Mostra de SP premia Voluntária Sexual

Filme sul-coreano sobre mulheres que têm relações sexuais com deficientes levou o troféu Bandeira Paulista

Da redação Publicado em 06/11/2009, às 14h15

A história sobre mulheres que se voluntariam a fazer sexo com deficientes, mote de Voluntária Sexual, do sul-coreano Kyong-duk Cho, conquistou o júri da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Comandada por Serginho Groisman e Marina Person, a cerimônia de encerramento da mostra aconteceu na quinta, 5, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Foi lá que Cho agradeceu pelo troféu Bandeira Paulista de melhor ficção, concedido pelos jurados "apesar do nome forte", brincou o diretor. "Vocês foram livres de preconceito."

Na categoria documentário sagrou-se vencedor o francês O Inferno de Clouzot, sobre um projeto megalomaníaco do cineasta Henri-Georges Clouzot que acabou interrompido, nos anos 60. A direção é de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea.

O Abraço Corporativo, um debate sobre o papel da mídia na atualidade proposto pelo jornalista e agora cineasta Ricardo Kauffman, ganhou menção honrosa.

Os prêmios de melhor diretor e ator consagraram a produção alemã Os Dispensáveis, com Andreas Arnstedt e Andrè Hennicke, respectivamente.

MELHOR DIRETOR: Andreas Arnstedt, por "Os Dispensáveis" (Die Entbehrlichen), Alemanha

O júri oficial do evento foi composto pelo crítico francês Jean-Michel Frodon (ex-diretor da revista Cahiers du Cinéma, uma espécie de Novo Testamento da sétima arte) e pelo cineasta turco Ali Özgentürk (A Peça da Discórdia), o sérvio Goran Paskaljevic (Luas-de-mel), o ítalo-chileno Marco Bechis (Terra Vermelha) e a brasileira Suzana Amaral (Hotel Atlântico). Com exceção de Bechis, todos tinham filme na programação deste ano, mas fora de competição.

Para concorrer aos prêmios, os filmes (primeiro ou segundo trabalho do diretor, pré-requisito), precisavam estar entre os 12 longas mais votados pelo público. A partir desse quadro de finalistas, o júri elegeu os vencedores.

No voto popular, o prêmio de melhor filme estrangeiro teve dois vencedores: Abraços Partidos, do espanhol Pedro Almodóvar, e O Último Dançarino de Mao, do australiano Bruce Beresford. A produção brasileira preferida do público foi Carmo, de Murilo Pasta.

Os críticos também escolheram seus preferidos: o iraniano Ninguém Sabe dos Gatos Persas, filme de Bahman Ghobadi que usa a cena de indie rock local para falar do cenário repressivo de Teerã, foi eleito a melhor novidade estrangeira. Já a escolha de melhor produção nacional ficou com O Sol do Meio-dia, de Eliane Caffé.

O Prêmio Itamaraty, concedido pelo Ministério das Relações Exteriores, distribuiu R$ 90 mil entre a ficção Antes Que o Mundo Acabe (R$ 45 mil), o documentário Dzi Croquettes (R$ 30 mil) e o curta Insone (R$ 15 mil). Recebeu menção honrosa Pixo, documentário de João Wainer e Roberto Oliveira sobre a cena de pichadores paulistana. O diretor Paulo César Saraceni, um dos precursores do cinema novo, foi homenageado pelo conjunto da obra, que inclui Capitu (1967), A Casa Assassinada (1970) e O Viajante (1998).

A 33ª Mostra prossegue, a partir desta sexta, 6, até o dia 11 de novembro, com repescagem de alguns títulos que integraram a seleção. As sessões extras, exibidas em quatro salas (Cinemateca Petrobras, Cine Bombril 1, Cinesesc e Unibanco Arteplex 1), podem ser conferidas aqui.