“No ramo musical, você só precisa aparecer para trabalhar, não precisa de nenhuma qualificação”, diz Zakk Wylde

Músico faz cinco apresentações no Brasil esta semana com o Black Label Society, passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo

Stella Rodrigues Publicado em 20/11/2012, às 12h31 - Atualizado em 22/11/2012, às 11h49

Zakk Wylde
AP

Alterada em 21 de novembro

Por causa de um problema com o equipamento na Alfândega, o show de Porto Alegre foi adiado para o dia 23 e o de Fortaleza foi cancelado. Saiba mais aqui.

Tem pouco mais de um ano que o Black Label Society tocou no Brasil, mas a banda de Zakk Wylde está de volta aos braços dos fãs brasileiros, que costumam receber o grupo muito bem. “Sempre me diverti muito aí. A turnê é completamente diferente da anterior, mudamos o set, tem várias músicas que a gente não toca há anos, com piano e tudo mais”, conta Zakk Wylde à Rolling Stone Brasil.

O divertido frontman conversou sobre vários assuntos com a reportagem, mas nenhum arrancou tantas risadas dele mesmo quanto o livro Bringing Metal to the Children, lançado este ano. “Basicamente, sou eu e o Eric [Hendrikx, coautor] sentando para conversar e rir de como é ridícula a indústria da música. A gente sempre se acabava de rir trocando histórias e falávamos que tínhamos que escrever um livro sobre toda essa coisa ridícula. A gente chorou de rir do começo ao fim. Você pode abri-lo em qualquer página e começar a ler e acabará rindo”, conta. “Em qualquer outro negócio... se você quer ser dentista, você tem que ir para a escola para isso. Se quiser ser soldador, precisa de uma licença e saber o que você está fazendo. No ramo musical, você só precisa aparecer para trabalhar. Não precisa de nenhuma qualificação. Absolutamente nenhuma. Você só precisa estar lá, mesmo que não saiba nada sobre contratos: ‘Ah, tudo bem, eu aprendo’. É isso que torna tudo tão engraçado e te faz ter esse elenco incrível de personagens, é deles que vem a comédia. Acho hilário, não dá para ficar bravo, o que dá para fazer é escrever a respeito e rir.”

A estrutura do livro se assemelha à de um guia, mas não da forma tradicional. “É mais um guia de como não fazer as coisas. Olho para quando eu tinha 17 anos e como minha percepção das coisas era diferente do que estava acontecendo. Hoje olho para trás e penso: ‘O que eu estava pensando?!’. É uma coisa de ‘aconteça o que acontecer, não tente isso, porque o tio Zakk tentou e não funciona!’”, ri.

Além do livro recém-lançado e a ocupadíssima turnê do Black Label, Wylde também está compondo o próximo disco do grupo, quase que sem querer. “Estou sempre compondo, mas o que geralmente acontece é que tenho um monte de coisas espalhadas, riffs, etc. Eu geralmente sou o primeiro a acordar, fazer o café para os caras, enquanto eles ainda estão dormindo. Nessa hora da manhã, sempre faço algumas coisas mais sossegadas, acústicas”, revela. “Umas coisas meio Eagles, Neil Young. Então, sempre tenho uma fornada de coisas por aí. Mas quando entro em estúdio com os caras e começamos a compor para valer, geralmente são as coisas mais recentes que você fez que mais te empolgam. Quando a gente chega lá, começamos a tocar de verdade e de repente temos umas 15 músicas.”

Este é Zakk Wylde hoje. O cara que acorda antes de todo mundo, faz o café e já começa a trabalhar. Se dedica à banda, aos quatro filhos e sequer bebe, algo muito distante dos dias de loucura e vício em substâncias do qual se recuperou. Mas ele garante que ainda é o mesmo homem de sempre.

“Todo mundo fala que tudo muda quando você tem filhos, eu nunca entendi isso. Eu ainda faço as mesmas coisas que fazia antes. Eu não bebo mais, mas eu faço as mesmas coisas que fazia quando eu tinha acabado de ter filhos. Ainda trabalho, toco um monte, brinco com os cachorros, vejo a luta com meus amigos, vou ao Hooters”, elenca. “A única coisa diferente é que as crianças enriquecem sua vida. Nunca senti que precisaria mudar nada, você ainda precisa ensaiar muito e trabalhar duro, isso nunca muda.”

Ainda faz parte dessa rotina de trabalho duro do músico a vida de ator ocasional, que fica de lado quando a agenda do Black Label se encontra no atual estado de lotação. “Vamos gravar no dia 16 de janeiro, na Califórnia, provavelmente no Nokia Theater”, conta sobre o atual projeto do grupo, paralelo à turnê, que deverá contar com orquestra, convidados, toda uma estrutura especial. O registro Unblackened, originalmente estava previsto para acontecer em agosto. “Tivemos um problema de logística, não deu tempo de fazer tudo a tempo, reunir todo mundo, instrumentos, ensaios, etc. Queria fazer tudo direito”, conta Wylde. A dedicação ao grupo deixa tão pouco espaço para outras atividades que a coisa mais próxima de um trabalho no cinema é o minifilme que ele planeja para os extras do DVD. “O Black Label é minha vida”, decreta. “Estou sempre envolvido com tudo, merchandising, filmagens, mixagem de disco, tudo. E eu amo isso.”

Black Sabbath

É uma posição única ser fanático por certa banda ou artista e ter a chance de tocar ao lado do(s) ídolo(s). Wylde é um desses poucos sortudos do mundo – e olha que o grupo que ele idolatra é o gigante Black Sabbath, e seu líder Ozzy Osbourne. Zakk Wylde é tão obcecado pela banda que batizou um de seus filhos de Sabbath e, se convencer a esposa, Barbaranne, a ter mais rebentos, poderá fazer outras homenagens no futuro.

“Eu mal posso esperar para ouvir o que os caras estão compondo”, diz ele sobre o novo disco do grupo britânico, que tem gerado ansiedade nos fãs como há tempos não se via. “Com Rick Rubin no comando tenho certeza de que será... tudo que Rick faz sai incrível”, diz, sempre elogiando o produtor. “Rick é muito fã da banda, não é só um trabalho pago para ele, ele tem paixão por isso.”

Zakk Wylde no Brasil

Porto Alegre

20 de novembro (as portas abrirão às 21h30, mas o show poderá atrasar por conta da detenção dos equipamentos do grupo na fronteira com a Argentina)

Bar Opinião – Rua José do Patrocínio, 834 – Cidade Baixa

R$ 140

Informações: (51) 3026-3602

Belo Horizonte

21 de novembro, a partir das 21h30

Belo Horizonte Music Hall - Avenida do Contorno, 3239 - Santa Efigênia

Entre R$ 30 e R$ 70

Informações: (31) 3461-4000

Fortaleza

23 de novembro, às 21h

Siará Hall - Avenida Washington Soares, 3199 - Edson Queiroz

R$ 90 (segundo lote) ou R$ 100 (terceiro lote)

Informações: (085) 3278-8400

Rio de Janeiro

24 de novembro, às 22h

Vivo Rio – Avenida Inf-d. Henrique, 85 - Glória

Entre R$ 160 e R$ 340

Informações: (021) 2272-2919

São Paulo

25 de novembro, às 20h

HSBC Brasil – R. Bragança Paulista, 1281 - Chácara Santo Antônio

Entre R$ 160 e R$ 360

Informações: (11) 4003 1212