A noite de Romero Lubambo e Mike Stern

Apesar do mau tempo, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival continuou no clima de festa

Antônio do Amaral Rocha Publicado em 11/06/2012, às 09h55 - Atualizado às 18h37

Romero Lubambo no Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

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Pisando na lama acumulada com a chuva da noite anterior (quinta, 7), aos poucos o público foi se compondo para acompanhar a terceira noite da maratona do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival.

Anunciado como uma sensação do line-up desta edição comemorativa de 10 anos do festival, o baixista camaronês radicado na França Armand Sabal-Lecco mostrou que é, por duas razões, impressionante: pela presença marcante no palco e pela forma vigorosa com que toca. Sua banda formada por teclado, guitarra, percussão e bateria dão o perfeito suporte para o seu baixo brilhar. Neste caso, o baixo com pedais é usado como instrumento solo o tempo todo. Armand toca fortemente nas cordas, ora percutindo levemente, ora fazendo escalas e harmonias intrincadas e usando a técnica do slap, em que brilha mais. O que impressiona é a precisão com que toca, gerando um balanço e suingue vigorosos. Nesta apresentação, o violonista brasileiro Romero Lubambo foi convidado ao palco e participou de dois números, proporcionando um duelo de baixo e violão de tirar o fôlego. Foi um show de fusion que confirmou o que já era esperado. Armand Sabal-Lecco fez uma das performances mais vibrantes desta edição do festival.

Mike Stern e Romero Lubambo, o segundo show da noite também prometia grandes emoções, que vieram a se confirmar com sobras. O guitarrista Mike tem aparência de menino, com longos cabelos já brancos, que incorpora na performance. Ele praticamente faz o que quer com o instrumento, usando pedais e conseguindo as distorções e as nuances sonoras através da modulação dos botões de controle, que usa o tempo todo. Toca rindo, fazendo caretas e quando termina uma sequência de improvisos dá socos no ar como se tivesse vencido a música. Por outro lado, Romero Lubambo, mais contido, em diversos momentos apenas pontuou o que Mike fazia. Mas surpresas ainda estavam por vir. Romero, que se notabilizou na música brasileira tocando violão com um dedilhado perfeito, acompanhando cantoras, produzindo e arranjando, “escondia” até então o seu lado de guitarrista, e nesta oportunidade mostrou porque estava no palco. Verdadeiros duelos de guitarras, com provocação e resposta, foi o que mais se ouviu. Romero também toca com alegria de menino, rindo o tempo todo.

No final do show, Romero propôs um desafio a Mike: acompanhá-lo improvisando em cima de um tema que ele chamou de “Bachião”, uma música intrincada com elementos de baião moderno. Um certo clima de suspense se estabeleceu e Mike só observava as diatribes que Romero estava fazendo ao violão. Em seguida veio a resposta de Mike, repetindo e improvisando sobre o tema. O que se viu foi a confirmação da genialidade dos dois músicos e os aplausos vieram como agradecimento do público a este momento de pura emoção.

Difícil, mas não impossível, foi a tarefa que coube ao guitarrista e cantor Duke Robillard, que se apresentou na sequência. Duke sabia dessa responsabilidade: segurar a atenção e conseguir a adesão da plateia depois do que tinham acabado de assistir. Mas como competência e experiência não se compram em qualquer bar de esquina, Duke brilhou com um set de blues, jazz e rock, fazendo uma saborosa fusão.

Para encerrar a noite, a Big Time Orchestra, de Curitiba, transformou o espaço Costa Azul num alegre bailão, executando temas clássicos arranjados para orquestra, em performances que envolviam coreografias ensaiadas com irreverência e descontração. E o público dançou ignorando a chuva.