Netflix realiza segunda edição de premiação que incentiva o cinema brasileiro

Prêmio Netflix selecionou dez finalistas, de longas políticos a dramas sensíveis, que disputam um licenciamento global

Redação Publicado em 13/09/2016, às 17h38 - Atualizado em 14/09/2016, às 19h24

Hugo Gloss, Fernando Andrade, Lully de Verdade, Alice Braga, César Charlone, Adriana Dutra e Fabrício Boliveira
Divulgação

As palavras de ordem eram “democratizar o acesso”. Foi em torno disso que giraram as respostas dos sete jurados selecionados para a segunda edição do Prêmio Netflix durante a coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça, 13. Na ocasião, foi lançada a premiação que selecionará dois filmes (um por voto popular e outro por escolha do júri) para ser licenciado mundialmente pela Netflix, que tem 83 milhões em 190 países. O filme entrará na categoria de filmes estrangeiros. Veja abaixo a lista completa de concorrentes.

O grupo de artistas convidados para votar é composto de atores – Alice Braga e Fabrício Boliveira –, diretores – César Charlone, Adriana Dutra e Fernando Andrade –, e influenciadores – Hugo Gloss e Lully de Verdade, todos com destaque em seus respectivos campos e bastante engajados no crescimento da indústria cinematográfica nacional. Os critérios de votação não foram revelados, mas serão dadas, individualmente, várias notas para diferentes aspectos que compõem a obra e a soma dessas notas determinará o vencedor eleito pela comissão.

Foi inevitável que as questões de incentivo e distribuição de filmes brasileiros desaguassem na polêmica da semana, envolvendo o filme Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, considerado favorito para ser a indicação brasileira ao Oscar, mas que ficou de fora da disputa. Em vez dele, foi selecionado Pequeno Segredo, em uma decisão que muitos consideraram de cunho político, já que Mendonça Filho e Sonia Braga, estrela do longa, fizeram barulho no mundo inteiro protestando o impeachment de Dilma Rousseff. Aproveitando a ocasião, a Netflix anunciou que Aquarius, ainda em cartaz, chegará ao catálogo da empresa ainda este ano (a data não está definida).

Alice Braga, sobrinha de Sonia, bem que tentou, mas não conseguiu se esquivar de comentar a polêmica. Ela respondeu de maneira geral, focando menos na disputa entre os longas, e seus respectivos apoiadores, e mais no ponto de vista de que deve-se trabalhar junto para aquecer o mercado. “Os produtores deveriam ser mais unidos, se ajudar, ajudar os diretores. A gente tem que se apoiar. Vejo isso com amigos que trabalham com cinema no México e sinto falta disso no Brasil”, disse ela. “Quanto mais a gente criar essa rixa interna, pior vamos nos sair.” O comentário de Alice casou perfeitamente com o tom da iniciativa de dar visibilidade a produções de forma não discriminatória, dando chance de expor obras “menos comerciais”, que não teriam tanto espaço no cinema, mídia ou na televisão tradicional. “Ao fazer parte de um catálogo como o da Netflix, um filme ganha um novo e grande público, que talvez não atingisse nas salas de cinema”, afirmou Fernando Andrade, codiretor do filme Quebrando o Tabu.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil após a coletiva, Fabrício Boliveira também falou sobre Aquarius: “É um filme que me representa”, disse. “Queria que tivesse um júri mais neutro. A gente sabe claramente que houve algum tipo de retaliação”, disse ele comemorando que, pelo menos, todo esse imbróglio fez com que a obra de Mendonça Filho chegasse aos “R$ 200 mil [de bilheteria] na segunda semana”. “Que continuem falando. É um filme bastante político, gerou bastante atrito.”

Falando novamente sobre o outro corpo de jurados, aquele no qual tem a responsabilidade de votar e eleger o representante brasileiro mais merecedor para o Prêmio Netflix, Boliveira (Faroeste Caboclo, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora É Outro) comentou a dificuldade de definir seus critérios. “Acho que tem muito a ver com a história contada, o tema levantado, entender como essa obra foi feita. Toda a seleção tem grandes representantes brasileiros. Eu vejo muito cinema, por trabalhar com isso, e acho que tem a ver com as minúcias, como o diretor lidou com as escolhas”, diz.

Efeito Netflix

Nem o ator sabia até a hora da entrevista, mas o próximo projeto dele na TV “regular”, Nada Será Como Antes é uma das primeiras a demonstrar a reação da televisão linear diante do conteúdo exibido por streaming. A série, assim como Supermax, terá sua estreia antecipada no Globo Play, serviço online da Globo que até hoje exibiu apenas conteúdo já mostrado no canal aberto. “É o efeito Netflix”, concorda ele. “São novos tempos, não dá mais pra ter monopólio da informação, as pessoas precisam assistir quando quiserem.”

Veja abaixo a lista de filmes que disputam o Prêmio Netflix. Seguindo o que foi estabelecido para a pré-seleção, todos eles foram lançados nos últimos três anos, são produções brasileiras (feitas com dinheiro saído do Brasil) e estavam contratualmente liberados para serem licenciados globalmente. A votação será realizada de 13 de setembro a 3 de outubro pelo site www.premionetflixbr.com. Em 2013, o filme vencedor foi Apenas o Fim (de Matheus Souza), com Gregório Duvivier.

Califórnia - Marina Person

A História da Eternidade - Camilo Cavalcante

O Último Cine Drive-In - Iberê Carvalho

Obra - Gregório Graziosi

Porque Temos Esperança - Susanna Lira

À Queima Roupa - Theresa Jessouroun

Ventos de Agosto - Gabriel Mascaro

My Name Is Now - Elisabete Martins Campos

Levante! - Susanna Lira e Barney Lankester-Owen

Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois - Petrus Cariry