Novo disco de Bruce Springsteen chega no dia 14 de janeiro

High Hopes é uma mistura de covers, sobras de estúdio e faixas regravadas

Rolling Stone EUA Publicado em 25/11/2013, às 14h22 - Atualizado às 14h32

Bruce Springsteen
Divulgação/Facebook

Bruce Springsteen vai lançar High Hopes, um disco eclético que combina covers, regravações de faixas antigas e sobras de estúdio da última década, no dia 14 de janeiro. "Essas são músicas que sempre achei que tinham que ser lançadas”, disse Springsteen em um comunicado. Um vídeo do primeiro single, "High Hopes", acaba de ser divulgado (veja abaixo).

“A energia das performances foi intensificada”, diz fundador da Rolling Stone EUA sobre a passagem de Bruce Springsteen pelo Brasil.

Originalmente, o álbum teria como foco material da última década que acabou não sendo lançado, mas os planos mudaram durante os ensaios para a perna australiana da turnê de Springsteen com a E Street Band, que teve o guitarrista Tom Morello, do Rage Against the Machine, substituindo Steve Van Zandt. Morello deu a sugestão de que eles apresentassem "High Hopes", uma música de Tim Scott McConnell que Springsteen havia gravado originalmente com a E Street Band em 1995.

Em show de mais de três horas, Bruce Springsteen toca Raul e celebra noivado em São Paulo.

"Regravamos durante a turnê, nos Studios 301, em Sydney, junto a ‘Just Like Fire Would’, música de uma das minhas bandas preferidas de punk australiano, The Saints. Tom e a guitarra dele se tornaram minha musa, isso elevou todo o projeto a outro nível”, disse ele em um comunicado (leia a íntegra abaixo).

Na edição de setembro da Rolling Stone Brasil, contamos tudo sobre a turnê de Bruce Springsteen e o maior show de rock da atualidade.

High Hopes tem uma cover de “Dream Baby Dream”, que foi gravada originalmente em 1979 pelo Suicide, banda punk de Nova York. Springsteen costumava tocar a música na turnê acústica que fez em 2005.

Três das outras canções - "The Ghost of Tom Joad". "American Skin (41 Shots)" e "The Wall" – já apareceram ou em shows ou em outros álbuns de Springsteen. "Eu achava que estavam entre minhas melhores composições”, disse Springsteen. “E merecem uma gravação de estúdio bem feita.”

As faixas restantes são sobras de álbuns que Springsteen gravou depois de se reunir com a E Street Band em 1999. Os falecidos integrantes da E Street Band Danny Federici (tecladista) e Clarence Clemons (saxofonista) aparecem em várias músicas de High Hopes, mas não ficou claro em quais delas. O disco foi produzido por Ron Aniello com Bruce Springsteen, apesar de Brendan O'Brien ter recebido crédito de produtor em quatro das faixas. Ele foi gravado em Nova York, Nova Jersey, Los Angeles, Atlanta e Austrália.

Abaixo, a tracklist completa de High Hopes e a longa nota escritas por Bruce Springsteen a respeito do disco.

"High Hopes" (Tim Scott McConnell) – com Tom Morello

"Harry's Place" – com Tom Morello

"American Skin (41 Shots)" – com Tom Morello

"Just Like Fire Would" (Chris J. Bailey) – com Tom Morello

"Down in the Hole"

"Heaven's Wall" – com Tom Morello

"Frankie Fell in Love"

"This Is Your Sword"

"Hunter of Invisible Game" – com Tom Morello

"The Ghost of Tom Joad" – dueto com Tom Morello

"The Wall"

"Dream Baby Dream" (Martin Rev e Alan Vega) – com Tom Morello

Eu estava trabalhando em um disco que teria parte do nosso melhor material da década passada quando Tom Morello (que estava substituindo Steve durante a porção australiana da turnê) sugeriu que a gente deveria acrescentar "High Hopes" no setlist. Eu tinha gravado "High Hopes", uma música de Tim Scott McConnell, na década de 90. Planejamos tudo durante os ensaios para a Austrália e Tom arrasou com a música. Regravamos durante a turnê, nos estúdio Studios 301, em Sydney, junto a "Just Like Fire Would", uma música de uma das minhas bandas preferidas de punk australiano, The Saints. Tom e a guitarra dele se tornaram minha musa, isso elevou todo o projeto a outro nível. Obrigado pela inspiração, Tom.

Algumas dessas músicas, como "American Skin" e "Ghost of Tom Joad", vão soar familiares por causa das versões ao vivo que fizemos. Eu acho que estão entre minhas melhores composições e merecem uma gravação bem feita de estúdio. "The Wall" é algo que eu toquei no palco algumas vezes e que continuo adorando. O título e a ideia são de Joe Grushecky, e a música apareceu depois que eu e Patti visitamos o Memorial dos Veteranos do Vietnã, em Washington. Foi inspirada por memórias de Walter Cichon. Walter foi um dos grandes e primeiros roqueiros de Jersey, que junto ao irmão dele, Ray (um dos meus primeiros mentores na guitarra) comandava o Motifs. O Motifs era uma banda de rock local que estava sempre um passo à frente de todo mundo. Cru, sexy, rebelde, eles eram heróis e você queria ser como eles. Mas eram heróis nos quais você podia encostar, com quem podia falar e fazer perguntas sobre música. Eram cool, mas sempre acessíveis, eram uma inspiração para mim e muitos outros músicos da década de 60, em Nova Jersey. Apesar do meu personagem em "The Wall" ser da Marinha, Walter foi do Exército, na verdade. Ele foi a primeira pessoa de quem estive diante que estava cheia daquela mística de rockstar. Walter desapareceu durante a guerra no Vietnã em março de 1968. Ele ainda se apresenta com alguma frequência na minha mente - a postura dele, como se vestia e segurava o tamborim, o jeito cool casual, a liberdade. Um homem que com a atitude e o jeito de andar dizia “você pode desafiar tudo isso, tudo que está aqui, tudo que te ensinaram, que te ensinaram a temer, amar, e ainda assim vai ficar tudo bem". A perda dele foi terrível para nós, as pessoas que o amavam e a cena musical local. Ainda sinto falta dele”.

Essas são múicas que sempre achei que precisavam ser lançadas. Os gngsteres de "Harry's Place", os roomates de "Frankie Fell in Love" (com sombras de eu e Steve fazendo nada no nosso apartamento em Asbury Park), os viajantes de "Hunter of Invisible Game" e o soldado visitando um amigo de "The Wall", achei que todos eles mereciam um lar e uma audição. Espero que gostem,

Bruce Springsteen