“O mau cheiro pode atrapalhar toda a diversão, cara!”, diz Perry Farrell sobre a mudança de local do Lollapalooza Brasil

Fundador do festival e líder Jane’s Addiction promoveu o primeiro encontro entre jornalistas e o novo espaço para os shows, agora localizado no Autódromo de Interlagos, na zona sul da cidade

Pedro Antunes Publicado em 10/10/2013, às 17h58 - Atualizado às 18h25

Perry Farrell no trem ao lado de sua esposa, Etty. O Lollapalooza, festival com proposta de sustentabilidade, incentivou as pessoas a chegarem na coletiva de trem
Pedro Antunes

Perry Farrell realmente parecia estar se divertindo, enquanto sentava no trem da CPTM, na linha Esmeralda, sentido Grajaú. Ele e uma comitiva formada por fotógrafos, equipes de produção, assessores e jornalistas embarcaram na estação Morumbi, para um passeio de seis estações até o Autódromo de Interlagos, São Paulo, novo local que abrigará o festival Lollapalooza nos dias 5 e 6 de abril, em 2014.

Lollapalooza 2013: a cobertura completa do festival.

“Quem é esse aí?”, questionou uma moça que estava tranquilamente sentada em um dos bancos do vagão do trem até ser exprimida por mochilas de fotógrafos. Ela apontava em direção ao sujeito de gel no cabelo, uma echarpe estampada enrolada no pescoço, jogada sobre uma jaqueta John Varvatos, como ele fez questão de citar depois, nas entrevistas. No colo do fundador do Lollapalooza e líder do Jane's Addiction, a esposa dele, Etty, sorria e exibia as pernas de dançarina – ela foi trabalhou com a banda de Farrell, antes de casar com o músico. “É um músico gringo”, respondi, para o desinteresse total de ambas, que se levantaram para mudar de vagão – achar algum que que não tenha sido tomado pela comitiva do rockstar.

“Agora, sim, é uma festa!”, gritou o músico, parecendo legitimamente empolgado em conhecer o trem paulistano. Toda a ideia era que Farrell mostrasse que sim, será possível chegar ao Lolla 2014 usando transporte público. Algo que foi bem explicado, posteriormente, por Alexandre Faria, diretor artístico da Time For Fun, empresa parceria do festival deste ano – nas duas últimas edições, quando o festival foi realizado no Jockey Club, a parceria era com a Geo Eventos. “Teremos várias opções de transporte para o público”, avisou Alexandre. “Os trens funcionarão até duas horas depois do fim do último show”, completou.

O festival perdeu um dia, em relação à edição deste ano no Jockey Club. De três noites, ele voltou a ser reduzido para duas, ainda que com “muito mais opções de shows”, como disse o diretor artístico da T4F. Serão 80 shows, divididos entre sábado e domingo – desta vez, também, o festival não coincidirá com o feriado da Páscoa. A música acontecerá em cinco palcos, das 11h às 23h (no sábado) e até às 22h (no domingo).

O relógio marcava 10h25 quando Farrell subiu no trem. “Eles são tão lindos e modernos, não é?”, comentou ele, para a esposa, ainda dentro do vagão. “Há quanto tempo eles estão circulando?”, questionou ela. “Nossa, quatro ou cinco anos!”

Farrell ainda criticou, levemente, o trânsito da capital paulista, enquanto elogiava a velocidade do trem. “No trajeto do aeroporto para o hotel pegamos um trânsito horrível. Aqui, não, é como se estivéssemos voando!”, afirmou, com seu costumeiro tom entusiasmado. “Não tem coisa que eu deteste mais do que o trânsito. Eu prefiro andar para o lado errado a ficar parado lá.”

O músico, a todo o momento, comentava com os integrantes da comitiva sobre sugestões que poderiam ser adotadas para o festival. Ao passar por uma passarela de chegada e saída da estação do trem, ele notou os alto-falantes instalados no alto. “E se fizéssemos sair música por eles?”, sugeriu o fundador do festival ao homem que caminhava ao seu lado. Depois, em papo exclusivo com a Rolling Stone Brasil, ele afirmou que “foram gentis o suficiente para nos deixarem tocar músicas nos trens”, dando como certa a realização de uma ideia que ele havia acabado de ter.

O trajeto, de fato, foi rápido – e, graças ao horário, os vagões estavam praticamente vagos. Farrell e a comitiva entraram na estação Morumbi às 10h25 e deixaram o trem, já em Interlagos, na zona sul da cidade, antes de completar 20 minutos de trajeto. “Não queria imaginar as pessoas no tráfego. A ideia de ter as pessoas voando para os shows, sem deixar para trás monóxido e dióxido de carbono, e festejando, é ótima”, disse ele, após a coletiva. “Ainda quero ver se conseguimos ter lanches, comidas e bebidas no trem.”

Simpático, durante a coletiva, o músico ainda relatou a primeira experiência como frequentador de festival. “Foi tudo tão incrível... Bom, é verdade que eu estava usando ácido”, disse ele, para a gargalhada geral dos presentes. De certa forma, o espaço do Autódromo (de 600 mil m², cinco vezes maior do que o Jockey) é comparável ao do Lollapalooza original, em Chicago, nos Estados Unidos, segundo Farrell.

“São comparáveis, sim, pelo menos no tamanho e na facilidade de respiração”, disse ele. “Aqui, eu consigo respirar mais fundo do que lá [Jockey Club]. Para ser sincero, os banheiros tinham aquele cheiro, que se juntava com o dos cavalos...”, disse, contorcendo o rosto em uma careta. “Nada atrapalha mais do que o cheiro ruim.” E, para Perry, tudo parece ser uma grande festa, motivo para piadas e sorrisos simpáticos. “O mau cheiro pode atrapalhar toda a diversão, cara!”