Dominguinhos morre aos 72 anos, em São Paulo

Músico sofria com câncer de pulmão há seis anos

Redação Publicado em 23/07/2013, às 20h09 - Atualizado em 24/07/2013, às 11h35

Dominguinhos
Foto: Divulgação

Morreu nesta terça, 23, às 18h, o lendário músico Dominguinhos, em decorrência de complicações infecciosas e cardíacas. Ele tinha 72 anos e estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Dominguinhos lutava havia seis anos contra um câncer de pulmão.

Vídeo: dez grandes canções de Dominguinhos.

Em janeiro deste ano, o músico foi transferido de Recife, onde estava internado desde 17 de dezembro por causa de um quadro de infecção respiratória e arritmia cardíaca, para a capital paulista. No último dia 13, ele deixou a UTI, mas teve que voltar para a unidade de terapia intensiva.

Em março deste ano, um dos filhos de Dominguinhos, Mauro Moraes, chegou a afirmar que o sanfoneiro estava em coma irreversível. Posteriormente, outra filha, Liv Moraes negou e disse que o pai tinha momentos de consciência.

Carreira

José Domingos de Morais nasceu em Garanhuns em 12 de fevereiro de 1941. Era instrumentista, cantor e compositor, um dos maiores nomes da música nacional. Ficou mais conhecido por suas habilidades como sanfoneiro, tendo sido influenciado por baião, bossa nova, choro, forró, entre outros, além de ter tido como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira.

Premiadíssimo e reconhecido inclusive fora do Brasil, recebeu o Grammy Latino em 2002 com o disco Chegando de Mansinho, e o Prêmio TIM, em 2007, com Conterrâneos. Em 2008, Dominguinhos foi o grande homenageado do Prêmio Tim de Música Brasileira; em 2010, o mesmo aconteceu no Prêmio Shell de Música. Ao longo de quase 50 anos de carreira, ele lançou mais de 40 trabalhos, entre álbuns de estúdio, ao vivo e colaborações.

O primeiro disco foi Fim de Festa (1964). Ele foi reconhecido pelo próprio Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, como seu herdeiro artístico. Dominguinhos foi para o Rio de Janeiro aos 16 anos, ao lado do pai, Chicão, que também tocava sanfona, e de um irmão. O objetivo: reencontrar Gonzagão, que havia prometido a Dominguinhos, quando ele tinha 8 anos, uma sanfona de presente. A promessa foi cumprida, e foi o velho Lua quem batizou o sanfoneiro, que antes usava o nome de Neném do Acordeom.

"Moça de feira", de Gonzaga, marcou a primeira gravação profissional de Dominguinhos, em 1957. Anos depois, ele já era seria bastante conhecido pelo Brasil – e reconhecido por artistas de diversas outras searas musicais. Em 1972, acompanhou Gal Costa no show do disco Índia, e não muito tempo depois teve a canção "Eu Só Quero um Xodó", um de seus maiores sucessos, gravada por Gilberto Gil. Esta é, inclusive, uma das aproximadamente 250 composições que Dominguinhos criou ao lado da cantora pernambucana Anastácia, com quem também teve um relacionamento amoroso.

Entrevista: documentário Dominguinhos, Volta e Meia busca mostrar a universalidade do “filho postiço” de Luiz Gonzaga.