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Morre o criminoso Charles Manson aos 83 anos

O notório psicopata, condenado pelo assassinato da atriz Sharon Tate, foi um dos criminosos mais conhecidos e abominados de todos os tempos e apavorou Hollywood no fim dos anos 1960

Redação Publicado em 20/11/2017, às 12h14 - Atualizado às 14h42

Foto de 1969 de Charles Manson, ano de sua condenação pelo envolvimento no assassinato da atriz Sharon Tate.
AP

Charles Manson, criminoso norte-americano mundialmente conhecido pelo assassinato da atriz Sharon Tate, morreu no último domingo, 19, aos 83 anos, de acordo com a CBS Los Angeles. Segundo informações do site TMZ, ele estava internado em estado grave em um hospital de Bakersfield, na Califórnia, desde o dia 16 de novembro.

Esta foi a segunda internação do criminoso neste ano. A primeira aconteceu em janeiro, mas ele recebeu alta após um curto período. Manson, um dos mais famosos assassinos dos Estados Unidos, está preso há mais de 40 anos e havia sido condenado à pena de morte. No entanto, a condenação foi comutada para prisão perpétua após a Califórnia banir esse tipo de condenação em 1972.

História

Nascido Charles Milles Madoxx, no dia 12 de novembro de 1934, em Cincinnati, Ohio, Manson (o sobrenome foi adotado do padrasto, William Manson) permaneceu toda a vida adulta, praticamente, encarcerado após ser condenado por crimes diversos. Quando foi libertado, em março de 1967, tinha 32 anos: era um sujeito semianalfabeto, ladrão de carros, cafetão e falsário. Ele foi parar em São Francisco e, lá, entrou de cabeça no nascente mundo da contracultura. Manson, um músico amador que conhecia preceitos da cientologia, falava com desenvoltura e possuía um intenso carisma. Logo formou uma comunidade de jovens desajustados e que tinham abandonado suas respectivas casas. O grupo era chamado de Família e essa turma vivia de pequenos golpes, comia restos de comida jogados fora pelos supermercados. A Família Manson escolheu como lar um lugar nos arredores de Los Angeles chamado Spahn Ranch, que tinha sido usado para filmagens, anteriormente.

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No final de 1968, Dennis Wilson, baterista dos Beach Boys, deu carona para Ella Jo Bailey e Patricia Krenwinkel, duas integrantes da Família Manson. E foi assim que ele conheceu “O Mago” — nome dado ao assassino pelas meninas. Fã dos Beatles, Manson queria ser astro do rock e achou em Dennis Wilson o instrumento perfeito para conseguir o que queria. Wilson começou a levar Manson para lugares badalados, como o lendário clube de LA Whisky a Go Go, e o apresentou para Neil Young e John Phillips (The Mamas and The Papas). Através de Wilson, Manson conheceu Terry Melcher, filho da atriz Doris Day e um dos mais bem sucedidos produtores musicais de Los Angeles.

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Melcher, a princípio, se interessou em ouvir a música de Manson, mas logo percebeu que tinha em mais um psicopata e as negociações não progrediram. Manson nunca esqueceu da “traição” de Melcher e jurou se vingar dele. Manson conhecia o endereço de Melcher e sabia como entrar na casa dele burlando os alarmes. Porém, o produtor se mudou de lá e quem habitou a casa posteriormente foi a atriz Sharon Tate, que tinha 26 anos e estava grávida de quase nove meses do diretor de cinema Roman Polanski.

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No dia 8 de agosto de 1969, Sharon Tate e seus amigos Jay Sebring (um famoso cabeleireiro de Hollywood), Wojciech Frykowski (ator polonês) e Abigail Folger (herdeira de uma marca de café e namorada de Frykowski) foram massacrados na mansão localizada no número 10050 da Cielo Drive. Foi um dos crimes mais sádicos e brutais do século 20. No dia seguinte, foi a vez de Leno LaBianca (empresário do ramo de supermercados) e sua esposa Rosemary, que foram brutalizados no número 3301 da Waverly Drive. Manson organizou e ordenou os dois assassinatos, mas ele não participou deles pessoalmente.

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Sharon Tate e amigos tiveram a infelicidade de serem mortos porque Manson sabia como entrar na casa onde ela morava. Já os LaBianca foram escolhidos aleatoriamente. Os assassinatos de Sharon Tate e amigos foram cometidos por Charles “Tex” Watson (braço direito de Manson), Patricia Krenwinkel e Susan Atkins – Linda Kasabian acompanhou os matadores, mas não participou diretamente do crime, permanecendo do lado de fora da casa. O casal LaBianca foi morto por Watson, Krenwinkel e Leslie Van Houten.