Com show morno, MGMT encerra o Tim Festival

Público que lotou a arena à espera da dupla saiu decepcionado com show menos pop; The National foi atração da noite

Por Bruna Veloso Publicado em 27/10/2008, às 12h43

O público veio de faixas e cordões amarrados na testa em homenagem ao MGMT, principal atração da última noite do Tim Festival em São Paulo, mas quem ganhou as atenções e surpreendeu os ouvintes foi o The National.

Tocando músicas de seus dois últimos álbuns (a banda tem quatro, nenhum deles lançado oficialmente no Brasil), o grupo liderado pelo vocalista Matt Berninger agradou a platéia repleta de indies modernosos da Arena, que apesar de estar esperando pelo lado mais dançante do MGMT, se rendeu ao som obscuro, com um quê de Joy Division, do quinteto nova-iorquino.

Com a tarefa de abrir para a dupla, o The National fez muito mais do que um show introdutório, botando o público para pular ao som de "Start a War", primeira faixa da apresentação. Em "Brainy", uma das melhores músicas do álbum Boxer, de 2007, os metais destacados (trombone e trompete) e o vocal grosso e conciso de Berninger fizeram lembrar o Morphine (que também se apresenta de com ares de tensão, mas com um som mais voltado ao jazz e centrado no saxofone de Dana Colley).

Em "Secret Meeting", a banda ameniza os ares soturnos e bota o público para dançar. O The National tem como integrantes oficiais, além do vocalista, dois pares de irmãos - Aaron Dessner (baixo), Bryce Dessner (guitarra), Bryan Devendorf (guitarra) e Scott Devendorf (bateria). O australiano Padma Newsome reforça o som da banda com teclados e violino, que toca de um jeito apaixonado, como se fosse a última apresentação de sua vida. Em "Baby, We'll Be Fine", o músico segura o instrumento na horizontal, como um violão - mas só consegue ser ouvido lá pelo meio da música, quando o som foi aumentado, fazendo o violino se destacar em meio às batidas de Scott na bateria.

Berninger se apresenta de forma quase sempre contida, soltando-se poucas vezes em pulos pelo palco. Batendo a palma da mão na coxa ou a colocando na altura do peito, ele cantou de forma intensa e parecia feliz com a resposta da platéia ao som de sua banda. Em alguns momentos, deixou o microfone de lado para gritar versos na beira do palco. Próximo ao final do show, ele conversou com alguém da platéia ao receber uma foto de um bebê - a imagem era de uma pessoa da platéia, e foi devolvida ao dono pelo vocalista. Depois de cerca de uma hora, a banda encerrou com "About Today", com um longo trecho instrumental e o violino alto, dando ares de drama à melhor seqüência musical da última noite do Tim.

Roupas coloridas e com referências aos anos 1960, com meninas e meninos de batas e longos colares, vestiam boa parte dos jovens que lotaram o galpão montado no Parque do Ibirapuera, à espera do MGMT. Por volta das 23h30, o tecladista Ben Goldwasser entra produzindo um som de órgão lembrando um funeral, enquanto Andrew VanWyngarden, a outra metade da dupla, reproduz uma espécie de ritual com uma arara repleta de penduricalhos e bichos de pelúcia. Acompanhada de uma banda composta por baixista, baterista e guitarrista, a dupla comandou a platéia mais volumosa dos quatro dias de Arena em São Paulo.

"4th Dimensional Transition" abriu o show, dando início à viagem psicodélica da banda às décadas de 60 e 70. Ao vivo, o MGMT perde muito dos elementos que o fazem soar tão original em CD, deixando em segundo plano sons mais delicados do teclado de Ben para dar lugar ao peso das guitarras. Perto das caixas de som, o exagero no volume fazia surgir um "vento" artificial em direção à platéia, que pareceu decepcionada com a opção da banda por uma sonoridade menos pop ao vivo.

Com "The Youth", uma das faixas mais etéreas de Oracular Spetacular, único disco do MGMT (que no início da carreira se apresentava como Management), o retorno do público cresce em gritos. "Electric Feel" arranca muitas palmas e faz os indies de plantão pularem em conjunto. Introduzida por uma guitarra rasgada, com resquícios do hard rock, "Time to Pretend" leva a arena abaixo. A música mais conhecida do MGMT não perde o toque eletrônico e a base quase eletro do teclado, mas fica muito mais pesada que na versão de estúdio. Em uma espécie de sátira à geração de rock stars junkies, com a máxima "live fast, die young" (que é usada em um dos versos da música), o MGMT teve seu auge - depois da música, a banda não conseguiu manter a animação do público, que foi, aos poucos, se dispersando em direção aos banheiros e bares.