Com pique de sobra

Na estreia no Brasil, Mötley Crüe tocou hits e agradou o público paulistano com show energético

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 18/05/2011, às 14h47

Vince Neil à frente do Mötley Crüe no primeiro show da história da banda no Brasil

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O Mötley Crüe, grupo norte-americano de glam metal que foi sensação na metade dos anos 80, nunca tinha se apresentado no Brasil. Em seu auge, o quarteto de Los Angeles era conhecido por usar maquiagens femininas, roupas chamativas e por todo tipo de excesso fora do palco. Agora que completam 30 anos de existência, já não são aqueles rapazes de outrora (e talvez por isso não tenham permitido que os fotógrafos fizessem imagens da frente do palco), mas nos shows o fogo permanece. Na apresentação única em São Paulo, ocorrida na noite de terça, 17, no Credicard Hall, o grupo se mostrou entrosado e animado, entregando um repertório redondo, que teve todos os hits esperados pelos fãs.

Antes dos astros principais, subiu ao palco o Buckcherry, grupo também nascido em Los Angeles. Amigos do Mötley Crüe, eles fazem um hard rock inofensivo, que muitas vezes soa como paródia. Precisamente às 23h, o Mötley finalmente apareceu no palco: Vince Neil (vocais), Tommy Lee (bateria), Nikki Sixx (baixo) e Mick Mars (guitarra) entraram ao som de "Wild Side", já fazendo o público cantar junto. Eles emendaram "Saints of Los Angeles", canção-título do disco de estúdio que lançaram em 2008. Praticamente sem pausa, vieram com uma sequência que teve "Live Wire", "Shout at the Devil", "Same Ol' Situation (S.O.S.)" e "Primal Scream".

Confira entrevista com Mick Mars e Tommy Lee.

Vince Neil, com a voz ainda impressionante, não deixou nenhum espaço do palco em branco, correndo de canto a canto. O baixista Nikki Sixx agitou igualmente, mais parecendo um membro de banda punk. Ele também correu de um lado para o outro, se uniu a Neil para fazer os vocais de apoio, cuspiu na plateia e despejou copos de água na cabeça em diversos momentos. Tommy Lee tocou vigorosamente, fornecendo a base sonora adequada para as firulas de seus companheiros. Já o sessentão guitarrista Mick Mars, que teve inúmeros problemas de saúde ao longo dos anos, permaneceu em um canto, com sua costumeira cartola cobrindo o rosto, imóvel, vestido de preto e parecendo um vampiro se escondendo do sol.

A certa altura, o sempre jovial Tommy Lee saiu de trás de seu instrumento e, a seu modo, pediu desculpas pelo Mötley Crüe ter levado tanto tempo para tocar no Brasil. Para manter a fama de farrista, deu uma garrafa de uísque para a turma que estava na frente e ordenou que todos bebessem, não sem antes perguntar: "Vocês têm idade para isto?". Lee então foi para o teclado, tocando a introdução da balada "Home Sweet Home".

Leia um trecho do Arquivo RS com o Mötley Crüe, publicado na edição de maio da Rolling Stone Brasil.

O momento "calmo" não durou muito. Mick Mars improvisou um pouco em seu instrumento e esta foi a deixa para eles voltarem com as explosivas "Don't Go Away Mad (Just Go Away)", "Dr. Feelgood", "Too Young to Fall in Love" e "Ten Seconds to Love". O Credicard Hall, que já estava lotado, vivia um clima de carnaval, com muita gente pulando e derramando cerveja na cabeça de quem estava nos arredores. Aliás, o público deu um show à parte: os mais corajosos foram caracterizados, usando maquiagem, cabelos cheios de laquê, pintura na cara e calça de oncinha. Para permanecer no clima, várias garotas se vestiram como pornstars da Sunset Strip, em Hollywood.

Já no final, a antiga "Smokin' In the Boys Room", com sua cadência de blues, deu uma pausa pra todo mundo respirar, mas não por muito tempo. O hino "Girls, Girls, Girls" veio depois e colocou o Credicard Hall abaixo. O encerramento parecia que ia vir com "Kickstart My Heart", cheio de pique, mas depois de uma pausa que durou mais de cinco minutos, veio o bis com "Looks That Kill", a canção que colocou o a banda no mapa do rock em 1984. A apresentação do Mötley Crüe durou precisamente uma hora e meia, e certamente a satisfação foi garantida.