O fenômeno do reggaetón chamado Ozuna [Exclusivo]

Maior recordista do gênero, porto-riquenho coloca o reggaetón no topo mundo e lidera invasão definitiva do ritmo criado na ilha do Caribe na música pop

Diego Ortiz, editor da Rolling Stone Colômbia Publicado em 12/09/2020, às 10h00

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Sete meses após o início da pandemia mais letal do século, numa manhã de verão, Ozuna está na sua casa em Miami. Veste um casaco azul dos Lakers, tênis, bermuda e um relógio que parece mais caro do que sua mansão. Está indo para um jogo improvisado de basquete com alguns dos seus colegas. O isolamento não é mais uma opção, além disso, no sul da Florida, diferente de outras cidades dos Estados Unidos e América Latina, a emergência sanitária tem sido controlada com certas liberdades e autocontrole.

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O cantor porto-riquenho, que atualmente finaliza seu novo álbum ENOC, leva um lenço azul que amarra seus dreads. Não está fácil para Ozuna. Considerando a forte concorrência no que é chamado de "música urbana" atual, com centenas de artistas no mesmo lugar, pode ser trabalhoso ser original em gênero em que muita gente acredita ter ouvido tudo. Após quatro álbuns, várias dúzias de sucessos, quatro anos no ápice dos rankings latinos e de ser o artista latino mais ouvido no Youtube, Ozuna tem desenvolvido um esquema de trabalho experimental que o tem levado a ser o hitmaker mais importante da música em espanhol.

“Para manter isto realmente você precisa ser versátil. Não é questão de lançar todo o que se grava de uma vez só… Eu gravo em certo momento um rap para estar focado e que os versos saiam como tem que ser.” O som de Ozuna, que está em constante evolução, tem marcado o caminho para muitos dos artistas que querem ser ouvidos nas discotecas. “Às vezes, gravo muitas coisas que nunca lanço. É uma prática, como um músculo. É mais ou menos a mesma coisa”, diz o artista.

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Descobriu uma fórmula direta para o sucesso que se baseia na simplicidade das faixas, no romântico das letras, a potência da voz e a capacidade melódica; a diferença entre muitos outros artistas que encontraram no auto-tune seu sistema de afinação. O nome de Ozuna está registrado em várias das músicas mais reconhecidas da história do reggaetón, como colaborador dos maiores representantes do som, caso de Daddy Yankee, Bad Bunny, Cardi B e J. Balvin.

O domínio do reggaetón na música pop

Em novembro de 2019, recebi uma mensagem do manager do artista com um convite para assistir aos ensaios da apresentação de Ozuna no Grammy, mas eu estava a oito mil milhas de distância - dezoito horas de avião, três escalas e a dois continentes mais afastados dos Estados Unidos. Caminhava pelas ruas de Shangai, China, com minha companheira de viagem, uma editora de moda reconhecida hispanoparlante."Quero perreo intenso hoje a noite”, diz ela. "Perreo intenso" um modismo latino que sugere dançar reggaetón sexualmente, equivalente ao "rebolar a bunda" em português.

Trata-se de uma frase que, provavelmente, só é entendida por pessoas da América Latina. Ela diz isso antes de entrar num clube local de moda alternativa na cidade. (Não pensem que é aqueles tipos de discotecas de Miami ou Las Vegas com robôs que saem do teto). Não presto muita atenção no comentário, mas percebo o sarcasmo. Geralmente os latinos gostam de reggaetón, logo, compreendo o desejo.

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O lugar é um rooftop com uma das melhores vistas do mundo. No meio de várias disjuntivas culturais; por um lado está a China tradicional, comunista e conservadora e, do outro lado, uma das cidades mais modernas e cosmopolita do mundo. Quando começamos dançar, mesmo que aparentemente não fossemos os únicos latinos do lugar, foi impossível não chamar a atenção; latinos dançando Salsa! Está claro que em termos populares, não profissionais, nós, latinos, somos os melhores dançarinos e dançarinas do mundo.

Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)
Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)

E é algo que vai além da música, do gênero ou da academia. Crescemos ouvindo salsa, bachata, champeta, merengue e son. As pessoas da nossa geração, aprendemos dançar por uma necessidade do ser humano: a conquista.

Minutos mais tarde começou uma descarga latina. Primeiro alguns clássicos da salsa,
depois, hit após hit do reggaetón: "Quiero Repetir", "Mi Gente", "Escápate Conmigo", "Criminal", "Despacito" , "Calma", "Vaina Loca". Em momentos me transportava para vários dos melhores lugares de música latina do mundo, como La Descarga em Los Angeles ou Bazurto Social Club em Cartagena, Colômbia. Entendi rapidamente a relevância da música latina na noite e nas discotecas do mundo todo, algo que muitos temos criticado abertamente.

O gênero tem recebido críticas em vários países hispanofalantes, precisamente, por ser “só música de discoteca”. Como se curtir da dança nos enchesse de complexos que impedem reconhecer a importância que tem adquirido o gênero na última década. Eu duvido que Tego Calderon se sentisse envergonhado porque sua música era número 1 nas discotecas nos anos 1990, ou que Daddy Yankee se preocupasse por algum comentário radical da crítica especializadaquando fez que o mundo inteiro dançasse com seu grande hit "Gasolina".

Quando você ouve música em espanhol estando muito longe e no meio de culturas tão diferentes à latina, você sente uma saudade e um orgulho iminente. "Quiero Repetir", uma música colaborativa entre Ozuna e J Balvin, estava tocando melhor momento da noite num dos clubes mais inesperados e afastados da América Latina. O êxtase do “perreo intenso” estava começando. Alguns minutos depois, tínhamos um grupo de estranhos ao redor, dançando com a gente. Daí para a frente, e durante mais duas horas, toda a música foi em espanhol e, na sua maioria, reggaetón.

Ozuna, hitmaker 

Uma coisa que chamou a minha atenção foi que na maioria dos grandes hits musicais que são tocados nos clubes do mundo, há uma voz que se repete constantemente: Ozuna. O artista de reggaetón com as melhores estatísticas digitais de todos os tempos e o maior número de semanas nos rankings oficiais. Em maio Ozuna esteve em Porto Rico, uns dias antes do lançamento do single "Caramelo", uma música que fala sobre uma relação impossível.

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Como tem sido a constante para todo o mundo, o artista de 28 anos Juan Carlos Ozuna Rosado, melhor conhecido como Ozuna, é uma vítima da insaciável crise que tem ocasionado a pandemia na indústria da música. “Não, irmão, isto está muito difícil. E eu acho que é igual para todo o mundo. Eu estou sem fazer shows e você sabe que a gente está acostumado a estar rodando”, diz com seu sotaque porta-riquenho do outro lado do telefone. Ele está trabalhando em segredo no que será seu novo álbum. Um disco de reggaetón clássico.

Ozuna nasceu em San Juan, Porto Rico e cresceu entre duas culturas do caribe. A mãe é porto-riquenha e o pai, um dançarino do rapper Vico C, que morreu quando ele tinha 3 anos, era da República Dominicana. Graças a sua avó paterna, que assumiu criança, ele cresceu afastado do entorno perigoso das ruas e das gangues de Porto Rico. Esteve protegido num ambiente saudável ao redor da escola e do trabalho.

“Minha avó sempre me ensinou a trabalhar, a entender que é necessário trabalhar muito pelo que a gente quer, porque ninguém vai fazer por nós, então sempre foquei nisso. Esse foi o entorno no qual eu cresci: trabalho e família”.

Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)
Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)

Juan Carlos se envolveu na música desde muito jovem, começou em grupos de meninos que queriam seguir aos Backstreet Boys. “Todos eram branquinhos e eu era o único negro do rolê”. De alguma forma isso o fez sentir confortável no lugar. Desde esse momento ele teve a intenção de empreender seu próprio projeto e num dos torneios de canto, pediram pra ele interpretar Color Esperanza de Diego Torres. “Nesse momento foi que 'bum!', me liguei com o que eram as melodias, os tons. Me lembro muito que naquele momento apreendi o que era o canto, porque eu realmente não sabia nada disso. Aí me liguei e começou todo meu desenvolvimento como artista. Essa música foi muito importante para mim”.

Ele começou na música desde os 11 anos com a influência direta como Baby Rasta y
Gringo, Daddy Yankee, Hector el Father y Tito El Bambino. Eram os começos reais do Wisin y Yandel e Don Omar. Ele cresceu escutando os maiores e mais tradicionais artistas do gênero urbano em Porto Rico. "Eu ganhei um walkman dos meus avós e eu era louco com meu K7 de Baby Rasta y Gringo. Me lembro até quando perdi ele num assalto, isso foi muito frustrante porque nesses dias eu tinha o interesse de conhecer o que era o reggaetón. Desde que eu nasci, toda a minha vida era cheia de reggaetón”.

Todos os artistas de reggaetón de Porto Rico, especialmente os que iniciaram sua carreira na década dos 90, têm uma conexão muito importante com o rap e com o que representa a cultura da “rua” nas manifestações artísticas. O rap e o reggaetón se integraram como resposta de contracultura em diferentes cenários de segregação e esquecimento do Estado. “Claro, eu também cresci nesse ambiente, mas isso foi o que gostei de Wisin y Yandel, que mesmo sendo de rua, abriram o caminho para o reggaetón romântico”.

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E este pode ser um dos pontos de inflexão mais importantes do gênero. O rap na América Latina, a diferença do mercado anglo, tem sido estigmatizado e relegado a ser uma cultura explicitamente da rua. Por tanto, no final dos anos 1990, o reggaetón, com raízes rap e caribenhas foi o gênero preciso que encontrou a indústria na música e nas gravadoras para popularizar um produto latino que podia funcionar em qualquer parte do mundo. Um produto para dançar nas discotecas, mas que também pudesse atrair a audiências mais jovens interessadas em novos sons. Assim como a salsa nos anos setenta em Nova York, o gênero se desenvolveu desde a rua até as discotecas e foi introduzido na cultura popular transgredindo todas as barreiras da linguagem.

A música latina tem conseguido um lugar importante na cultura popular do mundo e uma posição muito relevante que concorre com os grandes artistas da música chamada de urbana e do rap em inglês. O reggaetón é o gênero que tem levado a música em espanhol para lugares mais distantes. Tem diferentes matizes, desde o som alternativo de músicas como "Pa' Que Retozen", até os grandes sucessos pop como "Caramelo". E Ozuna representa a nova geração do gênero. Ele adotou o herança romântica dos artistas como Yandel e Zion e criou o próprio som em meio de um dos gêneros mais concorridos no mundo. Em parte, porque muitos artistas que não faziam reggaetón têm levado seus sons até o som urbano do dance hall.

Mais do que fenômeno de verão

Durante vários anos, estive convencido de que o sucesso do gênero tinha muito a ver com a onda de sucessos da música em espanhol que vem com cada década. Durante essa noite em Shangai, entendi a verdadeira potência do gênero e dos artistas de reggaetón que tem colocado para dançar o mundo todo de forma orgânica, como em algum momento conseguiram outros artistas latinos, mas dessa vez sem ser fenômeno de temporada.

No dia seguinte respondi à mensagem que tinha deixado sem resposta e iniciei uma busca genuína dos grandes nomes do reggaetón. Amigo dos artistas mais importantes do gênero e nascido em Porto Rico, Residente me disse que quando incluiu um beat de reggaetón em "Artévete-Te-Te" esse foi o ponto de inflexão na sua carreira e na história da música latino-americana. O dancehall como base harmônica e rítmica começou seu domínio no som da música mundial.

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Na primeira semana de fevereiro, Ozuna estava pronto para lançar o novo clipe para "100 Preguntas", uma bela música que ele dedica a Porto Rico, onde mostra a potência da sua voz e uma performance diferente no seu catálogo. “No me siento bien bebe, si no es contigo”. A pandemia havia recém-chegado nas Américas.

Voltamos a falar por telefone ele parece tranquilo. Ozuna é um artista experiente. É um homem de família e um artista que entende a relevância desta entrevista. Ele leva um tempo para responder cada pergunta, não tem contradições, mas procura as palavras certas para cada resposta. A voz é cálida e cheia de segurança a cada comentário. É um artista que não tem complexos e está convencido de que o reggaetón é uma potência mundial, que reciprocamente achou em si, a representação artística perfeita do gênero que navega entre o pop e os ritmos clássicos como o dembow e dance hall.

O ano passado, entrou no Guinness Book por ser o artista latino por mais tempo nos rankings oficiais da indústria da música e mais um porque, em 2019, foi o artista mais visto no Youtube.

Durante muitos anos, o reggaetón foi estigmatizado com justa causa por sua forte carga misógina, mas de uma forma intencional, nos últimos anos, um setor do feminismo latino-americano virou o panorama se apropriou do gênero de forma particular. Ozuna, se afastou conscientemente de qualquer discussão de gênero desde o início, foi respeitoso pela figura feminina na música dele e preferiu focar no romanticismo lírico e melódico.

"Sabe, eu não concordo com isso de sujar o falar mal de uma mulher. Pelo contrário, as músicas mais emblemáticas que eu já tive, a mulher é o centro da inspiração”, diz ele. O porta-riquenho que enfrentou a pandemia como muitos outros artistas, desde um ângulo criativo, se enfrentou aos seus próprios medos para desenvolver músicas que estão em outro nível criativo e um passo além dos seus próprios álbuns. “Aos poucos, eu fui aprendendo e estou no meu melhor momento criativo. Temos aprendido, experimentado. Já estou indo diretamente ao que eu realmente quero fazer”, afirma. “Este álbum foi mais simples para mim porque tem sido questão de aplicar tudo o que eu tenho aprendido. Foi identificar os erros que cometemos nos discos anteriores e não cair no mesmo erro de novo”.

O tempo livre aberto na agenda de Ozuna criado pela pandemia permitiu que ele parasse para pensar no que realmente queria fazer. “Quando chamei a Doja Cat e a Sia foi realmente rápido. Da mesma forma quando chamei o Daddy Yankee, tudo isso tomou não mais de 24 horas.”

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O álbum foi gravado em La Base, o estúdio do Wisin em Cayey. “Sinto que foi algo bem orgânico, algo que Deus queria que acontecesse”, ele conta. ENOC é um álbum que destaca o estilo clássico do reggaetón com melodias de piano, arranjos de violão e, além disso, com múltiplas colaborações que também traspassam a barreira da língua, como é o caso em "Del Mar", uma música sobre a praia na qual ele colabora com a Sia e Doja Cat.

Ozuna, sem duvida, apresenta um álbum magistral que navega em vários ritmos do Caribe: dembow, dance hall, soca, reggaetón, trap e hip hop. "Enemigos Ocultos" é um gangsta-rap de quase 8 minutos, com a participação de Arcangel, Wisin, entre outros que evoca a uma das músicas clássicas de Wu-Tang Clan ou de La Coca Nostra. É uma declaração de princípios do que são os artistas porto-riquenho no gênero. Há poucos artistas que estejam à altura desse verso, cantado por Wisin: "¡Los he tirado em todos los rounds, tu no eres nenhum maleante de nada, todo lo que eres, es un boy scout!” (em tradução livre: "Eu derrubei vocês em todos os rounds! Você não é nenhum malandro de nada, tudo o que você é, é um simples escoteiro!"). Essa é uma das intervenções mais agressivas dos últimos anos no reggaetón.

“Yo me compré un avion porque queria volar”, canta Ozuna descarregando todas as munições de uma metralhadora lírica de sotaque porto-riquenho. "No se da Cuenta" é um dembow com Daddy Yankee na liderança do coro melódico. Um sucesso pronto para a discoteca. "Un Get" cria uma atmosfera para o verão caribenho. "El reggaetón" é um single clássico que lembra a cena dos anos 1990 com o uso de caixa seca e bumbo sem enfeites.

"El Oso del Dinero" é um trap americano. “Se juntaram todos para hacerme frenar”, diz Ozuna na sua versão mais rapper do álbum, palavras não faltam num verso simples e hostil. Em "Duele Querer" volta o piano retomando a balada romântica.

J Balvin elogia em uma mensagem por WhatsApp quando pergunto a ele sobre a contribuição de Ozuna para o gênero. “Ele deu ao trap em espanhol uma melodia que começou como em La Ocación ele deu uma cor única. Seu timbre de voz e as músicas românticas, que conectam muito com o público, fizeram a diferença. Além disso, é um grande artista ao vivo, que transmite e demonstra que ele curte do que faz. Ele sabe o que está fazendo.”

Ozuna tem a grande responsabilidade de manter a música em espanhol e ao reggaetón na cúspide dos rankings. Pela pouca idade, ele é, de longe, o presente e o futuro da música latino-americana com beats graves e contemporânea. Ozuna tem contribuído com os artistas mais importantes de toda a indústria e o futuro poderia ser a ponte para uma geração de novos artistas que influenciam milhões de seguidores, mas que ainda não acharam um som para chamar de seu. Uma coisa no que ele é um especialista: soar autêntico e ser refrescante num mar de água salgada.

Entrevista com Ozuma:

Você tinha clareza do que queria fazer com sua carreira na música, no momento no que começou a escrever canções?
Não sei se era algo tão claro. É difícil ter claridade quando se é tão jovem. Mas o que eu consigo concluir é que as coisas chegam quando a gente menos espera. Eu não tentei ser músico a todo custo. Inicialmente, eu o tomei como um hobby que nunca poderia deixar de ter, mas mesmo que eu amava a música, eu tinha que trabalhar também, tinha que pôr a mão na massa, eu tenho filhos e uma família. Eu desde pequeno tenho escrito músicas, poemas e também besteiras. Mas realmente quando me interessei pela música, ser artista ou criar algo dentro da indústria, ao mesmo tempo tinha que trabalhar e sustentar a minha família. A gente não pode viver somente dos sonhos. A gente tem que se mexer no momento e trabalhar. Quando eu saia do trabalho, ia direto ao meu estúdio para fazer música. Mas não posso garantir que eu estava esperando tudo isso. Nunca tive esse tipo de pensamentos como de “eu quero ser o melhor”. Estaria mentindo se eu digo isso porque tudo foi um processo, com muito trabalho e frustrações no caminho. É tudo o que a gente vai aprendendo no caminho, cada passo que damos, aplicando o aprendido no que você gosta da música e do seu negócio. Foi desse jeito, aos poucos, não é como as pessoas imaginam, que todo é de um momento para o outro. Claro, quem não sonha com ser um grande artista, mas não foi só isso, e se fosse, estaria te mentindo.

Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)
Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)

Qual você acha que foi o momento determinante e detonante para a globalização do reggaetón?
Ish! Você me deixa numa situação complicada. Para mim, virou global quando a gente chegou, os da nova geração; Bad Bunny, Anuel, J. Balvin e eu. Claro, Daddy Yankee semeou as bases e deixou o ambiente pronto, foi quando saíram as novas gerações que fizemos que se espalhasse pelo mundo todo. Antes de 2010 a gente viajava pela América Latina e outros lugares do mundo, mas não era o que é hoje . Hoje vamos para a Europa e fazemos festivais e shows massivos. Antes, para a gente conseguir fazer um show massivo era muito difícil. Talvez Romeo [artista de bachata]. Mas não o reggaetón. Daddy Yankee fazia shows, claro, mas não eram tão massivos como os de hoje. Por exemplo, um show de reggaetón hoje na Argentina ou na Itália é assistido por 5000 pessoas. Antes, um show do Daddy Yankee com Wisin y Yandel eu duvido muito que fosse de tal tamanho.

"Despacito" foi uma música que levou isto a todo o mundo, mesmo que Daddy Yankee já tivesse feito isso com Gasolina. “Claro, hoje em dia a música chega mais rápido a todos os lados. Hoje, eu lanço uma música e pum! Já no Egito ou no Israel está tocando. Eu acho que não é a mesma coisa, nem tem como comparar, mas tenho certeza de que o reggaetón foi globalizado só agora. E também tem que levar em conta que houveram muitas portas fechadas que no caminho do Daddy Yankee, Wisin y yandel ou Don Omar, foram abrindo e pam, pam! Foi duro de conseguir.

Claro, e esse pode ser meu ponto, você acha que as novas gerações têm conseguido colher os frutos de todo o esforço de uma geração de artistas de reggaetón que foram abrindo caminho na indústria desde os 1990 ou os 2000, até o momento que vocês chegaram? Você considera que estas novas gerações têm aproveitado dessa abertura do mercado ou das portas que eles deixaram abertas?
Claro, nós estamos colhendo os frutos. Nós vamos por este caminho com as portas abertas. Eles as tinham fechadas, tiveram que lutar. Em Porto Rico queriam proibir o reggaetón quando surgiu. Queriam botar um aviso que o proibisse em todo lugar. Mas, aos poucos, foi se popularizando e até hoje não para de crescer. Não acho que seja o ápice porque continuamos crescendo. O gênero está no seu melhor momento. Tem muitos artistas com novos projetos, antes não. Antes eram somente cinco artistas e agora tem milhões que continuam em desenvolvimento. Todos os dias você ouve algo novo, claro, tem uns líderes que marcam o caminho, mas continuam crescendo novas propostas.

Podemos dizer que o reggaetón foi um dos pioneiros em termo de colaborações entre artistas porque faz isso desde o começo? Você pode ouvir músicas clássicas do gênero onde já havia cinco artistas cantando numa música só. Qual é sua opinião sobre esse processo de trabalho que, no gênero, continua sendo muito importante? Como você lida com isso e como você escolhe os artistas com os quais quer colaborar?
Para escolher minhas colaborações eu foco no talento do outro artista. Tem muitos destes artistas novos que eu gosto e nas colaborações não tudo é por negócio, tem algumas coisas que simplesmente não funcionam e que, talvez, não sejam hits nem hoje, nem amanhã, mas você faz pela parceria. Escolher, para mim, é uma tarefa muito complexa, porque gosto de vários artistas que, talvez, ninguém conheça, então não é uma decisão fácil. Mas também pode ser que gravamos uma música juntos e ele se torne famoso. Isso é muito gratificante. Eu acredito na boa música, nem tanto no nome, nem em quem seja o artista. Por outro lado, quando eu recebo uma música boa na qual tenho a oportunidade de colaborar é algo que não posso deixar passar, seja de quem for. Nessa eu tenho que estar.

Tem outra figura muito relevante no reggaetón; a dos produtores. Como você escolhe um produtor e como garante que esse é o som que está procurando no momento?
Eu geralmente trabalho sempre com os mesmos produtores, a não ser que seja uma música para o mercado anglo. Igualmente, os meus produtores, quase todos, são norte-americanos; Dj Snake, Tainy, Chris Jeday, Gabi Music. Quase sempre trabalho com todos eles.

Acho que a indústria do reggaetón é um círculo muito fechado nesse aspecto. E, claro, sempre têm vários produtores novos, mas na posição na qual eu estou sempre quero gravar com os melhores, com aqueles que eu me sinto satisfeito com o resultado. Igualmente, quando chega um bom produtor novo com boas ideias, um bom trabalho e uma boa proposta, também preciso levar em conta.

Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)
Ozuma (Foto: Gio Alma para Rolling Stone Colombia)

Isso me faz pensar que você está num entorno realmente competitivo, onde estão saindo novas músicas e artistas o tempo todo. Como é sua estratégia para inovar num gênero que cada vez tem mais oferta no mercado?
É algo bem difícil de explicar porque é um talento que graças a deus temos adquirido com o trabalho. Mas não é algo que eu possa explicar tao facilmente. Eu vou ao estúdio com um bom instrumental e já levo uma temática e um ritmo de como trabalhar uma música. E isso só se consegue com o tempo e com a experiência. Noite após noite tentando fazer isto e aquilo. Eu chamo isso de “minha turbina”, eu acendo e deu. Já sabemos para aonde vamos. Já é a mesma técnica que venho desenvolvendo e, como eu te disse, isso vai se fortalecendo com os anos. Claro, eu fui aprendendo aos poucos e, obvio, não é algo que seja assim tão fácil, de um dia pro outro. Talvez os novos talentos pensam que “eu chego a ser artista assim, num dia só”. E, na verdade, é que não, não é assim. Isto é um processo longuíssimo porque todos os dias continuo apreendendo cada vez mais.

Como vocês assimilam que de uns anos pra cá o som do reggaetón tenha influenciado grande parte da música em espanhol, especialmente o pop?
Bom, porque isso mostra que nós, os artistas da música urbana, somos líderes de um som e que fazemos algo que as pessoas dos outros gêneros gostam e gostariam de fazer. Olha, agora até Reik, que é um grupo que eu gosto muito, uns mexicanos que faziam outro tipo de música e que já estão fazendo bom reggaetón. Inclusive, eu acho que eles cantam melhor do que muitos do gênero fazendo reggaetón, combina com eles. Isso é o que eu falo quando digo que muitos artistas de muitas partes do mundo querem fazer música, não especificamente reggaetón, mas sim música urbana. Tem muitos ritmos que não tem reggaetón, mas são coisas nossas que acabam sendo urbanas.

Você acha diferente a música urbana de Porto Rico ao resto da música urbana da América Latina?
Claro, é muito diferente. Eu não sei nada dessa polemica de onde nasceu o reggaetón, nem de onde vem o gênero, mas oS pais de tudo isso estão em Porto Rico. Para mim o reggaetón é de Porto Rico, se você presta atenção como nós falamos é quase como se cantássemos uma música de reggaetón. Essa é a melhor resposta que eu posso te dar: me diz de onde são os três maiores artistas de reggaetón... E com isso não quero desvalorizar o trabalho dos outros, mas acontece que em Porto Rico tem muita febre musical pelo gênero e , claro, hoje essa febre está no mundo inteiro e tem artistas de todas partes. Mas, por exemplo se você escuta Gristo Amarillo, é uma música que não pode fazer um artista que não seja de Porto Rico pelo lírica, as gírias e toda essa temática. É pura "quentura" nossa.

Eu considero que tem algo que distingue aos artistas de Porto Rico e é que geralmente o artista urbano de lá tem uma capacidade lírica, vocal e de improvisação que dificilmente você encontra em outros artistas de reggaetón da América Latina.
Essa é o nosso talento. A versatilidade.

De onde você acha que está o sucesso de uma música hoje quando se tem tanta concorrência no mercado?
Bom, falando particularmente do reggaetón, tem muitos fatores de sucesso. A música e o instrumental, a letra, o artista que canta e como ele projeta a música. Da forma como você faz o marketing. Tem músicas que automaticamente viram hits, mas tem outras que precisam de muito trabalho para chegar ao ouvido do público. Quando eu comecei só tinha uma forma de fazer e era com a qualidade da tua música porque no momento estavam saindo as plataformas digitais como Spotify e AppleMusic e todas elas começavam da mão com a música que estávamos fazendo artistas como “el conejo” (Bad Bunny) e eu. Hoje tudo é diferente tem várias formas e estratégias de fazer marketing.

Você, que cresceu nesse ambiente natural da música urbana, em algum momento considerou que de certa forma o gênero tinha um caráter misógino?
Acho que não, porque minha música está livre disso e não levo em conta certas coisas que eu tenho falado em algumas músicas porque foi mais uma questão de palabreo [modismo do reggaetón que quer dizer lírica, o conteúdo da letra] dirigido aos adultos. Na verdade, eu considero que hoje em dia não existe espaço para ofender as mulheres na música em geral. São outros tempos, talvez vejo isso em outras músicas que não as minhas, mas eu cuido muito disso, eu me mantenho cuidando meu canto. Eu sou eu. Eu sei que o gênero urbano é gigante e você vê de tudo ali, mas eu estou cuidando do que é meu. Eu, pelo menos, não ofendo as mulheres, não desrespeito elas de nenhuma forma nas letras. Tem algumas coisas engraçadas, ardentes, que todos gostamos, mas isso de sujar a imagem de uma mulher, minha gravadora não admite isso. Não fazemos esse tipo de música.

Eu já vi você falar num par de entrevistas que gosta que sua música seja tocada nas discotecas, é algo muito honesto, levando-se em conta que muitos artistas na América Latina fogem do conceito de ser unicamente um artista de discoteca. Como você percebe a relevância da sua música nas discotecas?
Eu tenho músicas para qualquer tipo de situação. Românticas ou para discoteca. Depende também do sentimento que você coloque.

Claro, e é isso o que eu sinto nas músicas como "Temporal", "Amor Genuíno" ou "100 Preguntas", como funciona sua criatividade na hora de fazer coisas tão diferentes?
Penso sempre em todo tipo de pessoas, todo tipo de situações. Por isso é que graças a Deus a gente tem tido sucesso com todos os discos que temos feito até hoje. Sempre procuramos ser versáteis; se você não vai na discoteca, tem esta opção, mas se você vai tem esta outra. É algo muito importante para mim, não gosto de cantar o mesmo nos versos ou nos coros. Sim, eu tenho a mesma temática, mas sempre com diferentes tons. Tentar de nuca soar igual, fazer música diferente.

Levando em conta todos estes assuntos da globalização do gênero e aproveitando ainda que está na moda, qual é a sua estratégia para chegar em outras audiências com sua música?
A letra limpa que chegue a todos os corações. As situações. O simples é o que as pessoas gostam hoje, o simples. Às vezes, nós mesmos nos complicamos muito procurando coisas e exageramos. É importante que se escute diferente. Não sei que é o que tem as minhas melodias, não posso dizer “é este o truque”, mas as crianças, as mulheres e as pessoas mais velhas gostam, e acho que tudo isso é o resultado de como fazemos as coisas, desde o coração. A equipe de trabalho que temos é como a gente diz em Porto Rico, una bestia [algo como "genial" ou "incrível"]. A estratégia é a mesma, trabalhar em equipe e fazer de coração. Não fazer as coisas para ofuscar os outros, nem por dinheiro. Obviamente trabalhamos muito para aumentar os nossos ingressos, mas desde o coração para o público. Sinto que isso é o mais importante.

Por que você acredita que o reggaetón está tendo maior impacto nos Estados Unidos do que na América Latina?
Acontece que os latinos já estamos em todas partes, antes não tinha tantos latinos nos Estados Unidos como agora. Além disso, quando os latinos nos misturamos com os norte-americanos e apresentamos nossa música para eles e eles apresentam a sua para nós, todo vai se misturando. Antes não existia isso, hoje o celular, a tecnologia, os iPads... todas essas coisas têm facilitado o processo para que a música possa chegar a todo mundo. Além disso, a música latina tem muito a ver com a dança e o nosso reggaetón se dança colado, é algo sensual que procuramos, que todo mundo gosta, eu acho que vai se manter por muito tempo. Tal vez por isso é um sucesso nos Estados Unidos, porque é algo novo para eles. Já nós, estamos acostumados.

Você tem conseguido analisar o positivo e o difícil de estar fora de casa e de turnê o tempo todo?
São sentimentos encontrados porque por um lado é difícil, mas, ao mesmo tempo, é gratificante porque quer dizer que as coisas estão indo pelo caminho certo. É difícil pela família, os filhos e esse momento em que a gente tem que deixá-los. Ao mesmo tempo, é também um sentimento bom porque quando a gente sai, estamos do outro lado do mundo fazendo um show, cantando nas premiações ou coisa do tipo. E eles também ficam felizes, eles sabem que eu estou trabalhando. Por isso que é um sentimento meio a meio. Eu não digo que não fico triste, eu fico ligando o tempo todo para estar cuidando deles.

O que você acha sobre aquela polêmica atual de querer tirar a etiqueta de música urbana do reggaetón?
Podem colocar a etiqueta que seja e vai continuar sendo o mesmo. Eu não tenho problema. Não sei o que dizer sobre isso porque nós, os que fazemos parte da música “urbana”, sempre temos sido artistas e a nossa música é tão pop como qualquer outro. Eu prefiro que a nossa música sempre seja chamada de reggaetón, porque tem uma coisa com o conceito de música urbana que eu não gosto e é que urbano pode ser qualquer coisa. Mas o reggaetón não pode ser feito por qualquer um, não como a gente faz. Mesmo colocando o nome que quiserem, vamos continuar fazendo sucesso.

Como você lida com a pressão de que cada música tenha que ser um sucesso enorme no entorno em que você está?
Eu não sinto essa pressão, a gente tem feito mais de 120 sucessos na música em geral. Mais de 110 músicas multi-platino, mais de 110 músicas no top dos rankings de rádio. Eu acho que hoje é mais pelo amor e pela vontade. Claro, eu continuo com esse desejo de ser grande, mas se eu ficar pensando em que todas as músicas têm que ser um sucesso, acho que vou errar em cada coisa que eu faça. Eu foco em fazer música, em me juntar com bons compositores, com pessoas que sempre acrescentem e tragam boas ideias. Não sou eu quem faço tudo, como muitas pessoas acham, temos uma equipe de trabalho. É uma febre musical, você tem que fazer parte de um movimento. Todos os dias você tem que estar pronto para fazer algo novo, e acho que nós temos a mesma fome que tínhamos quando surgimos e queríamos crescer dentro da indústria.

Como você mede o seu sucesso? O que é o que faz você se sentir feliz e bem-sucedido?
A história que a gente escreve no mundo. Quatro recordes do Guinness, 11 prêmios da Billboard, mais de 20 indicações. Você me entrevistando para a Rolling Stone. Todas essas coisas me fazem sentir satisfeito, mas do que eu me sinto mais satisfeito e agradecido é de ver o meu público feliz cantando as minhas músicas. Isso é o que mais me faz sentir grande. Quando eu estou no palco, a gente deixa tudo lá, por isso que eu gosto tanto dos shows e da conexão com o público, que eu veja o público cantar essas músicas novas em espanhol, com tanta paixão, com o coração, com amor. Isso é o que me mantém de pé. É esse amor que o público mostra para minhas músicas e para mim. Esse é o verdadeiro sucesso.

Qual você acha que é a essência do reggaetón clássico que está conectado agora com o público?
Porque alguns anos atrás o som era diferente e agora o clássico está ganhando força de novo... Talvez seja a pista. A bateria. É uma coisa que tem o som e a produção dessa época. É algo bem estranho, muito fútil de explicar. Talvez seja a simplicidade.

Pra você, quais são as três melhores músicas da história do reggaetón?
"Gasolina", de Daddy Yankee, "Dale Don Dale", de Don Omar e "Mayor Que Yo", de Luny Tunes.

Eu sei que você tem trabalhado com artistas colombianos, o que você resgata desta nova geração de artistas colombianos como J Balvin e Maluma? Qual é a contribuição que eles estão dando ao gênero?
O gênero tem se expandido; com isto eu quero dizer que hoje é mais fácil que isso aconteça. Eles têm um bom tempo na indústria e, com certeza, foram influenciados por artistas como Daddy Yankee, Wisin y Yandel e Don Omar. Eles trabalham extremadamente bem. Eu acho que Balvin é um cara que tem nos influenciado a todos nós no que diz respeito às tendências e a gente tem contribuído com o que se refere à música, a influência dos ritmos e muitos produtores de Porto Rico. Eu acho que é das duas partes, uma coisa que temos compartilhado durante o tempo. Eu sinto que a união que temos formado depende não só da Colômbia, mas também de outros países e de outras partes do mundo que têm contribuído com os produtores de Porto Rico e todo sempre funciona porque é feito de coração. Por isso eu acredito que J Balvin e Maluma têm crescido bastante, eles têm contribuído muito com este gênero, além disso, eles também têm ajudado a misturar o reggaetón com a moda.

Considerando a difícil situação que está passando a indústria musical pela falta de
shows, como você está se preparando para isso? Quando você planeja voltar para o palco? E se isso demorar, qual é seu plano para se manter perto dos fãs?
A música fala por si. Chegará uma forma de nos conectar, não sei qual vai ser, mais vai chegar uma forma profissional de poder fazer esses shows. Eu acho que isso ainda vai demorar. Voltar ao normal não parece que seja para o mês que vem, mas nós estamos prontos. Eu sei que Deus está trabalhando pra isso e vamos conseguir nos juntar mais uma vez com nossos fãs e fazer o que fazíamos antes. Poder se abraçar, poder se cumprimentar como normalmente fazíamos. Vai chegar o momento, eu não estou com pressa, não me preocupo por isso, porque meu propósito é continuar fazendo música, levar ela para diferentes partes do mundo, eu acho que isso é o primordial. Fazer shows fica num segundo plano por enquanto, isso virá depois. Agora mesmo eu estou num processo de criação e de continuar crescendo como artista. Uma vez que habilitem os shows, você pode ter certeza que o público estará nos esperando mais do que nunca