Nate Ruess fala sobre o futuro do Fun. e a carreira solo dele

O cantor ignorou o sucesso de Some Nights para embarcar em uma aventura

Redação Publicado em 14/02/2015, às 14h02

Nate Ruess
AP

Na outono passado, Nate Ruess estava no estúdio com o produtor Jeff Bhasker gravando a demo de "Nothing Without Love", uma música feita para o novo álbum da banda dele, Fun. Ruess ficou 'encucado' com isso durante meses. Agora, após uma seca de ideias, ele começou a cantar sobre a vida dele: o novo relacionamento com a design de moda Charlotte Ronson, a iminente carreira como letrista, a felicidade que sentiu longe da pressão por um disco que fizesse sucesso. De repente, o som surgiu.

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"Isso me pareceu tão real. Eu estava dizendo o que eu pensava", Ruess conta à Rolling Stone EUA em entrevista exclusiva. "Essa é a primeira vez em que eu me senti confortável na minha própria pele. A razão pela qual eu estou fazendo um álbum solo é porque, pela primeira vez, estou fazendo isso."

"Nothing Without Love" não estará no próximo álbum do Fun., porque – como a banda anunciou em uma publicação no Facebook, semana passada -, não existe um próximo álbum do Fun. no forno. Ao invés disso, Ruess está saindo em carreira própria. O ex-líder do grupo, cujo último disco, Some Nights, de 2012, teve mais de um milhão de cópias vendidas, emplacou três hits e ganhou dois Grammys, não tem planos de gravar ou sair em turnê em um futuro imediato. E o post no Facebook reforça isso.

"Seria muito fácil para nós voltar ao estúdio e capitalizar nosso momento", diz o comunicado. "Mas gravar e fazer turnês quando isso é simplesmente bom para os negócios não significa nada para nós. Gravamos e saímos em turnê quando estamos inspirados."

Essa notícia, sem dúvida, é recebida pelos fãs como um choque. Em 2014, o Fun. tocou uma música nova no Tonight Show e prometeu que estaria de volta às estradas em breve. Estúdios foram reservados, itinerários foram finalizados e dividendos, analisados. Para Ruess, isso acabou sendo parte do problema.

"As pessoas estavam esperando muito do próximo disco do Fun. Todo mundo queria espremer até a última gota dele, mas essas coisas são difíceis de se repetir", ele diz. "A maneira mais inteligente de se olhar as coisas é saber que elas nunca irão se repetir. As pessoas achavam que eu estava completamente louco, mas eu não sai para procurar alguma coisa. Eu sai para ser feliz."

"Some Nights foi um grande catalisador para minha felicidade, mas também me ajudou um pouco mais a identificar meus problemas", continua. "Lembro quando ganhamos os Grammys, todo mundo estava contente e com razão. Mas eu fiquei pensando: 'Não ganhamos o Álbum do Ano, o que realmente é a coisa mais incrível que existe'."

Ruess conta que os relacionamentos dentro da banda não pioraram e que o sucesso do projeto pessoal do companheiro de grupo Jack Antonoff com o conjunto Bleachers não tem nada a ver com sua decisão – "Claro que não", reafirma. Então como surgiu a ideia de 'chutar o pau da barraca'? Porque ele se apaixonou.

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Por quase um ano ele tem saído com Charlotte. Quando os dois se conheceram, Ruesse vinha escrevendo canções pensadas para o próximo trabalho após Some Nights. Não há necessidade de dizer que essas músicas – e os planos dele -, rapidamente mudaram. "Eu estava escutando Belle and Sebastian sem parar", brinca. Em maio, Ruess se mudou para Nova York, em parte, para estar perto de Ronson e, como mágica, tudo começou a fluir. "Nothing Without Love" ganhou forma, junto com várias outras faixas. Ruess poderia ter mostrado todas elas para Antonoff e para Andrew Dost, multi-instrumentista do Fun., mas decidiu mantê-las para si próprio. Ele não estava a fim de se comprometer.

"Você fica um pouco egoísta com o que escreve e é muito difícil fazer isso em um trabalho em grupo, onde há outras duas pessoas. É complicado ter que pensar nos sentimentos dos outros", Ruess diz. "Estou escrevendo e cantando sobre eu mesmo. Quando você trabalha com produtores e parceiros de banda, essa linha se torna um pouco menos obscura."

Claro, foi um problema informar os companheiros de que não haveria mais um novo álbum do Fun. Ruess admite que a notícia não recebeu reação muito boa quando foi dada, no meio do ano passado. "Foi meio como um longo e preguiçoso, 'Caras, tem algo que eu realmente quero fazer e eu tenho a oportunidade de fazer isso agora'", ele diz, entre pausas diplomáticas. "Meu 'eu' emocional tomou conta, mas eu seria muito mais feliz fazendo esse álbum por conta própria."

"De vez em quando, você age como um idiota", continua. "A gente só espera aprender com isso."

Sentado no estúdio do produtor Emile Haynie, em Nova York, Ruess parece definitivamente ter aprendido algumas coisas. Primeiramente, ele agora é mais cauteloso: quando perguntado se o Fun. realmente acabou, o cantor responde, "Não, isso seria falar de forma definitiva e não fazemos isso".

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E baseado nas músicas que ele mostrou, ter realizado essa ambição não é nada mau. O álbum solo ainda sem nome – o título deve sair até o meio de 2015 – está repleto tanto de hinos que podem ser cantados por multidões – "Nothing Without Love", que segundo ele deve ser o primeiro single, é um sucessor inferior de "We Are Young" e "Great Big Storm" segue o mesmo caminho de "Why Am I the One", de Some Nights - como sons calmos em "Take It Black", uma balada sóbria pontuada por um solo de guitarra cortesia de Jeff Tweedy, do Wilco.

"Conseguir isso dele foi o maior presente da minha vida", ri Ruess. "Emile e Jeff meio que caíram no chão depois que ouviram."

Mas Ruesse aprendeu, principalmente, como ser feliz profissionalmente e pessoalmente. O disco faz várias menções sobre isso. "Estou pronto para libertar esse grande romântico em mim", ele canta na faixa de abertura, "Ah Ha". Já "Take It Back" tem uma declaração, "Todo olho preto tem algo de azul". O relacionamento dele trouxe consigo um novo modelo de vida. O futuro de Fun. pode ser obscuro, mas pela primeira vez Ruess não está preocupado com o que está por vir. Pelo contrário, está contente em aproveitar o agora.

"Por muito tempo eu tive esse chip no meu ombro, mas quando tudo está indo bem, é como se o chip desaparecesse. Eu quero que tudo saia bem nesse álbum porque amo isso, mas no final da noite, termino na cama com uma pessoa e é isso que me faz dormir.”