Intérprete de Justiceiro em Demolidor diz que personagem apoiaria filosofia “bandido bom é bandido morto” na política

Outra estreante, Elodie Yung vive Elektra no segundo ano da série da Netflix: “Me perguntam se teve alguma ‘pressão’, e acho que não senti isso”

Lucas Brêda Publicado em 08/04/2016, às 17h58 - Atualizado às 19h12

Frank Castle (Justiceiro, vivido por Jon Bernthal) e Matt Murdock (Demolidor, vivido por Charlie Cox) em imagem da segunda temporada de <>Demolidor

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“Eu tenho que ficar arrumada”, diz, simpática, mas desconfortável, a atriz Elodie Yung, enquanto tem a maquiagem retocada antes de mais uma entrevista sobre Elektra, heroína que ela estreia na série Demolidor. A francesa não se sente à vontade mantendo a elegância injustamente exigida para uma mulher prestes a ser filmada.

Assim como Elektra, ela é atrevida e não esconde o que pensa. “Me perguntam se teve alguma ‘pressão’ por ser a Elektra, e acho que não senti isso”, diz. “Fiquei assustada pensando em fazer exatamente o que os roteiristas queriam. Mas não foi assim. Eles disseram: “Esta é a bebê, agora divirta-se com ela!”

Elektra é uma das novidades da segunda temporada de Demolidor, série da Marvel cujos novos episódios chegaram à Netflix no fim de março. Antiga paixão do protagonista Matt Murdock, ela volta à vida do advogado, exalando confiança com golpes ágeis e um desafiador sotaque europeu. Além dela, o segundo ano recebe outro personagem dos quadrinhos.

Vivido por Jon Bernthal, o Justiceiro (álter ego de Frank Castle) eleva o nível de violência e senso cego de justiça do bairro nova-iorquino de Hell’s Kitchen. Para Bernthal, entretanto, o sanguinolento Frank Castle não deve ser visto como vilão.

“Ele é só um cara que passou por eventos severamente traumáticos”, justifica. “Perdeu a família, tem raiva, vergonha e uma missão pessoal: procurar e matar – da maneira mais brutal possível – as pessoas que assassinaram a família dele”.

O ator acredita que o formato de Demolidor (13 horas de trama) é uma vantagem para ele – o que se estende a Charlie Cox, que vive Murdock – honrar o personagem das HQs, que já foi retratado desastrosamente (pelo menos para os fãs) nas telonas. “É muito importante Frank não ser introduzido diretamente como o Justiceiro”, analisa Bernthal, ressaltando os flashbacks e a complexidade de como Castle é representado.

“Justiça é um tema interessante: parece que todo mundo quer justiça, salvar o mundo”, diz. “Mas acho o importante aqui é a justiça pessoal. E quando é assim, torna-se algo que só importa a si mesmo. É por isso que esses personagens – como o Demolidor e Justiceiro – entram em conflito.”

“Bandido bom é bandido morto”

Na primeira temporada, Murdock é um justiceiro intenso, indo atrás de quem comete crimes para estabelecer a paz em Hell’s Kitchen. Ele, entretanto, sempre viveu um conflito interno: seu ímpeto era sempre brecado quando a situação envolvia o assassinato de algum criminoso.

Com a chegada – e o desenvolvimento – de Castle, há um choque. O Justiceiro não impõe a si o mesmo limite de Murdock, incorporando um personagem sanguinário e impiedoso, que mata quem ele considera “bandido”.

No Brasil, a dinâmica desenvolvida pelo novo personagem encontra um paralelo interessante na política. Em 2014, o deputado estadual de São Paulo eleito com o segundo maior número de votos foi o Coronel Telhada, ex-funcionário da Rota, a tropa de elite da Polícia Militar, cujo slogan defendido diz que “bandido bom é bandido morto.”

Na entrevista à Rolling Stone Brasil, Bernthal foi questionado se ele acha que Castle, o Justiceiro, apoiaria o candidato brasileiro, caso fosse possível. “É uma boa pergunta”, diz. “Acho que o Frank Castle do começo da temporada não estaria preocupado com nada do que esse cara [o Coronel Telhada] diz. Ele estaria indo atrás das pessoas que mataram a família dele.”

O ator seguiu: “Conforme o personagem se desenvolve, Frank cria uma filosofia e uma maneira própria de lidar com a melancolia na qual ele vive. E, assim, ele vai atrás de bandidos, de matar caras maus que ele acha que são direta ou indiretamente responsáveis por algo. Então acho que sim, no fim, esta é uma filosofia que ele poderia apoiar.”