Morre Solomon Burke

Lenda do soul morreu dentro de avião em um aeroporto de Amsterdã, aos 70 anos

Por Patrick Doyle Publicado em 11/10/2010, às 18h01

Solomon Burke no Montreux Festival, na Suíça, em julho de 2009
AP

Solomon Burke, a lenda do soul por trás de clássicos do R&B como "Cry to Me" e "Everybody Needs Somebody to Love", morreu na manhã do domingo, 10, depois de chegar ao aeroporto Schipol, em Amsterdã. Ele tinha 70 anos e aparentemente morreu de causas naturais.

Conhecido como "O Rei do Rock 'n' Soul", Burke já foi interpretado por artistas como Otis Redding, Bruce Springsteen e Rolling Stones. Na última década, ele ressurgiu como uma das últimas grandes lendas do soul ainda vivas. Ele entrou para o Hall da Fama do Rock em 2001 e ganhou seu primeiro Grammy em 2003.

Burke deixa 21 filhos, 90 netos e 19 bisnetos, muitos dos quais já saíram em turnê com ele e buscaram carreiras musicais próprias. Ele passou sua vida pregando como líder espiritual da igreja God For All People, em Los Angeles. "Desde o primeiro dia, literalmente Deus e o Evangelho foram as grandes forças por trás do homem e de sua música", afirma o site oficial.

Solomon Burke nasceu em 21 de março, em 1940, na Filadélfia, e foi criado por sua mãe e sua avó, que lideravam uma igreja. Ele fez seu primeiro sermão aos sete anos de idade e foi nomeado bispo aos 21. Começou a cantar na igreja aos 14, no mesmo ano em que teve seu primeiro hit, "Christmas Presents From Heaven", pela Apollo Records.

Quando a carreira de músico adolescente de Burke acabou, ele trabalhou como agente funerário. Ele tentou novamente uma carreira no mundo do entretenimento em 1961, e assinou com a Atlantic Records por meio de Ahmet Ertegun. Ele cantava com um robe rosa e uma coroa dourada. O produtor Jerry Wexler, da Atlantic, o chamava de "o melhor cantor de soul de todos os tempos".

Burke sempre teve uma personalidade empreendedora. Ele vendia a "Pipoca Mágica do Solomon" na porta de shows nos anos 60. Em turnês no sul dos Estados Unidos, segregado pelo racismo, ele levava sanduíches em seu ônibus para vender a artistas negros.

O cantor fez seu último disco pela Atlantic em 1968, mas seus hits ficaram. John Belushi e Dan Akroyd cantaram "Everybody Needs Somebody to Love" em Irmãos Cara de Pau, em 1980. Patrick Swayze cantou "Cry to Me" para Jennifer Grey em Dirty Dancing, em 1987.

Burke ganhou o Grammy de melhor álbum de blues contemporâneo com Don't Give Up on Me, no qual ele fez covers de Bob Dylan, Brian Wilson e Van Morrison. Ele continuou seu renascimento com os novos clássicos Make Do With What You Got, em 2005, e Nashville, em 2006. Nos últimos anos, ele se apresentou em um trono, como uma grande banda. Seu último disco, Hold On Tight, deve chegar ao mercado ainda este mês.

Robert van Kapel, porta-voz da polícia do aeroporto de Amsterdã, disse ao New Yok Times que Burke morreu em um avião no aeroporto. Ele chegou em um voo de Los Angeles e tinha um show marcado, com ingressos esgotados, para esta terça, 12.

Burke continuava na ativa aos 70 anos. Em entrevista à Rolling Stone, ele afirmou: "Você chega à jornada que diz que você terá 70 anos este ano. Essa é a hora de fazer as coisas que você prometeu fazer. Fazer as coisas que você deve fazer no tempo em que o Senhor lhe permitir continuar aqui. E quando eu olho para trás na minha vida, como cantava Nat King Cole, eu vejo todos os meus amigos que já partiram para outra jornada, então é hora de fazer tudo que posso. Sou tão abençoado com toda a minha família."