia de hoje, 29 de dezembro de 2022, às 15h27, em decorrência da falência de múltiplos órgãos, resultado da progressão do câncer de cólon associado à sua condição clínica prévia. O Hospital Israelita Albert Einstein se solidariza com a família e todos que sofrem com a perda do nosso querido Rei do Futebol.

Segundo boletim médico divulgado na última quarta, 21, Pelé apresentou piora no quadro e deveria passar Natal no hospital da capital paulista. O câncer de cólon, tratado desde 2021, avançou, causando preocupações sobre rins e coração.  

+++ LEIA MAIS: Pelé é internado em São Paulo com insuficiência cardíaca e inchaço

Boletim anterior divulgado em 12 de dezembro apontava melhora de infecção respiratória contraída pelo ex-jogador. Ele estava internado desde 29 de novembro para “reavaliação da terapia quimioterápica para tumor de cólon.” 

Após não responder ao tratamento, equipe médica optou por seguir com medidas paliativas, cuidando apenas dos sintomas, para oferecer conforto e alívio da dor.

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Carreira

Edson Arantes do Nascimento, conhecido mundialmente como Pelé, nasceu em Três Corações, Minas Gerais, no dia 23 de outubro de 1940. Considerado o maior futebolista da história, o atacante marcou alguns dos gols mais memoráveis do futebol e é umas das principais associações feitas ao Brasil no resto do mundo.

O jovem Edson começou a carreira profissional no esporte aos 16 anos, no Santos, clube em que se consagrou e do qual é um símbolo. Com ele no elenco, vestindo a camisa 10, o Peixe atingiu seu auge no início da década de 1960, tendo conquistado a Libertadores da América, o Mundial de Clubes e a Taça Brasil em 1962 e 1963.

Pelé ficou no time até 1974. No ano seguinte, foi para o New York Cosmos, onde atuou por dois anos e, em seguida, encerrou a carreira. Ao todo, fez 1281 gols nas 1363 partidas que disputou, sendo o maior artilheiro da história do futebol. No Santos, Pelé quebrou o recorde histórico de gols em um único Campeonato Paulista: foram 58 vezes, em 1958.

Aos 17 anos, Pelé foi convocado para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Ele estreou com a camisa da Seleção em 15 de junho. O Brasil venceu a Copa quando Pelé tinha apenas 17 anos – na final, nosso time bateu os donos da casa por 5x2. Pelé ainda ajudaria a “Seleção Canarinho” a vencer o Mundial em duas outras ocasiões, em 1962 (quando o evento foi sediado no Chile) e 1970 (México).

Imbatível em dribles, passes e cabeceios, Pelé – dentre os muitos de seus feitos que ajudaram a mudar a história do futebol – foi responsável pelo nascimento do termo “gol de placa” (que, de tão bonito, merece uma placa), cunhado por causa de um gol que marcou no Torneio Rio-São Paulo, em 1961, contra o Fluminense (o clube da Vila Belmiro venceu por 3x1). Credita-se a expressão ao jornalista Joelmir Beting. Foi a primeira vez no Brasil que o balançar das redes rendeu uma comemoração registrada em uma placa, daí o nome.


Aposentadoria

Filho de Celeste Arantes e do jogador de futebol amador João Ramos do Nascimento, Pelé se mudou para Bauru aos 5 anos. Morou lá até ser contratado pelo Santos, time no qual fez sua primeira partida profissional, em 7 de setembro de 1956, em um amistoso contra o Corinthians de Santo André.

Após deixar o futebol, em 1977, Pelé passou a atuar em diversas organizações. Se tornou embaixador do Unicef, tendo se envolvido em campanhas em prol da infância e da juventude, especialmente na área da educação (quem não se lembra do comercial em que ele cantava “ABC”?); embaixador para Ecologia e Meio Ambiente da ONU; embaixador da Boa Vontade da UNESCO e embaixador para a Educação, Ciência e Cultura da Unesco.

Foi, ainda, Ministro do Esporte durante o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998. A temporada dele no cargo político ficou marcada, principalmente, por causa da “Lei Pelé” (ou Lei do Passe Livre), que, entre outras coisas, mudou a forma como os times tinham propriedade sobre o passe dos jogadores.

Mesmo após deixar o cargo de ministro, ele continuou exercendo muita influência na atividade esportiva na qual se destacou, tendo tido grande importância na escolha do Brasil para sediar a Copa de 2014 (que ele defendeu até o fim, mesmo após protestos criticarem a realização do evento no país). Ele também ganhou manchetes com diversas declarações polêmicas ao longo dos anos.


Vida Pessoal

Pelé teve sete filhos: o goleiro Edinho, que também atuou no Santos, Jennifer, Kelly, Joshua e Celeste, além de Sandra Regina e Flávia (ambas de relacionamentos extraconjugais; a primeira foi renegada por ele e, depois, reconhecida na Justiça; a segunda foi reconhecida pelo Rei sem necessidade de processo judicial).

Em 1966, Pelé se casou com Rosemeri dos Reis Cholbi, com quem teve três filhos: Kelly Cristina, Jennifer e o jogador Edinho. Posteriormente, teve breve relacionamento com Xuxa. Em 1994, casou-se com a Assíria Nascimento, relacionamento que gerou os gêmeos Joshua e Celeste. A empresária Márcia Aoki foi a última esposa do ex-jogador.

Pelé ainda teve duas filhas em casos extraconjugais: Sandra Regina Machado, que faleceu em 2006 de câncer sem apoio do pai; e Flávia Kurtz. Ambas tiveram a paternidade reconhecida apenas nos tribunais.


Reconhecimento Global

Escolhido como o Atleta do Século pelo Comitê Olímpico Internacional, Pelé recebeu diversas honrarias vindas de todas as partes do planeta.

Em 1997, foi dado a ele o título de Sir-Cavaleiro Honorário do Império Britânico, das mãos da Rainha Elizabeth II. O jogador é também detentor do título de Maior Futebolista do Século, que recebeu em 1999, pela Unicef, na Áustria. Em 2000, foi eleito o Melhor Jogador do Século da FIFA, ao lado de Diego Maradona. O Rei do Futebol ainda é o Atleta do Século segundo a agência Reuters, o grupo DuPont e o jornal francês L’Equipe, dentre muitos outros reconhecimentos que colecionou ao longo dos anos e que vieram de diversos países.