Noite de samba

Fundo de Quintal, Mariene de Castro, Arlindo Cruz e outros convidados fizeram festa até amanhecer no Festival de Verão de Salvador

Por Bruna Veloso, de Salvador Publicado em 02/02/2009, às 21h06

O samba tomou conta do Festival de Verão nesta sexta-feira, 30. O encontro de Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Revelação, Mariene de Castro e Nelson Rufino rendeu o melhor show do palco principal na noite, que ainda recebeu Nando Reis, Asa de Águia, Natiruts e Jammil.

O Fundo de Quintal iniciou a roda às 3h20, com "Vai Lá, Vai Lá". "Você não samba, mas tem que aplaudir", verso de "A Batucada dos Nossos Tantãs", sintetiza o clima de reverência vindo mesmo daqueles que não têm "o samba no pé". Na terra que divide com o Rio de Janeiro o título de "berço do samba", o público mostrou que entende do riscado - e quem não tinha intimidade com o ritmo se remexia de um lado pro outro como podia. Turistas, talvez? Carlos Freitas, um dos organizadores do festival, explica que 30% do público do festival não é de Salvador.

Como nos dias anteriores, policiais militares e seguranças permanecem em ronda pela pista. Ironicamente, foi justo no início do show mais descontraído que surgiu a primeira briga, fazendo com que o público à frente do palco fosse espremido contra a grade de proteção. Rapidamente, todos os envolvidos foram retirados do lugar.

Cerca de 20 minutos depois do início do show, os sambistas convidaram Mariene de Castro ao palco. Com um vestido dourado de fazer inveja a Ivete Sangalo, a baiana mostrou, mais uma vez (na quarta, Mariene foi a última atração do palco Boteco do Samba), por que encanta o público local. Cantando "Abre Caminho" (faixa de abertura de seu primeiro e único disco, homônimo), "O Samba da Minha Terra" (mais do que apropriada para o momento) e "Ê Baiana" (de Clara Nunes, cantora com quem Mariene já foi comparada), a sambista deu corpo ao show em uma curta participação.

O grupo Revelação se juntou ao Fundo de Quintal em seguida, com letras mais românticas ("Velocidade da Luz", "Deixa Acontecer") e um desnecessário set de axé. Arlindo Cruz fez propaganda do canal de TV aberta que exibe o festival (para o qual compôs uma espécie de jingle), deixando o espaço livre para Dudu Nobre depois de "O Show Tem que Continuar". Ao amanhecer (em Salvador, o dia começa a clarear por volta das 5h), Mariene voltou ao palco para formar uma linha de frente ao lado de Arlindo e Dudu, fechando a noite - se tivessem continuado, o público que teve fôlego até ali facilmente teria permanecido no lugar.

Sucessão de hits

Nando Reis abriu a noite para uma platéia cheia, e com um set recheado de sucessos radiofônicos, entre eles "O Mundo É Bão Sebastião", "Os Cegos do Castelo" (de quando ainda fazia parte dos Titãs) e "Mantra". Lembrou Cássia Eller antes de "All Star" e terminou a apresentação com "Por Onde Andei". Apesar de se mostrar animado, Nando não conseguiu ganhar completamente o público, que aos poucos ia abarrotando a arena à espera do Asa de Águia.

Seguindo o que já é quase uma tradição, o vocalista Durval Lelys chegou em cima de uma moto, puxando em seguida "Dia do Asa". Uma sucessão de faixas que tocam exaustivamente durante o carnaval baiano (entre elas, "Quebra Aê", a mais executada durante o carnaval 2008 do Estado) sanou a vontade do público de pular. Cantando com uma entonação sempre muito semelhante em todas as faixas, e exagerando na guitarra em diversos momentos (o que virou marca do grupo e não incomoda quem dança na pista), Durval se apresenta com um boné para trás e uma calça branca cheia de adornos prateados laterais. Em "Gladiador", os vários meninos que compareceram com espadas de plástico balançaram o objeto ao ar. Pra terminar, o vocalista apresentou seu novo personagem (a cada temporada, ele cria um diferente), Zombalino. Fica difícil citar aqui todos os "linos" que fazem parte de sua história: Conde Draculino, Salvador Dalino, Shivalino... "Linos" à parte, sob a ótica de uma panorâmica pela arena, o público do Asa parece ter chegado perto do de Ivete Sangalo (a organização ainda não divulgou números oficiais).

Reggae Pop e balé "praieiro"

Em seguida, para um público menor, mas ainda com pique, o Natiruts mostrou o reggae pop que abriu caminho para diversas bandas do mesmo estilo nas rádios. As músicas mais conhecidas e apreciadas pararam em 2002, no álbum Quatro - os dois seguintes, Nossa Missão e Natiruts Reggae Power emplacaram menos faixas no gosto popular do que os anteriores. Da vista privilegiada de um dos camarotes (em uma parte alta, nas laterais do fundo do palco) observa-se toda a movimentação dos roadies, que além de ajustarem os instrumentos, trazem bebidas para os músicos. Depois da atmosfera mais calma do show, o clima de micareta voltaria a reinar com Jammil, que amarrou a apresentação com o mega hit "Praieiro", num mar de gente rodando camisas para o alto ou cruzando os braços acima da cabeça, em coreografia para o refrão da música.

Alanis x James Blunt

Alanis Morissette é a principal atração deste sábado, 31, último dia do Festival de Verão. Nesta turnê, a cantora marcou 11 shows no país - fora o de Salvador, ainda faltam cinco, inclusive os das capitais São Paulo e Rio de Janeiro.

Por pouco, a cantora não perdeu o posto de única artista internacional do Festival para James Blunt. Para alegria de quem é fã da canadense, Blunt foi descartado por conta de questões mercadológicas. "James Blunt foi um nome muito cogitado. Mas, nesse caso, primeiro teríamos que trabalhar o artista, mostrar quem é James Blunt. Daria muito mais trabalho do que você mostrar uma Alanis, que 'marketeiramente' já é um nome conhecido", explica Carlos Freitas.