Morrissey abre um pedaço de sua vida privada em autobiografia

Ex-vocalista do Smiths escreve sobre o seu primeiro relacionamento com um homem

Rolling Stone EUA Publicado em 17/10/2013, às 17h25 - Atualizado às 17h52

2009

Morrissey sai do palco do Coachella dizendo: “O cheiro de animais queimados está me deixando enojado. Eu posso sentir o cheiro de carne queimando... E eu peço a Deus que seja humana”.
Divulgação

Depois de um desentendimento a respeito de conteúdo quase tê-la mantido longe das prateleiras, a biografia de Morrissey saiu nesta quinta-feira, 17, no Reino Unido e Europa, e a rede BBC tem o resumo das partes mais tentadoras e reveladoras, desde o posicionamento de Moz contra tudo e qualquer coisa que integre o sistema legal da indústria musical, até a revelação de que o primeiro relacionamento dele com um homem não aconteceu até seus 30 anos.

Apesar do ex-líder dos Smiths ter mantido silêncio em relação a vida privada, ele foi franco no que diz respeito ao seu relacionamento com Jake Walters, escrevendo: “Pela primeira vez em minha vida, o eterno ‘eu’ virou ‘nós’, quando, finalmente, consegui ficar com alguém”.

Morrissey inclui uma série de outros momentos doces, como as primeiras palavras que Johnny Marr dirigiu a ele depois de conhecê-lo em um show da Patti Smith – “Você tem uma voz engraçada” – e o cantor ainda revela que, inicialmente, não gostava de uma das faixas mais famosas da banda, “There is a Light That Never Goes Out” – uma música que ele sugeriu a Marr que deixassem de fora de The Queen Is Dead. “Estar errado é um alívio, frequentemente”, ele escreve.

Não que a biografia de Morrissey seja só um mar de rosas e reflexões sóbrias sobre o passado. Tem uma série de coisas que Moz não gosta. Por exemplo, ele chama a gravadora dos Smiths, a Rough Trade, de brutalmente insípida e afirma que durante a primeira reunião com o fundador do selo, Geoff Travis os dispensou sem ouvir uma nota sequer. Marr teve que prendê-lo a uma cadeira, Moz relembra, adicionando que Travis “teria sido encontrando vagando” se não fosse pelos Smiths, que “salvaram sua vida e fizeram valer a aposta”.

Morrissey também alfineta o ex-baterista dos Smiths, Mike Joyce, que solicitou 25% de tudo que os Smiths ganhassem durante um processo nos anos 90, assim como John Weeks, o juiz que tomou conta do caso. Moz repreendeu o juiz, que apelidou de "o orgulho da infantilidade", pela sua “compreensão imutável do mundo dos Smiths”, recordando um momento no qual o juiz, erroneamente, declarou que a banda havia se formado em 1992.

Outra anedota peculiar, esta envolvendo o governo britânico, veio depois do lançamento do primeiro álbum solo de Morrissey, Viva Hate, cuja música “Margaret on the Guillotione” rendeu um inquérito especial sobre uma possível ameaça a ex-Primeira Ministra Margaret Thatcher. “Estou sendo interrogado e registrado sob o olhar penetrante da Divisão Especial”, escreve Morrissey.

Morrissey também escreveu sobre sua infância em Manchester, em particular a escola católica que ele frequentou, onde os professores eram crueis e cada dia era um “pesadelo Kafkiano”. Enquanto um professor de educação física, ele escreve, ficava observando os meninos tomando banho, Morrissey relembra vividamente o jeito como outro professor esfregou creme anti-inflamatório no seu pulso depois de uma queda: “Com 14, eu entendia o significado dos toques desnecessariamente lentos e sensuais, com os olhos fixos nos meus”.