Músculos, sangue e falta de criatividade

Conan, o Bárbaro chega aos cinemas com muita violência, mas pouca inovação

Paulo Cavalcanti Publicado em 16/09/2011, às 15h01 - Atualizado às 15h13

Jason Momoa - Conan
Divulgação

Ao longo de quase 80 anos, o personagem Conan, criado em 1932 por Robert E. Howard, já apareceu em livros, histórias em quadrinhos, desenhos animados, jogos e naturalmente, na tela grande. A adaptação cinematográfica mais bem-sucedida é sem dúvida a de 1982, dirigida por John Millius e que transformou o austríaco Arnold Schwarzenegger em um ícone do cinema de ação. O novo Conan, o Bárbaro, no entanto, não foi feito exatamente para os fãs do filme de quase 30 anos atrás, já que tem pouco a ver com o enredo daquele que já é considerado um clássico. O antigo Conan também tinha um verniz ligeiramente camp. Já este é mais violento e adequado à sensibilidade dos fãs de fantasia épica deste novo milênio. E Conan tem uma nova cara: Jason Momoa.

Conan é um adolescente rebelde morador da fictícia Ciméria, um mundo medieval dominado por fogo, aço e músculos. Ele está aprendendo a ser tornar um guerreiro e usar adequadamente a espada de seu pai, Corin (Ron Perlman). A paz na aldeia é quebrada quando Khalar Zym (Stephen Lang) e seus guerreiros matam todo mundo, mas Conan escapa. Ele sai da aldeia, se torna um pirata/mercenário e roda o mundo, mas mesmo passados quase 20 anos, ainda busca vingança. Eventualmente, Conan tromba com os homens de Khalar Zym e sua filha bruxa, Marique (Rose McGowan). No massacre da aldeia Ciméria, Zym conseguiu se apossar de um artefato que ele acredita tornar possível ressuscitar sua esposa morta e também dar a ele poderes divinos. Para isso, ele também necessita do sangue de uma mulher pura, que no caso é sacerdotisa Tamara (Rachel Nichols). Zym rapta Tamara, mas Conan interfere e resgata a jovem. Zym não desiste tão fácil, e depois de muito sangue, pancadaria e maldições, Conan salva o dia.

Leia entrevista com o ator Jason Momoa.

Como dá para perceber, Conan, o Bárbaro tem poucas surpresas – é possível saber exatamente o que vai acontecer a cada passo dos personagens, que também não primam pela profundidade dramática. Não é culpa dos atores e é até injusto criticar Momoa. Lacônico e marrento, ele faz exatamente o que se espera de um personagem como Conan. Mas o diretor Marcus Nispel trocou criatividade por mera competência.

A diferença deste filme em relação a outros blockbusters de heróis em 3D é que ele passa longe da estética Disney que parece dominar os filmes do gênero. Conan, o Bárbaro é sujo, tem violência gráfica e um pouco de sexo e nudez. Longe de ser uma obra-prima, o novo Conan pelo menos não deixa o público entediado e também não joga no lixo o legado do personagem criado por Howard.

A dramatização do filme também está sendo lançada em livro no Brasil, pela editora Generale.