Música, comida, roupas vintage e anos 80

Prestes a fazer dois shows no Brasil à frente do New Young Pony Club, Tahita Bulmer fala à Rolling Stone sobre suas obsessões

Por Stella Rodrigues Publicado em 15/06/2011, às 12h48

New Young Pony Club - que conta com Tahita Bulmer, Andy Spence, Lou Hayter, Sarah Jones e Remy Mallet - faz dois shows no Brasil esta semana
Divulgação

Um dia chamado de new rave, comparado a Klaxons e CSS, e hoje perdido no mundo das definições, o New Young Pony Club, que passeia entre indie, pop, dance e tem um pé na década de 80, vem ao Brasil pela primeira vez esta semana. O grupo londrino fará shows nos dias 16 e 17 de junho, em São Paulo e Porto Alegre, respectivamente (veja mais informações abaixo), e pode trazer faixas inéditas em primeira mão para a plateia brasileira.

"Estamos trabalhando em músicas novas, mas elas não estão prontas ainda", disse, por telefone, a vocalista Tahita Bulmer à Rolling Stone Brasil. "Se ficarem prontas a tempo, certamente vamos experimentá-las com o público. Estamos esperando para ir para aí desde 2005, então, estamos animadíssimos. Tudo o que acontecer, vamos curtir", declarou ela. Essas inéditas estão sendo criadas para o terceiro disco do grupo, que já é um embrião, mas não muito mais do que isso. "Sempre que pensamos em algo novo, queremos que seja um pouco diferente. E ainda não sabemos o que será esse diferente."

Também conhecidos por fazer bons remixes, como o de "Tears Dry On Their Own", de Amy Winehouse, os integrantes estão empolgados com uma versão, ainda não revelada, que preparam no momento. Tahita diz que o próprio intérprete da faixa ainda não havia, à época da entrevista, liberado a regravação. "É uma mudança de rumo para a gente. Em vez de simplesmente mudar tudo na faixa para que ela fique com a nossa cara, estamos deixando esta mais sombria, é algo mais ousado. Acho que vai surpreender todo mundo. É um gênero que nunca remixamos. Vamos ver, conforme for, estrearemos o trabalho nos shows do Brasil", prometeu.

A lógica de experimentação e inovação se aplicou ao segundo álbum do New Young Pony Club, The Optimist, lançado em 2010. Foi a partir dele que o trabalho passou a ser "menos colorido". Não que a sonoridade tenha sido mergulhada totalmente na cândida, mas as letras tornaram-se um pouco mais sombrias, como define a vocalista, que também fala sobre as inspirações da banda em artistas dos anos 80. "Somos influenciados pela música que ouvíamos quando estávamos crescendo. Ao mesmo tempo, não queremos fazer uma cópia. Tentamos arrastar aquilo para o futuro e dar um sabor de agora", afirmou Tahita. "Bandas que surgiram a partir daquelas influências são tão importantes para a gente quanto às originais. Por exemplo, o Talking Heads é muito importante para a gente, mas podemos também ouvir Madonna, Rihanna, Beyoncé e bandas de agora. Então, a nossa filosofia básica de fazer música é que ela tem que te atravessar e você tem que ser a pessoa que deixa mais marcas nela."

Apesar de sempre ligados à década das ombreiras e do laquê, Tahita diz que outros períodos são importantes para o New Young Pony Club. "Os anos 80 não são a única época musical com a qual somos obcecados, amamos os anos 70 também, e os 60. Eu acho que era uma época quando a música era mais livre. Artistas como o Prince provavelmente não conseguiriam um acordo para gravar um disco nos dias de hoje. Ele conseguiu ser um artista pop de enorme sucesso porque as pessoas estavam muito mais interessadas em sons novos e interessantes, em termos de música comercial. Hoje, me parece que as coisas estão bem conservadoras, em termos de mainstream", completou, sendo, em seguida, ainda mais específica. "Antigamente, as pessoas tinham um espírito mais Maverick. Claro que Lady Gaga usa uns figurinos muito loucos, mas a música dela é bem entediante e segura. Acho que a gente se identifica com a década de 80 porque era a época de gente feliz em ouvir música nova e se empolgando com isso." Adaptando suas teorias sobre o pop ao próprio trabalho, Tahita acredita que o objetivo do gênero "é só manter as pessoas felizes e não fazer pensar muito".

Além de música, Tahita tem três grandes interesses: roupas, comida e direitos dos animais. E, por onde passa, não leva somente lembranças dos shows, mas também alguns gramas a mais na balança, novas ideias a respeito de vegetarianismo - já que sempre é procurada nas apresentações de sua banda por pessoas interessadas em debater o assunto - e peças de roupas que garimpa em brechós. Ela brincou que a banda tem uma verdadeira obsessão por comida (algo óbvio no clipe de "Ice Cream", que pode ser visto abaixo). "Se a escolha fosse entre fazer um show ou ir a um restaurante incrível, ficaríamos muito divididos. Certamente vamos provar um pouquinho de cada coisa por aí e a ideia é voltar pra casa um pouco mais gordos. Ou então, comer muito e perder as calorias no palco."

Outra paixão é encontrar modelitos únicos, sejam eles de estilistas novatos, que gosta de apoiar, ou peças desenterradas em lojas alternativas e de roupas usadas. "Eu tenho um background muito boêmio e meu jeito de vestir reflete isso. Minha mãe sempre me incentivou a não seguir a horda. Agora que faço minhas próprias compras e habito esse mundo louco de ser vocalista de uma banda, não tem ninguém para me dizer o que não posso usar e não fica bom."

New Young Pony Club no Brasil

São Paulo

16 de junho, às 23h40

Beco 203 - Rua Augusta, 609 - Consolação

R$ 80

Informações: (11) 2339-0351 ou www.beco203.com.br

Vendas online: www.lojabeco.com.br

Chilli Beans - Shopping Morumbi (Avenida Roque Petroni Junior, 1089, Morumbi/ Vendas por telefone: (11) 5189-4501 - pagamento somente em dinheiro)

Chilli Beans - Galeria Ouro Fino (Rua Augusta, 2690, Jardins/Telefone: 11 3062-3266)

Beco 203 (Rua Augusta, 609; somente no dia do show, na bilheteria, mediante disponibilidade de ingressos e sujeito a alteração no valor).

Porto Alegre

17 de junho

Beco 203 - Av. Independência, 936, Auxiliadora

R$ 50 (primeiro lote) e R$70 (segundo lote)

Informações: www.beco203.com.br