Maquilador de Hollywood fala a respeito do flerte entre retoques na pele e efeitos especiais

Stephen Murphy participou de produções como Harry Potter, Sweeney Todd, O Grande Hotel Budapeste e o brasileiro Não Pare na Pista

Christian Petermann Publicado em 13/06/2015, às 12h02 - Atualizado em 29/09/2015, às 13h17

Nicolas Cage em cena do filme Kick-Ass: Quebrando Tudo

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Em rápida passagem por São Paulo, o maquilador de cinema Stephen Murphy conversou sobre seu trabalho na franquia Harry Potter. Um dos convidados especiais do 19º Cultura Inglesa Festival, que acontece durante o mês de junho, ele encaixou uma parada em sua agenda para participar do evento.

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Em breve, ele retorna a Roma para o último dia de trabalho no filme Zoolander 2, continuação – 14 anos depois – da comédia cult sobre o mundo da moda, que terá aparições, entre outros, de Kanye West, Justin Bieber e Kim Kardashian. Murphy integra a equipe que cuida dos efeitos de maquiagem do astro e diretor Ben Stiller e de Will Ferrell, que retorna como o absurdo Mugatu. “Há um trabalho especial que estamos fazendo com Ferrell, mas, por enquanto, nada posso revelar”, declara ele. A estreia mundial da fita será em fevereiro de 2016.

Stephen Murphy

O trabalho de maquiagem praticado por Murphy está sempre atrelado aos efeitos especiais, a técnicas óticas e digitais, indo além do exercício tradicional. Entre seus créditos, é notável o predomínio dos filmes fantásticos, como, por exemplo, Hellboy 2: O Exército Dourado (2008), de Guillermo del Toro, e Guerra Mundial Z (2013), de Marc Forster.

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Já os longas da franquia Harry Potter têm especial importância em seu conjunto de obra: “Eu ingressei na franquia como trainee em Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007). É evidente como evoluí profissionalmente até a conclusão da série, quando cheguei a trabalhar diretamente na maquiagem especial de Daniel Radcliffe.”

Seu primeiro Harry Potter, aliás, está sendo exibido na programação do Cultura Inglesa Festival, integrando uma retrospectiva do trabalho da atriz Helena Bonham Carter no cinema de gênero. Outro crédito dele que conta com Helena no elenco e também participa do festival é o musical macabro Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (2007), de Tim Burton. “Infelizmente, por mais que me interessasse muito, não cheguei a trabalhar diretamente com Helena nestes dois filmes, pois suas personagens precisavam apenas do make-up convencional, sem efeitos extras”.

Murphy destaca, porém, que ele procura não ficar estigmatizado por certa linha de filmes, “Sinto necessidade de variar, caso contrário te chamam para participar apenas em um mesmo tipo de produção”. Longe da fantasia, ele responde por um impressionante trabalho com duas grandes atrizes: ajudou na maquiagem que transformou Meryl Streep em Margaret Thatcher, no filme A Dama de Ferro (2011), de Phyllida Lloyd, e transformou a bela Tilda Swinton em uma senhora octogenária em O Grande Hotel Budapeste (2014), de Wes Anderson.

“Considero as duas linhas de trabalho, com personagens imaginários ou com os reais, igualmente desafiadoras e instigantes de conduzir. É a variedade de possibilidades e soluções que faz meu trabalho ser tão recompensador”. Ele completa comentando que é fascinante trabalhar com um talento como Tilda, por ela ser uma atriz naturalmente interessada na construção de sua personagem, em especial no aspecto visual – o que suas aparições públicas sempre über-estilosas deixam bem claro.

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Em seu ramo de atuação, é comum também por vezes ser contratado para apagar incêndios, para resolver rapidamente uma emergência em certos sets de filmagem. Este foi o caso do trabalho de apenas dois dias no filme Kick-Ass: Quebrando Tudo (2010): “Fui chamado para dar acabamento nos efeitos de maquiagem do personagem de Nicolas Cage, que no filme curiosamente morre queimado. Boa parte do trabalho já estava encaminhada. Precisei ser ágil e conciso, pois além da urgência de resultados, fui informado de que Cage detesta ficar muito tempo sentado para ser maquiado”.

Este respeito ao ator e seus humores, aliás, é uma regra a que ele se impõe. “Costumo ouvir música enquanto trabalho”, pondera, “mas depende sempre do ator: há aquele que prefere ficar em silêncio, como outros com quem até já dancei no set!”

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Antes de partir para o próximo compromisso de sua intensa agenda paulistana, ele concluiu a conversa lembrando de outro destes jobs “de poucos dias”, em que seu talento é empregado para a finalização dos efeitos: trata-se do filme brasileiro Não Pare na Pista (2014), de Daniel Augusto, que reconstituiu a trajetória artística e pessoal de Paulo Coelho (o ator Julio Andrade) até se tornar um escritor consagrado.

“Trabalhei com uma empresa espanhola, a DDT SFX, para cuidar da caracterização de envelhecimento do personagem, meu envolvimento foi bem pontual.” Se na imagem de Paulo Coelho seu investimento foi ligeiro, o próximo passo será mesmo finalizar o minucioso mergulho visual nos já iconográficos Derek Zoolander e Mugatu.