My Chemical Romance

Show em SP foi ensurdecedor e sem fantasias

Por Pablo Miyazawa Publicado em 19/02/2008, às 19h49 - Atualizado em 20/02/2008, às 16h41

Gerard Way, que não economizou na conversa
Otavio Sousa

O My Chemical Romance foi responsável por uma apresentação correta, barulhenta e que cumpriu os desejos secretos de qualquer um que se declare fã ardoroso da banda de Nova Jersey - no caso, praticamente 95% do público presente ao Via Funchal (São Paulo) na noite de ontem poderia ser enquadrado nesta classificação.

Pontualmente às 21h30, a banda entrou com "This is How I Disappear", emendada com "Dead!", ambas faixas de abertura de The Black Parade, o aclamado disco mais recente do quinteto. As faixas do álbum de 2006, freqüentemente eleito pela crítica como um dos melhores daquele ano, se alternavam com músicas dos dois anteriores, I Brought You My Bullets, You Brought Me Your Love (2002) e Three Cheers for Sweet Revenge (2004). Para os fãs, adolescentes em sua maioria (uma proporção de 60% de público feminino, com 16 anos de idade, em média), qualquer música servia de motivo para gritaria, cantoria (sem embromação por parte do público), braços levantados e muitas fotografias (impressionava a absurda quantidade de câmeras e celulares apontados para o palco a qualquer momento, mesmo nos intervalos).

A zoeira sonora causada pela platéia era tamanha que dificultava a distinção da massa instrumental bem trabalhada do MCR. Na primeira metade do show, que durou uma hora e quarenta minutos, o volume do som era tão alto que beirava o insuportável, mesmo em baladas relativamente mais amenas como "I Don't Love You". "Mama", que no disco trouxe a participação de Liza Minelli, ganhou coro empolgado, assim como "Welcome to the Black Parade", a música que dá o clima do disco conceitual, que soa mais como uma homenagem não declarada ao rock épico do Queen.

O vocalista Gerard Way, carismático, conversava com a platéia a todo tempo, arriscava saudações em português e incitava seus fãs a interagirem. Em dado momento, pediu aos "garotos da platéia" que tirassem as camisetas e as girassem por cima da cabeça. A ordem acabou sendo acatada também por diversas meninas, que não se acanhavam em assistir ao show com seus sutiãs à mostra. Antes do hit "Teenagers", Gerard fez uma homenagem pessoal ao artista paulistano Gabriel Ba, que ilustrou a graphic novel "The Umbrella Academy", escrita pelo vocalista e publicada no exterior pela editora Dark Horse. Não por coincidência, o baixista Mikey Way, irmão de Gerard, usava uma camiseta preta decorada com um símbolo relacionado ao quadrinho criado pelo ilustrador brasileiro.

A platéia estava ganha e o ritmo com que os hits eram tocados não dava nem tempo de os fãs irem ao banheiro arrumar a franja. E por falar em moda, acabou fazendo falta o interessante figurino gótico-militar e as performances estilizadas que marcaram os shows do início da turnê de The Black Parade. Sem isso, sobrou a música - quando era possível ouvi-la. O carisma do grupo fez o resto.