O Hobbit: A Desolação de Smaug acelera a aventura, acrescenta um dragão e apresenta novos heróis

Peter Jackson conduz o público para mais uma jornada pela Terra-Média, universo de criado por J.R.R. Tolkien; filme estreia nesta sexta-feira, 13

Pedro Antunes Publicado em 13/12/2013, às 09h47 - Atualizado às 12h31

O Hobbit - A Desolação de Smaug
Divulgação

Peter Jackson pisou no acelerador. Não que tenha sido fundo demais, para fazê-lo ultrapassar o limite de velocidade, mas o suficiente para sair da morosidade. E a trilogia O Hobbit, que chega à segunda parte com A Desolação de Smaug nesta sexta-feira, 13, engrena de vez.

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É fácil compreender a missão de Jackson com o primeiro filme, Uma Viagem Inesperada, que funcionava como uma nova introdução a este mundo fantasioso. Difícil, contudo, era manter o foco durante algumas cenas exageradamente estendidas. É bom lembrar que o diretor teria na mão dois filmes, ao invés de três, mudança que veio após o início das filmagens. É bom lembrar, contudo, que ao contrário do que ocorreu na trilogia de O Senhor dos Anéis, quando Jackson e companhia poderiam se basear em três livros de J.R.R. Tolkien, com histórias e tramas bem definidas, Jackson contou apenas com um livro pequeno e infantil para esta nova viagem à Terra-Média.

Veja os cinco pôsteres de O Hobbit: A Desolação de Smaug.

Fãs e críticos, assim como animais ferozes, puderam perceber o medo de Jackson que emanava no primeiro filme - ainda que ele fosse, indubitavelmente, o mais indicado para o cargo. Uma Jornada Inesperada acabou se tornando um grande prólogo, cuja linguagem quase professoral e infantilizada deixou alguns fãs mais incomodados.

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Mas chegamos em A Desolação de Smaug. Finalmente conhecemos o dragão que dá título ao longa, dublado por Benedict Cumberbatch. Enfim, descobrimos a natureza selvagem dos elfos da Floresta das Trevas – também conhecida como Mirkwood. Fomos apresentados a Tauriel (Evangeline Lilly), Bard (Luke Evans) e ao prefeito de Laketown (Stephen Fry). Assistimos ao retorno do querido Legolas (Orlando Bloom). Todos, elementos necessários para a conclusão da trama no terceiro filme.

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A Desolação de Smaug percorre pouco as páginas do livro original, passando por criações dos próprios roteiristas até fatos achados no sem número de anexos deixados por Tolkien, para amarrar os mundos de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. Na trama cinematográfica, conhecemos o destino de Gandalf (Ian Mckellen), mais divertido do que nunca, ao abandonar o grupo de 13 anões e um hobbit para retornar à Dol Guldur, lugar onde um grande mal começa a crescer na Terra-Média. É a ligação entre as trilogias e ainda o ponto mais sombrio do novo longa.

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Da versão literária adaptada para as telas, a louvável cena da fuga de Mirkwood, nos barris de vinho, deve satisfazer até os fãs mais durões. Algumas novidades, como um improvável romance, talvez incomode a maioria logo no início, mas pode acrescentar muito à trama, principalmente no terceiro e último filme da franquia.

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Dois personagens cresceram na tela, em comparação ao primeiro filme. Um dele é Bilbo Bolseiro, de Martin Freeman. O ator da série Sherlock se soltou no papel do protagonista e ele ainda funciona como um alívio cômico entre as frequentes cenas de ação. Com o anel, Bilbo ganhou um novo recurso nesta aventura, conheceu o gostinho da coragem e soltou-se diante dos 13 anões barbudos e maiores do que ele.

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Ponto negativo na trama é Thorin Escudo-de-Carvalho, interpretado por Richard Armitage. Construído como o grande herói no primeiro filme, o herdeiro do reino dos anões que busca retornar à antiga casa roubada pelo dragão Smaug, a Montanha Solitária, ele passa por uma transformação quando a jornada perto do fim. Um lado sombrio de sua personalidade surge com a possibilidade de possuir a Arkenstone, pedra conhecida como o Coração da Montanha. Ganância e desejo são expostos de forma de forma truncada, sem profundidade.

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Ainda assim, ganhamos um novo herói, Bard, um arqueiro e pai de três crianças que vive em Laketown. Cheio de princípios e questionado pelo próprio povo da cidade onde vive, o personagem ganhou espaço com a ampliação da aventura de O Hobbit. Outro destaque e oposto de Bard é o poderoso dragão Smaug, cuja voz de Cumberbatch é quase imperceptível após ser embebida de distorções. Assustadoramente grande, astuto e vingativo, o bicho ganha vida na telona de forma impressionante – Jackson ainda é mestre nisso, afinal.

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O Hobbit: a Desolação de Smaug não funciona como um filme único ou produto – e dificilmente um marinheiro de primeira viagem neste universo se encantará por Bilbo, Thorin, Gandalf e companhia. Nota-se a falta de trama própria ao longa, com início, meio e fim. A trilogia, desta vez, parece construir-se exatamente desta forma, aliás: início (Uma Jornada Inesperada), meio (A Desolação de Smaug) e fim (Lá e de Volta Outra Vez, com estreia prevista para dezembro de 2014). Ainda assim, as falhas na primeira parte da aventura foram corrigidas e a ação ganhou vida. Novos personagens e subtramas surgiram, deixando mais pontas a serem amarradas no ano que vem. E, aqui entre nós, é bom estar de volta.

Crítica: O Hobbit leva fãs e iniciantes em novo (e longo) passeio pela Terra-Média.