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Novo Duro de Matar se perde em sentimentalismo raso

Quinto filme da franquia estrelada por Bruce Willis chega ao Brasil nesta sexta-feira, 22

Pedro Antunes Publicado em 22/02/2013, às 11h51 - Atualizado às 12h48

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<i>Duro de Matar - Um Bom Dia Para Morrer</i> - Divulgação
<i>Duro de Matar - Um Bom Dia Para Morrer</i> - Divulgação

John McClane já salvou o Natal, os Estados Unidos e o mundo. Agora, a missão é mais espinhosa: resgatar a relação com o filho Jack. Com interesse em se tornar o "pai do ano", o personagem de Bruce Willis volta às telonas com o quinto Duro de Matar – Um Bom Dia para Morrer, desta vez acompanhado por Jai Courtney, que interpreta o grandalhão pimpolho dele.

Acontece que McClane nunca foi dado a sentimentalismos. Sua fórmula de sucesso, usada com gosto nos três primeiros filmes da franquia, de 1988, 1990 e 1993, e reformulada com a adição de hackers e modernidades em Duro de Matar 4.0, era baseada em humor barato de tiradas rápidas e tiros disparados de forma mais veloz ainda. Ele era, afinal de contas, o clichê do policial hollywoodiano: workaholic e distante da família. Tantos anos depois, reformulá-lo seria uma ideia instigante, se não esbarrasse no roteiro pouco consistente de Skip Woods (X-Men Origens: Wolverine e Esquadrão Classe A) e em diálogos profundos como uma poça d'água na calçada, conduzidos pelo diretor John Moore (Max Payne).

São muitas as cenas em que pai e filho se veem diante de um inapropriado momento para trocar farpas e, com o passar o tempo, palavras de afeto. Oras, anos de distanciamento dificilmente seriam resolvidos à base de munição trocada com bandidos. Ainda assim, lá esta McClane, na Rússia, ao saber que o filho havia sido preso, tentando chegar ao tribunal onde Jack seria julgado.

Como de praxe na série, a confusão sente o cheiro do policial. E ele, por sua vez, parece ter perdido o faro que tantas vezes o salvou. Enquanto a corte russa sofre um atentado de proporções gigantescas e o filho, na verdade um agente de espionagem disfarçado para levar o prisioneiro em segurança, tenta completar sua missão de três anos de planejamento, McClane está indiferente. “Jack”, grita ele. “Fale comigo!”, pede, enquanto terroristas disparam suas supermetralhadoras contra tudo e todos.

O velho McClane é salvo pelo novo – uma versão maior, mais musculosa, menos calva e visivelmente mais bem treinada para situações de risco. Ainda que o jeitinho e a malandragem de John tenham espaço no mundo contemporâneo, ele já encontra dificuldade para achar brecha entre as linhas inimigas. O que antes era resolvido com criatividade, agora chega ao fim na base da força bruta.

A trama segue na Rússia e na Ucrânia e escancara uma tentativa de abraçar a globalização do cinema de ação pós-Identidade Bourne, mas o cenário é indiferente para aquilo que Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer se propõe e apenas justifica vilões estereotipados, como os piores dos filmes de James Bond durante a Guerra Fria. Alik, terrorista interpretado por Radivoje Bukvic, na tentativa de se mostrar frio e insano, sapateia e – veja bem – come uma cenoura enquanto confronta pai e filho.

Mas o filme também apresenta muito do que se espera dele – entenda-se: tiros, sangue e explosões em sequência. Enquanto McClane segue quase sem ser atingido, como sugere o título da franquia, helicópteros e carros-fortes são destruídos a esmo. Incansáveis perseguições e suas conclusões imprevisíveis – ou previsíveis, depois de certo tempo – são recebidas com simpatia depois do segundo diálogo dispensável entre pai e filho. Logo no início do longa, depois de uma cena de amor familiar testemunhada por McClane e Jack, o primeiro pergunta: “Você quer um abraço?” A resposta da cria é rápida: “Não somos uma família de abraços”. Pois é, McClane, você deveria ter deixado o posto de "pai do ano" para outro, seria mais proveitoso.