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Notícias / Polêmica

O diretor que supostamente gastou US$ 11 milhões da Netflix em criptomoeda, carros de luxo e mais, segundo jornal

Segundo The New York Times, streaming investiu US$ 55 milhões ao todo para série de Carl Erik Rinsch que teve nenhum episódio finalizado

Carl Erik Rinsch (Foto: John Sciulli/Getty Images for Team One, Saatchi LA)
Carl Erik Rinsch (Foto: John Sciulli/Getty Images for Team One, Saatchi LA)

Responsável por 47 Ronins (2014), filme estrelado por Keanu Reeves que foi fracasso de público e crítica, Carl Erik Rinsch supostamente deu grande prejuízo à Netflix. Segundo informações do The New York Times, o cineasta gastou quase US$ 11 milhões do streaming em ações de criptomoeda, carros de luxo, roupas de marca e móveis, para produzir uma série de televisão de ficção científica sobre humanos artificiais.

Diretor de comerciais, Rinsch tem 47 Ronins como único longa-metragem no currículo. Para conseguir vender a ideia para estúdios ou streamings, ele financiou a produção com dinheiro próprio e contratou principalmente atores e equipe da Europa - decisão responsável por reduzir custos, além de evitar regras dos sindicatos de Hollywood.

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Os primeiros problemas começaram a surgir nas filmagens, que tiveram cronogramas rigorosos. Por exemplo, ele teria insistido em fazer gravações de 24 horas seguidas no Quênia, segundo dois integrantes da produção ao jornal. Já na Romênia, a atriz principal supostamente pegou hipotermia em decorrência de uma cena com as pernas descobertas na neve, e ela precisou ser levada às pressas para um hospital.

Então, Carl Erik Rinsch teve ajuda financeira com investimento da produtora 30West, apoiada pelo empresário bilionário Dan Friedkin. O diretor teria perdido o prazo e a empresa ameaçou tomar posse do projeto. Keanu Reeves, estrela de 47 Ronins que virou amigo de Rinsch nas filmagens do longa, salvou a série e virou produtor, cargo também exercido por Gabriela Rosés Bentancor, esposa do cineasta.

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Com o dinheiro de Reeves, Rinsch conseguiu editar seis episódios curtos de quatro a 10 minutos. Esse material foi utilizado para apresentar às grandes empresas de streaming uma primeira temporada de 13 episódios no total e que somavam 120 minutos (duas horas). Na época, serviços de streaming estavam em uma corrida por conteúdo para atrair novos assinantes e ganhar mais dinheiro.

Rinsch quase fechou com a Amazon um acordo de oito dígitos, mas Netflix teria feito uma proposta mais generosa financeiramente, além de dar total liberdade criativa. No futuro, os executivos da empresa se arrependeriam dessa decisão. A plataforma de streaming investiu US$ 55 milhões e, até o momento, a série teve nenhum episódio concluído.

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Assim como as filmagens iniciais, os bastidores eram caóticos. Por exemplo, em e-mails, o diretor supostamente compartilhava teorias da conspiração bizarras sobre covid-19, e também afirmava como era capaz de prever a queda de raios.

Já na grana, Netflix transferiu US$ 11 milhões para a produtora de Rinsch, com intuito dele fazer o trabalho de pré-produção da versão mais longa do roteiro. O diretor teria que usar o restante do dinheiro (US$ 44 milhões) para terminar e entregar a primeira temporada originalmente acordada.

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Porém, desses US$ 11 milhões adicionais, US$ 10,5 milhões foram transferidos à conta pessoal dele na Charles Schwab. Com esse dinheiro, ele fez apostas arriscadas no mercado de ações (e faturou US$ 27 milhões), segundo cópias de seus extratos bancários e de corretagem incluídos no caso de divórcio obtidas pelo The New York Times. Além disso, Carl Erik Rinsch gastou milhões de dólares para comprar cinco Rolls-Royces, uma Ferrari, móveis e roupas de marca.

Como o jornal relatou, atualmente, Rinsch e a Netflix estão envolvidos em um processo de arbitragem confidencial iniciado pelo diretor, que alega como a empresa violou o contrato e lhe deve pelo menos US$ 14 milhões por danos. A empresa negou as acusações e classificou os pedidos dele como uma extorsão.

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