Morre o lendário Phil Everly, do Everly Brothers, aos 74 anos

Músico, fumante há muito tempo, sofreu com uma doença pulmonária crônica

DAVID BROWNE Publicado em 04/01/2014, às 10h25 - Atualizado às 10h59

Phil Everly - Everly Brothers
AP

O rock and roll perdeu um de seus cantores supremos nesta sexta-feira, 3, com a morte Phil Everly, metade do Everly Brothers, aos 74 anos. De acordo com a informação dada pela mulher dele, Patti Everly, a causa da morte foi uma crônica obstrução pulmonária – o músico era fumante há muito tempo.

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Harmonias vocais vem sendo a chave do country e do bluegrass, mas a partir do primeiro hit deles, “Bye Bye Love”, de 1957, o Everly Brothers trouxe o som das vozes profundamente entrelaçadas ao rock and roll.

Esta sonoridade resultou em 15 canções entre as 10 mais tocadas dos Estados Unidos durante os anos de 1957 a 1962, incluindo músicas que se tornaram clássicos roqueiros, como “Wake Up Little Susie”, “All I Have to Do Is Dream”, “Cathy’s Clown” e “When Will I Be Loved”.

As estreitas harmonias entre os irmão tiveram uma grande influência no rock, impactando grupos como Beatles, Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, além de muitos outros. Com isso, a banda foi uma das primeiras a ser eleita para ingressar no Hall da Fama do Rock and Roll , em 1986.

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“O impacto do Everly Brothers excedeu a fama deles”, escreveu Paul Simon na Rolling Stone EUA em 2004. “Eles tiveram uma grande influência em John Lennon e Paul McCartney, e, é claro, em Simon & Garfunkel. Quando eu e Artie éramos crianças, nós usávamos as costeletas dos Everlys”. Aquela influência continua até hoje e, no fim de 2013, Billie Joe Armstrong e Norah Jones lançaram um álbum em tributo aos irmãos.

Filhos de um mineiro de carvão no Kentucky, nos Estados Unidos, os irmãos começaram a se apresentar na escola. Quando a família se mudou para Iowa, eles tinham um programa de rádio (o pai deles, Ike, também era cantor) e Don e Phil cantavam por lá logo cedo, antes de irem estudar. Quando chegaram à adolescência, os irmãos se mudaram para Nashville. Embora a Columbia Records tivesse demonstrado um grande interesse na dupla desde o início, a carreira do Everly Brothers só decolou quando “Bye Bye Love” – uma canção rejeitada por 30 selos – foi lançada pela Cadence.

“Quando estávamos voltando para Nashville, conseguimos sintonizar uma estação de rádio pop no carro – e estavam tocando o nosso disco”, disse Phil à RS EUA, em 1986. “Foi, tipo, uma grande sorte. Realmente foi”.

Embora muitas das bandas da Invasão Britânica dos anos 60 adorasse o Everly Brothers, os irmãos ficaram fora de sintonia em meados desta década. Eles ainda eram capazes de criar canções soberbas ( o disco deles, Roots, de 1968, criou algumas características do country rock) e nunca perderam o poder vocal. “Nós passávamos muito tempo tocando juntos”, relembra o guitarrista Waddy Wachtel, membro da banda no início da década de 70, ao lado de Warren Zevon. “Nas turnês deles, todas as noites nos juntávamos no quarto de hotel para tocar e Don e Phil ficavam conosco. Era inacreditável. Eles começavam a cantar naqueles quartos e parecia que o paraíso se abria para a gente.”

Naquela época, contudo, os hits rarearam e o uso de drogas tomou o controle. Os dois irmãos, então, distanciavam-se ainda mais, musicalmente e pessoalmente, até o famoso rompimento no palco, em 1973. Eles seguiram em carreira solo, sem tanto sucesso, mas se reuniram no palco dez anos depois e gravaram alguns discos nos anos 80. O primeiro deles, EB84, trazia “On the Wings of a Nightingale”, uma canção escrita por Paul McCartney especialmente para eles.

Por dentro da inusitada parceria entre Norah Jones e Billie Joe Armstrong, do Green Day, em disco tributo ao Everly Brothers.

Os irmãos raramente se apresentaram depois da década de 90 e viviam em lados opostos dos Estados Unidos – Phil em Los Angeles e Don em Nashville – e mantinham diferentes personalidades. Dos dois, Phil era o mais discreto e certinho. “Os anos 60 não eram a minha”, disse ele à RS. “Eu nunca acreditei naquela filosofia, sabe, de que todos éramos irmãos e isso resolvia tudo. Eu nunca acreditei que a música mudava o seu tempo. Para mim, ela o reflete.”

Os últimos grandes shows dos irmãos ocorreram há uma década, quando eles se juntaram para abrir para Simon & Garfunkel na turnê Old Friends. “Eles não se viram por três anos”, relembra Simon. “Eles pegaram seus violões – aqueles violões pretos famosos -, abriram suas bocas e começaram a cantar. Depois de todos aqueles anos, ainda era aquele som que eu me apaixonei quando criança. Ainda era perfeito.”