Direto ao ponto

John Fogerty reviveu a magia do Creedence Clearwater Revival em São Paulo

Por Paulo Cavalcanti Publicado em 09/05/2011, às 15h46

John Fogerty relembrou sucessos do Creedence Clearwater Revival em SP

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O Creedence Clearwater Revisited, banda que tem em sua formação Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria), músicos originais do Creedence Clearwater Revival, já esteve várias vezes no Brasil. Mas John Fogerty, líder, vocalista, guitarrista e compositor do Creedence original, nunca tinha se apresentado por aqui. O músico debutou em solo brasileiro no Rio de Janeiro, no dia 6, no Citibank Hall. No dia seguinte, apresentou-se em Belo Horizonte, no Chevrolet Hall. Na noite deste domingo, 8, o show foi em São Paulo, no Credicard Hall, que recebeu um bom público, embora o local não estivesse lotado. Na verdade, Fogerty deveria ter tocado ontem em Curitiba, mas a data na capital paranaense foi cancelada.

Precisamente às 20h20, Fogerty, de 65 anos, trajando uma camisa xadrez azul, pisou no palco da casa de shows paulistana ao som de "Hey Tonight", uma das favoritas do público brasileiro. "Green River" veio depois, sintetizando toda a mistura de rockabilly, swamp rock, música do sul dos Estados Unidos e R&B que torna a música de Fogerty tão especial. O músico então falou: "Há muitos anos, eu estive em Nova York num lugar chamado Woodstock, ao lado de Carlos Santana, Jimi Hendrix, Sly Stone e outros. Esta música reflete esta experiência." Ele então atacou com "Who'll Stop The Rain", a primeira a levantar a noite.

Em outro dos poucos momentos em que falou à plateia, Fogerty lembrou: "Em 1968, a canção a seguir abriu as portas para mim e meus companheiros de banda". Ele tocou então "Suzie Q", original de Dale Hawkins e que foi revivida com maestria pelo Creedence em seu primeiro álbum. "Lodi", uma boa e nem sempre muito festejada canção de sua antiga banda veio na sequência. A cada faixa Fogerty trocava de instrumento e mostrava que é um guitarrista de rara versatilidade, fazendo solos intrincados, ou então simplesmente comandando o balanço da banda em sua guitarra rítmica. Com a voz ainda potente, Fogerty também não inventou e procurou interpretar as canções da mesma forma que foram gravadas nos discos de estúdio.

O rockabilly "Looking Out My Back Door" foi uma das canções nas quais Fogerty mostrou seu notável senso rítmico. "Born on The Bayou" também levantou a plateia, e nesta Fogerty esbanjou nos solos. "Ramble Tamble", normalmente repleta de improvisos, ganhou uma versão extremamente econômica. O momento "cantem juntos" aconteceu com a tradicional "Midnight Special". Fogerty a tocou de uma forma mais descontraída, eliminando um pouco do clima de ameaça que permeia a gravação original de estúdio do Creedence. "Commotion" e "Bootleg", canções que geralmente duram quase dez minutos, tiveram versões bem reduzidas. Mas Fogerty e sua banda improvisaram em "I Put a Spell On You", original de Screaming Jay Hawkins e que foi hit com o Creedence quando apareceu no primeiro LP da banda.

Depois do momento intenso, Fogerty veio com a balada soul "As Long As I Can See The Light" (outra que ele raramente tocava) e a divertida "Don't You Wish it Was True", de Revival, álbum solo que ele lançou em 2007. O músico então voltou ao microfone e falou (como das outras vezes, não arriscando nada em português): "Eu tenho uma filha maravilhosa. E a mãe dela tem tornado minha vida especial. Hoje é dia das mães. Eu dedico esta próxima canção a elas." Empunhando um violão, Fogerty cantou de maneira emocionada "Have You Ever Seen The Rain", sem dúvida a canção mais popular do Creedence no Brasil. Foi o ponto alto da apresentação, com todo mudo cantando junto e Fogerty sendo longamente ovacionado. Sem perder o pique, ele emendou com "Oh, Pretty Woman", mega-hit de seu amigo, o falecido Roy Orbison.

"Keep On Chooglin'", outra canção cheia de groove que Fogerty costuma estender, veio picotada na apresentação em São Paulo. Ele voltou às suas raízes musicais com o rock "Good Molly Miss Molly", original de Little Richard. Mais dois hits do Creedence vieram depois: "Down on The Corner" e "Up Around The Bend". Fogerty não tocou praticamente nada de sua carreira-solo, mas veio com "Old Man Down The Road", que lançou em 1985. Para encerrar esta parte do show, mais dois sucessos marcantes do Creedence: o rockabilly apocalíptico "Bad Moon Rising" e a politizada "Fortunate Son".

Fogerty agradeceu e saiu do palco, mas logo voltou para o bis. Ele entrou com "Rockin' All Over The World", canção que fez muito sucesso nos anos 80 com o grupo inglês Status Quo. Para fechar, "Proud Mary", a canção mais regravada do Creedence e que o próprio Fogerty considera seu maior standard. Depois que todo mundo pensou que já não haveria mais nada e parte do público já se encaminhava para a porta de saída, Fogerty retornou e tocou mais uma clássica do Creedence: a frenética "Travelin' Band". Uma parte dos fãs sentiu falta de "I Heard it Through the Grapevine", "Cottonfields" e o hit solo "Centerfield", canções que ele cantou no show do Rio de Janeiro.

Fogerty toca novamente no Credicard Hall, em São Paulo, nesta terça, 10.